quinta-feira, 27 de março de 2025

Leitura- Vozes de Batalha - Marina Colasanti





Me pareceu excessivamente pueril. Escrito como se fosse uma sobrinha adolescente de família extremanente rica e sofisticada escrevendo um livro sobre Titia. Deslumbrada com o trafego nos ambientes da alta burguesia. Pesquisa profissional sobre familiar mas pouco criativa e parecendo mais trabalho encomendado de empresa . Trabalho mais jornalístico que literário. Rui Castro mostra como fazer este tipo de trabalho.


Resenha:  Em Vozes de batalha, Marina Colasanti traz um delicioso retrato da sociedade carioca das décadas de 1920-40, tendo como ponto focal a intimidade do casal Henrique Lage e Gabriella Besanzoni. Ele, brasileiro e um dos maiores magnatas de nossa história, grande empreendedor e responsável por avanços significativos na infraestrutura do país em seu tempo. Ela, italiana e cantora lírica, contralto de enorme sucesso na Europa e na América Latina. Juntos, moldaram o círculo social e cultural da então capital do Brasil, vivendo naquele que hoje é um dos cartões postais mais emblemáticos do Rio de Janeiro: o Parque Lage, à época Quinta Gabriella, palacete construído por Henrique para sua amada. Marina, sobrinha-neta de Gabriella, mudou-se para o Brasil – e para o palacete – em 1948. Considera este livro “o cumprimento de uma promessa nunca feita”, seu “testemunho de gratidão” a essa impressionante mulher que foi Gabriella Besanzoni.

quinta-feira, 20 de março de 2025

Leitura- O Colibri -Sandro Veronesi

 





LIVRO VENCEDOR DO PRÊMIO STREGA 2020
Apenas dois autores ganharam duas vezes o Prêmio Strega, Sandro Veronesi é um deles.

Ambientado em Florença e em outras pequenas cidades italianas, O colibri é a história de quatro gerações da família Carrera. O ponto de vista é o de Marco, filho médico do casal Letizia e Probo, irmão de Irene e Giacomo, pai de Adele e avô de Miraijin.

Marco Carrera é o colibri, um homem com uma habilidade quase sobrenatural de pairar, permanecer firme, sem perder o ânimo em meio ao caos de um mundo em constante transformação, de uma vida com alegrias, mas também coincidências fatais, perdas atrozes e amores absolutos.

Sandro Veronesi constrói, de modo não linear, a saga familiar dos Carrera. A história, contada por meio de diversos gêneros - cartas, documentos, e-mails, chamadas telefônicas, conversas de WhatsApp -, transita por memórias que vão dos anos 1970 aos dias atuais, aventurando-se até a audaciosa projeção de uma década.

Permeado por traições, incomunicabilidades, questões geracionais e de saúde mental, resiliência, superações, doenças, morte e amor, este é um romance emocionante sobre a necessidade de olhar para o futuro com esperança; um retrato da existência humana, das vicissitudes e dos caprichos que nos impulsionam e, em última instância, nos definem.

“O colibri é um romance magistral, um mosaico de amor e tragédia, brilhantemente concebido. [...] É um gabinete de curiosidades e delícias, repleto de pequenas maravilhas, estranhas e repentinas reviravoltas, insights equilibrados e pontos de referência cultural incomuns.”
Ian McEwan

“Amo O colibri. Uma verdadeira obra-prima. Um livro engraçado, comovente e profundo que me fez chorar como uma criança na última página.”
Leïla Slimani

“O colibri é um feito memorável, um verdadeiro presente para o mundo.”
Michael Cunningham

“Há algum tempo sei que Sandro Veronesi é um dos mais habilidosos e profundos contadores de histórias italianos dos últimos trinta anos. Mas O colibri é a prova decisiva de sua sensibilidade, de sua extraordinária força como escritor.”
Domenico Starnone

quarta-feira, 19 de março de 2025

Leitura- 451 N# 91

 


Indice: 

Mulheres que correm o mundo • Bernardine Evaristo fala sobre sua “fusion fiction” e seu interesse pela diáspora africana em entrevista a Adriana Ferreira Silva; Tamara Klink compartilha trechos inéditos do seu diário de bordo da invernagem no Ártico; Miranda July percorre a estrada da perimenopausa, por Branca Vianna; e Sónia Serrano reúne biografias de viajantes ao longo da história, por Paula Carvalho.

Jutta Bauer • Thomas Bernhard • Angélica Freitas • Lilia Guerra • Lira Neto • Martha Nowill • Hiroko Oyamada • Sophia Rosenfeld • Gonçalo M. Tavares • Sol Undurraga

Mais: uma coluna de Paulo Roberto Pires, que percorreu 9 mil km para visitar o castelo onde Michel de Montaigne inventou o ensaio; os relatos de quem habitou o complexo psiquiátrico do Juquery; e uma crônica de Stênio Gardel sobre a livraria da sua infância em Limoeiro que não existe mais.

Colagem da capa: Isadora Bertholdo

quarta-feira, 12 de março de 2025

Leitura- A outra Guerra de Troia -Dictys e Dares





Uma outra visão da mesma guerra por quem acompanhou de perto os eventos .  

Resenha :Os relatos de Dictys e Dares sobre a Guerra de Troia, da qual falamos há 3 milênios, trazem novos elementos que não se encontram em Homero. A Ilíada de Homero termina com o funeral de Heitor, mas este livro vai além. Dois relatos militares, sem a presença dos deuses, da guerra mundial que marcou o real nascimento da identidade grega. Dictys, que lutou do lado dos gregos, relata a luta pelo controle do exército por Palamedes (que sequer é mencionado em Homero) e por Aquiles contra Agamemnon. Além disso, esclarece por que Odisseu levou 10 anos para voltar para a ilha de Ítaca. Dares, que lutou para defender Troia, descreve a primeira destruição de Troia por Jasão e Hércules, o rapto de Helena, as articulações diplomáticas entre troianos e gregos, bem como a razão pela qual Agamemnon expulsa Eneias de Troia.

domingo, 9 de março de 2025

Leitura- Congresso de Literatura -Cesar Aira

 




Resenha :César é um tradutor que vive no aperto devido à crise econômica global. Ele também é escritor e um cientista maluco empenhado em dominar o mundo. Ao passear pela praia, este protagonista resolve intuitivamente o antigo enigma do Fio de Macuto, encontrando um tesouro pirata e se tornando um homem muito rico. Mesmo assim, sua tentativa de dominar o mundo vem em primeiro lugar e, por isso, ele segue para um congresso de literatura em Mérida, na Venezuela. Lá, ele pretende se aproximar do homem que, ao ser clonado milhares de vezes, formará o seu exército da vitória: o escritor mexicano de renome mundial, Carlos Fuentes. Uma fantasia cômica de ficção científica de primeira ordem, esta novelinha é o veículo perfeito para César Aira assumir o controle da literatura no século 21.

A edição conta ainda com um posfácio inédito da escritora e pesquisadora Ieda Magri.


sábado, 8 de março de 2025

Leitura- De Onde eles vem - Jeferson Tenório

 

Jeferson eh um dos grandes escritores contemporâneos do Brasil. Escrita fluente apesar de altamente critica e profunda. Clarifica exatamente o título no romance. 


Resenha : Após episódios de censura e duzentas mil cópias vendidas de O avesso da pele, o novo romance do autor vencedor do prêmio Jabuti. Com a lei de cotas raciais como tema, uma história sobre preconceito e luta, exclusão e sonho.

De onde eles vêm tem como pano de fundo o ingresso dos primeiros cotistas na universidade brasileira. Na história, que se passa em Porto Alegre, por volta dos anos 2000, acompanhamos o despertar racial do narrador, Joaquim, em meio a um ambiente hostil.
Órfão, tendo que cuidar da avó doente, desempregado e sem dinheiro, Joaquim busca a todo custo manter seu amor pelos livros e pela literatura. Romance de formação de um leitor, este é o retrato de uma jornada feita de obstáculos num momento em que políticas para amenizar desigualdades eram vistas como problema, não como possibilidade de solução.

“Uma obra fundamental para entender o Brasil contemporâneo e, principalmente, para a compreensão do que é ser negro neste desenho de país em que as questões étnico-raciais eclodem como marcadores nas relações interpessoais e com o Estado. A Lei de Cotas, tão atacada por um debate público por vezes raso e permeado por todos os ranços de uma nação fundada em bases excludentes, ganha corpo e rosto na trama. Quem sabe a ficção, mais uma vez, venha em socorro do exercício de empatia tão difícil entre nós.” — Eliana Alves Cruz

“Numa prosa enxuta e despojada, ao jeito de uma confidência, Jeferson Tenório entrecruza vidas de gente marcada pela pobreza, pelo preconceito e pela exclusão. Os personagens que entretecem esta narrativa são tão reais que parecem escapar de todo e qualquer exercício ficcional. Mas é exatamente essa a arte invulgar do autor: nas frestas do muro ele encontra o fulgor de uma luz. É nessa fugaz e improvável revelação que estas pessoas tão cotidianas descobrem a resposta à pergunta do título deste livro: de onde eles vêm? Onde nascem esses extraordinários momentos em que se revela a humanidade e a vida que nos habitam?” — Mia Couto

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Leitura- Lia - Caetano Galindo

 




Primeiro romance de Caetano W. Galindo, tradutor de Ulysses e autor de Latim em pó, Lia costura fragmentos de uma existência numa prosa inovadora, revelando com maestria a matéria de que é feita uma vida.

Romances podem ser como filmes. Este é um álbum de retratos. Como fotos, os capítulos devem ser vistos por si sós. Como álbum, o livro pode ser lido em qualquer ordem: o que lhe dá sentido (nos dois sentidos) é a vida que registra. É assim que vamos conhecer Lia. Alguém que acompanhamos por toda uma vida feita à nossa frente em fragmentos, lascas e relances. Não é assim, afinal, que conhecemos todas as pessoas da nossa vida?“ Lia é um livro profundo e lúdico. Enquanto o leitor se entretém com a montagem do quebra-cabeças, satisfeito ao encaixar mais uma peça da misteriosa Lia, Caetano Galindo traduz a complexidade de existir.”

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Leitura- 451 N# 90

 








Resenha /Índice : Eu, Carrere • O escritor francês Emmanuel Carrère revisita quatro décadas de carreira e fala dos seus romances não ficcionais e arrependimentos literários em entrevista a Fernando Eichenberg

Antonio Scurati • Michel Foucault • Maura Lopes Cançado • Alexandre Nodari • Fernanda Torres • Junji Ito • Mariana Salomão Carrara • Marcelo Moutinho • Teju Cole

Mais: as lembranças de Humberto Werneck da Belo Horizonte literária da década de 60 e o centenário da New Yorker

Foto da capa: Ed Alcock

Leitura- Ainda estou aqui - Marcelo Rubens Paiva

 



Resenha : Eunice Paiva é uma mulher de muitas vidas. Casada com o deputado Rubens Paiva, esteve ao seu lado quando foi cassado e exilado, em 1964. Mãe de cinco filhos, passou a criá-los sozinha quando, em 1971, o marido foi preso por agentes da ditadura, a seguir torturado e morto. Em meio à dor, ela se reinventou. Voltou a estudar, tornou-se advogada, defensora dos direitos indígenas.

Nunca chorou na frente das câmeras. Ao falar de Eunice, e de sua última luta, desta vez contra o Alzheimer, Marcelo Rubens Paiva fala também da memória, da infância e do filho. E mergulha num momento negro da história recente brasileira para contar — e tentar entender — o que de fato ocorreu com Rubens Paiva, seu pai, naquele janeiro de 1971.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Leitura- Melhor não contar -Tatiana Salem Levy


 

.Eh uma boa escritora. Mas o livro deixa uma sensação dúbia. Parece a mim psicanalítico demais . A impressão que fica é que o sofrimento por algo não contado e muito difícil para a formação da personalidade seja algo único e particular . Quando na verdade não é . E muitas pessoas resolvem seus problemas "melhor não contar " de forma mais suave. E que todos os acontecimentos tristes da vida são particularmente dolorosos e mantidos efetivos por toda vida. Parece um sentimento particular de um povo .Mas o livro é bom 



Resenha :Melhor não contar abre com uma cena iniciática: aos dez anos, a protagonista relaxa numa piscina, na companhia da mãe e do padrasto. Sem ter chegado ainda à puberdade, se desfaz da parte de cima do biquíni e desfruta da inocência sob o sol e o vento. O sossego é interrompido quando o padrasto, um aclamado cineasta, apresenta o esboço do desenho de observação que fizera há pouco — ali está a menina, retratada naquele momento, com um detalhe que foi impossível passar desapercebido: “Seus mamilos, apontando um para cada extremidade do papel, chamam a atenção. Há mais tinta neles, foram desenhados com força. Estão eretos, reparo”. Esse acontecimento marcaria o fim da infância daquela menina, filha de uma intelectual e jornalista pioneira, uma mulher de espírito e vitalidade incomuns. E, a despeito disso — como repara a narradora, já adulta —, até mesmo essa mãe poderosa e aparentemente imbatível teve que se haver com os flutuantes desejos masculinos e as desigualdades gritantes entre os gêneros. Na vida e na arte.

Fazendo do título do livro um paradoxo brilhante, a narradora resolve então contar tudo (ou quase): da doença galopante que vai tirar a mãe do seu convívio ainda na juventude à reação de um companheiro a um aborto da protagonista já madura e morando no exterior. E faz ainda mais: reflete sobre a diferença entre mulheres e homens na hora de narrar uma história.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Leitura- O Vampiro de Curitiba - Dalton Trevisan

 





Resenha :
Ganhador do Prêmio Camões 2012, Dalton Trevisan reedita sua obra de maior destaque com nova capa e um conto inédito, A velha querida.


Assim como um vampiro é capaz de tudo em sua busca pela satisfação do sangue, os personagens dos contos que compõem este O vampiro de Curitiba buscam, sem culpa, pudor ou censura, o prazer a qualquer custo. Considerado uma obra-prima do autor, este livro traz Dalton Trevisan em sua forma mais clássica: objetivo, conciso, minimalista e afeito a referências literárias de toda sorte, levando sua mistura de ironia e pessimismo aos extremos mais chocantes e repulsivos da degradação humana.

Estas histórias representam situações-limite sociais, psicológicas ou existenciais que, por seu absurdo, contêm elementos de paródia, humor e fantasia, ao mesmo tempo em que exploram a crueldade e a sordidez reveladas nas incontroláveis fantasias que determinam os impulsos mais profundos do ser humano.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Leitura- O Grande Relógio - Silviano Santiago

 Trabalho bastante erudito mas que busca mostrar todo eurocentrismo da nossa iniciação cultural. Mas não é simples de se ler




RESENHA : O pensador e o crítico estão presentes e passam a perna no romancista. Em cadernetas, os dois elaboram e desenvolvem anotações sob a forma de folhetins que deixam à mostra o longo processo de criação do romance brasileiro. Silviano Santiago decide expor ousadias e riscos, manobras e estratégias que surpreendem a solidez de obras canônicas da literatura dita universal por viés nevrálgico. O grande relógio nietzschiano diz que a cultura brasileira, e nela a literatura, recomeça hoje.

A Editora Nós entrega ao leitor o primeiro dos três “cadernos em andamento” em que um dos nossos mais importantes autores contemporâneos repensa, e suplementa, a maturidade alcançada nos trópicos pela literatura brasileira. Parte de projeto contrastivo entre as obras de Machado de Assis e de Marcel Proust, O grande relógio: a que hora o mundo recomeça visa a solicitar (“abalar o todo”, etimologicamente) os fundamentos da literatura comparada eurocêntrica — a saber, as noções de influência, cópia e originalidade. Se viver é perigoso, avisa o ensaio em forma de alerta, desconstruir é ainda mais perigoso. Acolhamos Silviano Santiago em folhetim, em série e em processo.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Leitura- Voando para casa e outras estórias -Ralph Ellison

 




Resenha:Poéticos, vivazes e intensos: assim são estes catorzes contos de Voando para casa e outras histórias, de Ralph Ellison, autor vencedor do Pulitzer por Homem invisível.



Em uma mala de couro esquecida debaixo de uma mesa, Ralph Ellison, um dos maiores escritores estadunidenses do século XX, guardava uma série de manuscritos inéditos. Após a morte de Ellison, sua esposa, Fanny, presenteou John F. Callahan — editor e grande amigo do marido — com esses escritos. Assim, seis contos inéditos foram selecionados, junto a outros já publicados pela imprensa, para compor esta antologia Voando para casa e outras histórias.

Aqui estão reunidos os primeiros contos de Ellison, escritos entre 1937 e 1954, nos quais o autor já aborda seu tema preferido: a formação de uma identidade negra nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, revela uma realidade particular que transcende a vida ordinária.

Em catorze histórias curtas, leitoras e leitores encontrarão traços autobiográficos de um autor que soube transpassar sua vivência para a literatura. Herdeiro declarado do estilo cru e poético de Ernest Hemingway, Ellison nos emociona com a inocência infantil em “Garoto em um trem” e impressiona com a brutalidade dos linchamentos em “[Uma farra no parque]” — um retrato de um século XX que se faz atual ainda em tantos momentos.

Publicados pela primeira vez no Brasil, os contos de Voando para casa e outras histórias são considerados pela crítica o esboço de Homem invisível, a obra-prima de Ralph Ellison. A presente edição conta com tradução de André Capilé, poeta, tradutor, pesquisador de produções literárias afrodiaspóricas e professor de literatura brasileira na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.



“Vistos em conjunto, os contos de Ellison apontam para sua visão consistente sobre a identidade estadunidense construída durante os cinquenta e cinco anos de vida em que ele escreveu.” — John F. Callahan, escritor e crítico literário

“Maravilhoso, anterior aos riffs de Homem invisível — e mais uma excelente contribuição para a obra de Ellison.” — Kirkus Reviews

“As histórias de Ellison demonstram, individualmente, seu comprometimento em criar e, em conjunto, a bagagem adquirida que, mais adiante, o permitiram construir, tijolo por tijolo, um dos maiores monumentos da literatura estadunidense.” — Publishers Weekly

“Ellison é um romancista completo, que utiliza as palavras com grande habilidade, que escreve com intensidade poética e imenso vigor narrativo.” — The New York Times

domingo, 26 de janeiro de 2025

Leitura- Retorno a Reims - Didier Eribom

 


Livro excessivamente falado mas altamente psicanalítico . Me pareceu que o  Eribom quis  achar algumas justificativas para a vergonha de ser pobre  e   desta forma culpar  os  seus 30 anos sem ver a família :na burguesia , no capitalismo , na sua condição homossexual e na luta de classes .Para quem como eu veio de uma família muito pobre e sofreu na carne a mesma exclusão social trata-se de um excelente bode expiatório e um ótimo tema para um bom escritor . O que vale no livro eh sua auto biografia e não a analise psicanalítica e marxista .

O fato é que não precisaria de nenhuma destas justificativas pois seu meio social e sua família eram excessivamente humilhantes , inconvenientes e desqualificadores . Tinha mesmo que sair fora disto tudo .O resto é discurso psicanalítico e marxista. O analista dele  deve ter obrigado  a escrever o livro para exorcizar a culpa , independente das razões que teve que acho extremamente justas para abandonar tudo  .Aliás deve ser católico para se sentir tão culpado por NADA .



Resenha : Neste grande livro que entrelaça reflexão sociológica e memória autobiográfica, Didier Eribon relata seu retorno, depois da morte de seu pai, a Reims, sua cidade natal, e seu defrontamento com seu ambiente de origem, com o qual havia praticamente rompido trinta anos antes. Desse reencontro, vem o ímpeto de mergulhar no passado e retraçar a história de sua família, à medida que se dá conta de que a ruptura não se deveu exclusivamente a sua homossexualidade ou à homofobia que pairava no ambiente doméstico, mas também à vergonha que ele sentia de sua origem social. Ao evocar o mundo operário de sua infância, reconstituindo sua ascensão social e sua vida intelectual a partir dos anos 1950, o filósofo e sociólogo francês combina a cada parte desse relato íntimo e comovente elementos de uma reflexão sobre classes, sistema escolar, formação das identidades, sexualidade, política, democracia e a mudança do padrão de votos da classe operária ― que é ilustrada por sua própria família que troca sua lealdade pelo Partido Comunista por partidos de direita e até de extrema-direita. Ao reinscrever assim as trajetórias individuais nos determinismos coletivos, Didier Eribon se questiona sobre a multiplicidade de formas da dominação e portanto da resistência.

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Ouvidoria - 20000 léguas - Galileu - 11 episódios

 

Mais um excelente podcast de 20000 léguas. Recomendo a todos . A vida de Galileu merece ser contada e recontada



Resenha :

O Vinte Mil Léguas está de volta – e viaja para ainda mais longe no tempo. A partir de 8 de abril, tem início a terceira temporada do podcast de ciências e livros, dedicada a Galileu Galilei. Apresentado por Leda Cartum e Sofia Nestrovski. Trilha original de Fred Ferreira.

Depois de dois anos, o Vinte Mil Léguas está de volta – cada vez mais com a cabeça na lua. Começa aqui a temporada dedicada a Galileu Galilei, ao telescópio, aos astros, aos pêndulos, ao movimento.

domingo, 19 de janeiro de 2025

Leitura - 451 N# 89

 






Vida longa, vampiro • Um especial sobre o escritor Dalton Trevisan, morto em dezembro de 2024, por Hélio de Seixas Guimarães, Giovana Maladosso e Caetano W. Galindo.

Inácio Araujo • Beatriz Bracher • Leiko Gotoda • João Guilhoto • Seth Jacobowitz • Miranda July • Darian Leader • Antonio Scurati • Pedro Süssekind • Julia Wähmann

Mais: uma crítica do filme Ainda estou aqui, por Marcelo Miranda; uma reportagem sobre o mal da vista cansada, por Helena Aragão; entrevistas com a escritora espanhola Alana S. Portero, por Renata Carvalho; o livro de Raul Juste Lores sobre a revolução arquitetônica dos anos 50, por Nabil Bonduki.

Foto da capa: Dérson Trevisan.

Leitura- A mais recôndita memória dos homens- Mohamed Mbougar Sarr

 




Existe no início do livro um frase de Bolano que remete ao título do livro. A mim este livro excelente tem um quê Bolanista no jeito de contar a estória . Lendo achava que lia Bolano


Resenha : 

Neste romance magistral, vencedor do prêmio Goncourt e traduzido para mais de trinta idiomas, Mohamed Mbougar Sarr se inspira numa história verídica para construir um romance de formação e de aventura que celebra a literatura e revive o melhor da tradição deixada por Roberto Bolaño em Os detetives selvagens.

Em 2018, Diégane Latyr Faye, um jovem escritor senegalês, descobre em Paris um livro mítico publicado em 1938: O labirinto do inumano. Seu autor, o misterioso T.C. Elimane, desapareceu sem deixar vestígios depois que uma escandalosa acusação de plágio mobilizou a comunidade literária francesa dos anos 1940. Fascinado, Diégane inicia então seu percurso atrás do “Rimbaud negro”, enfrentando as grandes tragédias do colonialismo e do holocausto. De Dakar a Paris, passando por Amsterdam e pela Buenos Aires dos salões literários das irmãs Ocampo, que verdade o espera no centro deste labirinto?

Sem nunca perder o fio dessa busca que se apodera de sua vida, Diégane frequenta um grupo de jovens autores africanos radicados em Paris: entre noitadas de discussões, bebedeiras e sexo, eles se interrogam sobre a necessidade da criação a partir do exílio.

Com a sua perpétua inventividade, A mais recôndita memória dos homens é um romance inesquecível, marcado pela exigência de uma escolha entre a escrita e a vida, ou pelo desejo de ir além da questão do confronto entre a África e o Ocidente. Nas palavras do escritor angolano Kalaf Epalanga, autor do texto de orelha desta edição, Sarr “consegue a proeza de construir um romance que celebra a beleza da literatura e a importância da criação artística”.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Leitura- Viela ensanquentada . Wesley Barbosa

 

Livro de leitura rápida . São estórias da infância e juventude contada em pequenos fragmentos . Literariamente fraco . Falta um pouco de estilo na construção de imagens . Comparativamente a Geovanni Martins esta a milhas dele . Vale como dar força a pessoas que saíram de situação de vida crítica e conseguiram encontrar seu espaço social 




Resenha :
História comovente e infelizmente muito atual. A vida nas comunidades das grandes cidades brasileiras vem se modificando, graças ao esforço e ao empenho da maioria dos moradores. Porém o tráfico de drogas, a milícia (grupos de ex-policiais que agem contra os traficantes, mas são forças criminosas) e a violência desmedida ainda sobressaem nas favelas brasileiras. 
Viela Ensanguentada é mais uma obra, escrita por uma pessoa de dentro da favela, que denuncia o abuso e a violência porque passam os moradores destas comunidades.

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Leitura- As aventuras de Nhô Quim- Angelo Agostini e Candido Aragonez

 Talvez a 1o Gibi nacional. Vale a pena conhecer esta obra que mostra o funcionamento social da época em que foi lançado . 






Resenha: O encontro do interiorano com a Corte era fonte infindável de pilhérias no Brasil do século XIX. No teatro de Martins Pena, por exemplo. Em O juiz de paz da roça, José quer seduzir Aninha, carregá-la consigo para a cidade, logo fala muito do “que é que há lá tão bonito”: três teatros, homem que vira macaco, mágica com muito maquinismo, cosmorama na rua do Ouvidor, cabrito com duas cabeças, porco com cinco pernas.

O caiporismo também marcava presença naquele tempo. Como na literatura de Machado de Assis, nada menos. Num conto, “Último capítulo”, o protagonista e narrador da estória define o caipora — ele próprio — como o sujeito que, ao cair de costas, consegue quebrar o próprio nariz! Para saber como, vá ler o conto, que está em Histórias sem data, pois vale muito a pena.

Nhô Quim é ao mesmo tempo roceiro e azarado. Jovem de vinte anos, filho “de gente rica porém honrada”, vai parar na Corte porque o pai não aprova o seu namoro com donzela virtuosa mas sem vintém. Está criado o entrecho para as situações embaraçosas e chistes sem fim de As aventuras de Nhô Quim, ou impressões de uma viagem à Corte. Veem-se as imagens com aquela sensação de dó da vergonha alheia, pobre Nhô Quim, que perde o trem, sai à rua de saia, não acha mais o moleque que lhe devia servir, vira capanga eleitoral.

A graça das imagens, a aparente falta de pretensão de tudo, é uma janela ímpar para a observação da cultura e da sociedade do Brasil imperial. A “gente rica” não parece honrada, apega-se à escravidão, corrompe eleições, há espertalhões por toda parte. O posfácio de Marcelo Balaban e Aline dell’Orto oferece um panorama primoroso da arte das publicações ilustradas no Brasil oitocentista. O caiporismo de Nhô Quim é a sorte grande de seus leitores.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Leitura - 451 N# 88

 

Mais um versão desta revista que me acompanha desde a Flip 2019. Grandes resenhas e reportagens e muita indicação de livros excelentes

Leitura- Vozes de Batalha - Marina Colasanti

Me pareceu excessivamente pueril. Escrito como se fosse uma sobrinha adolescente de família extremanente rica e sofisticada escrevendo um li...