sábado, 10 de janeiro de 2026

Leitura -Contos dos sábios crioulos - Patrick Chamoiseau


Tenho lido contos de vários países do mundo do oriente e ocidente. São contos antigos quase mitológicos dos países. O que observo é a grande similaridade em vários deles. Muitos com certeza transmitidos oralmente por viajantes em milhares de anos e que foram sendo adaptados a cultura local. Mas grande parte é da mitologia do próprio povo e de suas tradições orais. Altamente criativos 




RESENHA:  Autor de uma vasta obra que transita entre o romance e o ensaio, vencedor do Prêmio Goncourt em 1992, Patrick Chamoiseau é hoje uma das vozes mais expressivas e politicamente engajadas da literatura francesa. Herdeiro da tradição antilhana de Aimé Césaire e Édouard Glissant, o escritor martinicano, natural de Fort-de-France, se interessa por formas culturais e estéticas de sua ilha natal, em especial a oralidade poética das narrativas crioulas transmitidas por contadores populares. Um dos principais teóricos do movimento da “crioulidade”, sua escrita reflete a complexa realidade linguística e cultural caribenha, se conectando ainda às dinâmicas globais da afrodiáspora e da decolonialidade.


Contos dos sábios crioulos, seu primeiro livro de narrativas curtas publicado no Brasil, remonta ao período escravagista das Antilhas. Associando elementos das culturas africana e europeia, e apresentando personagens humanos ou sobrenaturais, estas dez histórias dão voz a um povo que busca driblar a fome, o medo e a vigilância colonial, ao mesmo tempo em que, por desvios e astúcias, transmitem sua mensagem também aos senhores.

Nessas narrativas de resistência, por vezes recriações da cultura oral popular, o “grito alçado das plantações” — retomando as palavras de Edimilson de Almeida Pereira no posfácio deste volume — ecoa aqui renovado, com a força de um poeta e pensador cuja matéria-prima, a linguagem, é forjada com precisão e criatividade sem iguais.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Leitura -451 No 101

 

Íntima e impessoal • A Quatro Cinco Um de janeiro traz um especial sobre a escritora inglesa Zadie Smith. Em entrevista a Iara Biderman, a autora fala sobre A fraude, que chegou ao Brasil em setembro do ano passado pela Companhia das Letras. Além da conversa sobre seu primeiro romance histórico, a revista dos livros traz um ensaio de Smith sobre sua relação com a escrita. A tradução é de Camila von Holdefer, que também verteu para o português o romance da autora. Fotografia da capa: Kemka Ajoku.

E.M. Forster • Hugo Gonçalves • László Krasznahorkai • Seichō Matsumoto • Leonardo Padura • Maria Valéria Rezende • Ruth Rocha • Richard Sennett • Domenico Starnone • Marcelo Viana

Mais na edição: um ensaio de Milton Hatoum sobre Lavoura Arcaica e os noventa anos de Raduan Nassar; os brasileirismos na tradução dos versos de Lord Byron, por Leonardo Fróes (1941-2025); a ofensiva conservadora dos Estados Unidos, por Ana Paula Manrique Amaral; o trabalho simples e difícil de ouvir os descartados do país, por Pedro Fernando Nery; e os impactos da lógica influencer no mundo dos livros, por Paulo Roberto Pires.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

Leitura -451 No 99

 

Histórias crioulas • A Quatro Cinco Um de novembro traz um especial sobre autores do Atlântico negro francófono. Entre eles, o francês da Martinica Patrick Chamoiseau, entrevistado por Guilherme Magalhães e resenhado por Elena Brugioni. Mais no especial:

Nathacha Appanah • Aimé Césaire • Jean D’Amérique • Ananda Devi • Françoise Ega • Gaël Faye • Yanick Lahens • Achille Mbembe • Léonora Miano • Lucy Mushita • Sylvia Serbin

E ainda: uma entrevista com Conceição Evaristo, por Jefferson Barbosa e Marcelle Felix; o romance final da trilogia de Milton Hatoum, por Rita Palmeira; o livro da velhice de J.M. Coetzee, por Kelvin Falcão Klein; os 50 anos da morte de Vladimir Herzog, por Camilo Vannuchi; e lançamentos de Milly Lacombe, Ernesto Mané, Sérgio Rodrigues, Bianca Santana e Banana Yoshimoto.

Foto da capa: Sophie Bassouls

Leitura -451no 100

 

Os melhores livros de 2025 • O clássico especial com as melhores leituras do ano, escolhidas por 175 colaboradores. Entre elas, Caetano W. Galindo, Marília Garcia, Marilene Felinto, Cristina Peri Rossi e o livro de poesia para jovens organizado por Bruna Beber e Fabrício Corsaletti. Mais:

Michel Alcoforado • Sophie Calle • Antonio Cicero • Samantha Harvey • Marlen Haushofer • Vera Iaconelli • Noemi Jaffe • Bruna Dantas Lobato • Adélia Prado • Samanta Schweblin • José Miguel Wisnik

E ainda: uma entrevista com Eliana Alves Cruz, por Adriana Ferreira Silva; a condenação de Bolsonaro, por Claudio Gonçalves Couto; a chacina no Complexo da Penha, por Juliana Borges; o doisladismo da imprensa, por Paulo Roberto Pires; a primeira vez de Fernando Pessoa como outra pessoa, por Carlos Adriano; e lançamentos de Itamar Vieira Junior, Maria Vilani, Edogawa Ranpo, Dawisson Belém Lopes e Marcelo Henrique Silva.

Arte da capa: Igor Bastidas.

terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Leitura -A Obra em Negro -Marguerite Yourcenar

 

Livro dificil de ler inicialmente . Depois vai se desenvolvendo de forma mais tranquila . Não é um obra muito fácil 

RESENHA:
A obra em negro é um dos textos mais elaborados e instigantes de Marguerite Yourcenar. O livro ilustra a vida de Zênon, que, renegando sua formação religiosa, abre mão de um futuro estável como membro da Igreja para se dedicar à descoberta das profundezas do ser humano em todas as esferas, tornando-se médico, alquimista e filósofo. A obra conta com a tradução excepcional do poeta Ivan Junqueira.

Leitura- Meridiana - Eliane Alves Cruz

 



Excelente livro. Eliane sai da mesmice de livro sobre excluidos mostrando que eh possível literatura de alto nível sobre uma familia negra como se fosse branca ,azul ou abobora . Todos que as mesmas questões humanas sem viés politico ou social mas mostrando este viés de forma extremamente criativa

'RESENHA : 'Sair da favela e ingressar na vida de classe média era o grande sonho de Aurora e Ernesto. Esse propósito era alimentado pelo amor e pelo desejo de criar filhos “prósperos, exemplares e respeitados pela melhor sociedade”. Deu certo.Com sua prosa leve e, ao mesmo tempo, precisa, Eliana Alves Cruz constrói uma narrativa engenhosa sobre o processo de ascensão social de uma família negra. Cada personagem — a mãe, o pai, os filhos e a filha — conta a própria história em primeira pessoa. São testemunhos de uma travessia que nunca é igual para ninguém. Ao explorar a pluralidade de vozes, a autora alcança a complexidade que dá ao processo sua fisionomia particular.Em tempos de desigualdades agudas e divisões de toda sorte, é fundamental olhar a realidade sob diferentes ângulos, explorar nuances e identificar caminhos que nos permitam criar um terreno comum de diálogo. Meridiana faz jus ao nome, conecta polos no espaço e no tempo e nos ensina como passar adiante as conquistas que acumulamos, garantindo que as gerações futuras não se percam e sigam ancoradas no chão da vida.Três gerações de um Brasil negro e desigual que, apesar da dor e do trauma, mostra que tem, sim, caminho. Um baita romance, escrito em seis vozes. Um caleidoscópio imperdível!  — Bianca SantanaIdentificação e compreensão imediata. Foi assim que Meridiana me chegou. Os dilemas da ascensão social são retratados em detalhes tão particulares e íntimos que pareceram uma memória viva de minha casa. Questões comumente enfrentadas por uma pessoa preta ao adentrar novos círculos sociais surgem de um modo tão fiel que até arrepia. É o tipo de livro que dá vontade de economizar páginas, pra ficar lendo mais tempo. — Lázaro Ramos''

terça-feira, 16 de dezembro de 2025

Leitura- Um Rio que vem da Grecia - Carlos Moreno



Li este livro por conta do podcast Mitos Gregos . Com base na mitologia grega vários aspectos da vida são abordados de forma a ler casos e eventos  sob a otica mitologica . Bem legal 


RESENHA : Se eu devesse classificar este livro de Cláudio Moreno, diria enfaticamente: É um livro delicioso! Seduz na primeira página, abre janelas novas sobre realidades que a gente vinha banalizando e, por isso mesmo, transforma a nossa visão. É uma leitura que melhora nossa perspectiva, nos deixa mais alegres, mais alimentados intelectualmente e emocionalmente confortados. Nesta hora de violência e medo, imprevisto e susto, insegurança e perplexidade, o rio que nos chega da longínqua Grécia não é alienante mas integrador. Ele nos coloca num mundo que não passou nem vai acabar, porque tem algo de universal e mais que isso: atemporal. É o mundo dos significados que se erguem acima do raso e do reles, vão além do frívolo e do banalizado, sem por isso ficarem fora do nosso alcance de simples mortais. Com sua prática de professor, sua sabedoria de erudito e sua simplicidade de ser humano que está acima das vaidades acadêmicas ou competições literárias, Moreno nos leva a passear por uma alameda de significados que já eram nossos, nos pertenciam, faziam parte de nossa vida como as pedras da calçada ou as árvores da praça – mas a gente nem sabia. Nossa cultura, ou a maior parte dela – cultura significando não apenas o que está em livro, universidade ou banco de escola, mas no ar que respiramos, na língua que falamos, no modo como vivemos –, vem da velha Grécia, como o rio mencionado no título desta obra. Concretamente estamos embarcados nele, navegamos nessas águas. Moreno nos aponta, aqui e ali, pedras, peixes, plantas, indica o rumo dos ventos e o aroma da brisa. São histórias que dão sentido a termos, personagens, que encontramos em comentários diversos, em literatura, em filme, tevê, até em conversa de amigos, mas ficamos no ar sem saber ao certo o que representam. De repente, nas páginas deste livro, estão ao nosso alcance: divertidos ou trágicos, sempre tão humanos quanto nós, de carne e osso. Lugares que pareciam mágicos são reais. Acontecimentos que imaginávamos fantasiosos ocorreram, com vozes, cheiros, ruídos, sangue e pranto. Gente que andou, viveu, amou, morreu – como nós. E nos deixou seu legado de riqueza psíquica e emocional nestas breves histórias, crônicas ou seja lá o nome que a gente queira lhes dar: comoventes, ilustrativas, brilhantes, ternas, abrindo portas e janelas; de um lado, atiçando nossa inquietação; de outro, satisfazendo nossa curiosidade. Cada página é um presente desse mestre, desse amigo, desse modestíssimo e simpático sábio que é Cláudio Moreno, a quem louvo mais uma vez. Lya Luft

quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

Leitura-Gótico Nordestino - Cristhiano Aguiar

 


Achei confuso. Não estava num bom mood para leitura deste tipo de literatura . Da para o gasto . Mas parece nao chegar a algum lugar

RESENHA: Em nove contos, Cristhiano Aguiar mergulha nos elementos góticos e folclóricos — buscando referências nas séries televisivas, no cinema e nos quadrinhos — para criar narrativas vibrantes e inesperadas, que fogem da prosa literária tradicional. As histórias vão desde os tempos do cangaço, passando pela ditadura militar e chegando até os ecos sombrios de um futuro próximo.Um menino é obrigado a cruzar o descampado perto do vilarejo de Riachão da Frente para levar uma carta que a mãe escreveu a Zé Barbatão, o cangaceiro local. Na madrugada, as sombras no caminho e a ameaça do bando crescem conforme a narrativa avança, e a realidade parece a ponto de se romper. “Anda-luz”, história que abre este volume, prenuncia o que virá nos oito contos seguintes.Em Gótico nordestino, Christiano Aguiar caminha entre o sonho e a vigília, dialoga com outros gêneros e compõe um livro totalmente distinto do usual.''Gótico nordestino se insere em lugar de destaque na nova leva de narrativas de horror, reinventando os medos atemporais a tudo que escapa da racionalidade. Cristhiano Aguiar irmana-se a nomes como Mariana Enríquez e Samantha Schweblin ao buscar uma síntese entre a cultura pop anglófona e as peculiaridades sociopolíticas de seu espaço na América Latina, produzindo uma obra de frescor e potência que mostra que o terror é a verdadeira chave para compreender a época em que vivemos.'' — Antonio Xerxenesky

segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Leitura- Dois mortos e a Morte - Tanto Tupiassu

 


Gostei do livro.Contos inusitados e criativos 


Resenha: Curiosa, surpreendente, devastadora, inexplicável — são todas palavras que poderíamos usar para descrever tanto a morte quanto esta coleção de histórias a seu respeito. Algumas tratam do extraordinário, como anjos enganosos, figuras funestas ou maldições; em outras, o mero cotidiano é a fonte de horror: a perda de um filho, a pobreza extrema, um acidente no mar, uma ida particularmente incômoda ao dentista. De um jeito ou de outro, a morte ronda os personagens, às vezes catástrofe, às vezes descanso, às vezes passando longe de ser o fim.

Nestas páginas, pequenas vilas do interior do Pará se tornam cenário de tragédias insólitas, o purgatório toma formas improváveis enquanto os mortos se agarram a uma vida já acabada, os vivos choram sem fim a perda súbita de entes queridos e vampiros pragmáticos caçam suicidas pela cidade.

Famoso por seus causos de assombrações e visagens, o jornalista, influenciador e podcaster Tanto Tupiassu traz nesta coletânea histórias que tratam do fim em suas diferentes facetas; seja como tragédia familiar, como última consequência de vidas sofridas ou como punição exercida por seres sobrenaturais. Invocando seu tom de contador de histórias, Tanto parece narrar casos que aconteceram com um amigo, um primo, um colega de trabalho... e, por sorte, não com a gente. Pelo menos dessa vez.

"A habilidosa narrativa de Tupiassu desdobra a experiência da morte em contos que transitam entre o terrível e o insólito, entre o que diverte e que é capaz de arrepiar até os mais céticos." - Aline Valek, autora de As águas-vivas não sabem de si e Cidades afundam em dias normais

"O intrigante universo deste livro se situa no limiar entre a vida e a morte, numa região de névoa onde tudo pode acontecer — e acontece." - Rosa Amanda Strausz, autora de A cabeça cortada de Dona Justa

"Só lida bem com a morte quem sabe viver a vida, e Tanto Tupiassu entende das duas coisas. Este livro flerta com o melhor de cada lado, o daqui e o de lá. Vale cada página! Me senti do outro lado várias vezes..." - Ilana Casoy, roteirista e coautora de Bom dia, Verônica

"Histórias que vão perturbar quem as ler — e também os espíritos que leem por cima do ombro." - Luisa Geisler, coautora de Corpos secos

"Tanto Tupiassu usa a ficção para embolar os limites da realidade e desafiar a morte." - Gregorio Duvivier, humorista, roteirista e escritor

domingo, 23 de novembro de 2025

Leitura - O Bom do Alzheimer- Claudia Alves

 





Criadora do canal O bom do Alzheimer, com mais de 1 milhão de inscritos em suas redes sociais, Claudia Alves conta como a doença transformou a relação com sua mãe, Francisca, e trouxe à tona uma nova forma de amar.




Livros de boas dicas e recomendações para quem eh cuidador . 



Resenha : 

Este livro é um guia para quem busca transformar a convivência com seus entes queridos, trazendo não só orientações úteis, mas também inspiradoras reflexões sobre como criar momentos de alegria e grande beleza.

É também um convite para enxergar o Alzheimer de uma nova maneira e descobrir que, mesmo nas dificuldades, há espaço para amor, aprendizado e superação.

Durante anos, Claudia Alves e sua mãe, Francisca, viveram sob o mesmo teto, dividindo a rotina, mas sem demonstrações frequentes de afeto. Nem mesmo os momentos difíceis da infância e adolescência de Claudia foram capazes de estreitar os laços entre as duas.

Tudo mudou em 2010, quando Francisca foi diagnosticada com Alzheimer, aos 76 anos. Mas, em vez de enxergar a doença apenas como uma perda, Claudia viu nela uma oportunidade única de ressignificar sua relação com a mãe.

Conforme as memórias de dor se apagavam, um novo vínculo foi construído, feito de carinho, paciência e dedicação. Aos poucos, mãe e filha aprenderam a se comunicar por meio do amor, tornando a convivência mais leve e repleta de momentos felizes.

A experiência transformadora levou Claudia a criar um método de cuidado amoroso que já ajudou milhares de famílias a enfrentarem o Alzheimer com mais humanidade e empatia. Hoje, sua história inspira aqueles que buscam fortalecer os laços familiares, mesmo diante dos maiores desafios.

sábado, 22 de novembro de 2025

Leitura- O Punho e a Renda -Edgard Telles Ribeiro

 Livro que mostra aspectos desconhecidos do submundo da ditadura . Bem escrito . O autor é da ABL 



Resenha :
'O punho e a renda' mergulha nos bastidores das embaixadas e revela suas tensões e disputas. A ação mescla espionagem, política e truculência militar a desbunde e provocações. O autor traça um retrato de Max, jovem que ingressa no serviço diplomático brasileiro e, por suas habilidades especiais, é cobiçado por olheiros de mais de um serviço secreto. A trama passa por Inglaterra, Uruguai, Chile, Estados Unidos e, é claro, Brasil.

quinta-feira, 13 de novembro de 2025

Leitura- Não há pássaros aqui - Victor Vidal



Excelente romance . Conseque transmitir toda sensação de opressão psicologica em que vivem seus personagens . Parece uma luz de literatura num ambiente tão autobiofrafico e factual da literatura brasileira . 


RESENHA : 

Vencedor do Prêmio LeYa, este romance de estreia olha para as relações familiares com linguagem visceral.Ao receber um telefonema dizendo que sua mãe havia desaparecido após protagonizar uma série de escândalos na vizinhança (como tentar arrastar uma criança para dentro de sua própria casa), Ana precisará retornar ao endereço onde jurou jamais colocar os pés novamente. O que encontra ao entrar na casa da mãe a surpreende: pegadas de lama pelo chão, lixo por toda parte, móveis destruídos. O que teria acontecido com Andrea durante os cinco anos em que as duas cortaram contato uma com a outra? Estreia gloriosa de Victor Vidal, Não há pássaros aqui é uma meditação — frequentemente dolorosa, mas sempre esclarecedora — sobre como aquilo que vivemos na infância pode ter as mais inesperadas consequências durante a vida adulta.

quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Leitura- Sagas - Strindberg

 


Muito lirismo e encanto nestes contos 


RESENHA : SAGAS, de August Strindberg, traz ao público brasileiro um conjunto de contos composto por breves peças morais e narrativas oníricas, passando por temas históricos, humorísticos e heróicos. Sagas foi escrito em 1903 para a filha de Strindberg, Anne-Marie, à época com um ano de idade, mas sem que o autor tenha deixado de lado a preocupação com o aspecto literário, o que torna a obra leitura fascinante para todas as idades.

Como destaca Ivo Barroso na introdução, trata-se da "oportunidade de captar uma das facetas do grande criador de obras-primas: a de contador de histórias infantis. Sagas não contém apenas os feitos épicos dos grandes heróis, nem as longas narrativas do folclore escandinavo. Há na obra lugar para o herói mínimo, o herói obscuro, o herói negativo e até para o anti-herói. São contos strindberguianos, de estilo personalíssimo, que antecipam a literatura fantástica dos nossos dias.

E, é claro, são ainda deliciosas histórias da carochinha, contos infantis, relatos para crianças, escritos quase na linguagem delas."

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Leitura - Kintsugi- Maria José Navia

 





Bom livro e forma de contar a estória criativa . Como cacos que se juntam .

Resenha : Como se conta a história de uma família? Quais peças compõem as memórias? O que sabemos sobre alguém, além do que essa pessoa escolhe nos mostrar?
Uma família se parte em pedaços e seus integrantes buscam maneiras, às vezes sutis, às vezes extremas, de colar os cacos. Uma mãe que prefere o silêncio, uma tia que cuida dos sobrinhos enquanto a vida desmorona ao seu redor, uma filha que busca a felicidade em qualquer lugar que não ali. Personagens que se refugiam em empregos ou no trabalho de cuidado, e que recorrem à tecnologia como forma de organizar suas emoções, de realizar pequenos atos de vigilância ou simplesmente de sobreviver neste mundo precário.
No estilo da arte japonesa que dá título ao livro, María José Navia reconstrói as vidas destruídas dos protagonistas, destacando lindamente suas cicatrizes, tanto daqueles que partiram quanto dos que ficaram para trás. Uma história que explora a interioridade dos personagens e seu desenvolvimento ao longo do tempo, nas aparências, nos silêncios e principalmente nas possibilidades de transformação trazidas pela dor e pelos fantasmas da ausência.

sábado, 8 de novembro de 2025

Leitura- O perigo de estar lúcida - Rosa Montero




Grata surpresa. Rosa tem um que de Sebald . Mistura fatos com ficção e torna a leitura fluida e deixa o leitor sempre na duvida e curioso . Neste livro a maior parte eh real mas o tema além do suicidio e o eterno incomodo de nossas vidas : somos o que ? o que eh loucura ? 

Resenha : Com base na sua experiência pessoal e na leitura de inúmeros livros sobre psicologia, neurociência, literatura e memórias de grandes escritores, pensadores e artistas, Rosa Montero oferece aqui um estudo fascinante sobre as ligações entre criatividade e instabilidade mental. E o faz compartilhando curiosidades surpreendentes sobre como nosso cérebro funciona na hora de criar, decompondo todos os aspectos que influenciam a criação e reunindo-os diante dos olhos do leitor enquanto escreve — como uma investigadora pronta para combinar peças avulsas para solucionar um caso misterioso.

Ensaio e ficção andam de mãos dadas nessa exploração das conexões entre o criar e a loucura. E assim o leitor descobrirá a teoria da ''tempestade perfeita'' — aquela que prega que na explosão criativa são postos em cena fatores químicos e situacionais irrepetíveis — e presenciará o processo de surgimento de ideias de Rosa Montero, desfrutando das vivências da autora, que habitou diretamente, e durante anos, um território nas vizinhanças da loucura.
O perigo de estar lúcida fala das ''fadas'' que nos presenteiam e nos fazem pagar um preço — muitas vezes alto demais — por isso. Nós, ditas pessoas ''normais'', não temos esse custo, mas com frequência corremos o risco de sucumbir ao tédio em vez de morrer de amor. ''Como em tudo, a chave está no equilíbrio entre a porcentagem de desapego e de sentimento, em alcançar uma certa harmonia entre o eu que sofre e o eu que controla'', afirma a autora deste livro irresistível e cheio de indagações.

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Leitura- Cadelas de aluguel - Dahla de La Cerda



Resenha : As protagonistas das treze histórias de Cadelas de aluguel são mulheres atravessadas pela violência ― mas a forma passiva não é a mais justa para descrevê-las. Em uma estreia tão destemida quanto original, a mexicana Dahlia de la Cerda mune cada uma de suas heroínas de um desejo irrefreável por vingança. Yuliana é influencer e herdeira do narcotráfico. Regina é uma jovem disposta a tudo para ascender socialmente. Karla, La China , é mãe e assassina de aluguel. A essas somam-se outras: prostitutas, beatas, bruxas, trabalhadoras, universitárias, todas dispostas a dar o troco na mesma moeda, guiadas por uma ética particular.

Com histórias que se interpenetram ou se tocam ― muitas das personagens aparecem em mais de um dos relatos ―, Cadelas de aluguel é narrado inteiramente em primeira pessoa. Não se trata de uma escolha apenas literária nem inocente: a autora sabe que a arma fundamental, carregada com ironia e marcada pela oralidade, é a voz de cada uma de suas narradoras.

Leitura - Toda Grécia antiga num papo de elevador - Theodoros Papakostas

 




Resenha : Um diálogo divertido e surpreendente sobre a história, a mitologia e a arqueologia gregas
Como uma dança ousada deu origem à democracia?
Quem foi o sapateiro que transcreveu os diálogos de Sócrates?
Por que Heráclito disse que Homero, autor da Ilíada e da Odisseia, merecia uma surra?
“Neste livro, o arqueólogo Theodōros Papakōstas faz algo inédito e ousado: aproxima a arqueologia do nosso dia a dia.” – Dimítris Plántzos, professor de Arqueologia
Dois homens estão presos num elevador. Quando começam a conversar, um deles revela que é arqueólogo, e esse é o ponto de partida para uma viagem fascinante pela Grécia Antiga.Neste livro, o arqueólogo Theodōros Papakōstas leva o leitor a uma jornada por grandes e pequenos momentos da história e da mitologia gregas, mostrando como os povos viviam e explicando como o homem passou de nômade a fundador de civilizações inteiras.
Ao longo do trajeto ele responde a várias perguntas intrigantes, derrubando mitos e revelando detalhes sobre objetos do dia a dia e monumentos gregos, assim como curiosidades sobre a vida de pessoas comuns.Tal como na sociedade moderna, elas amavam, traíam, pediam proteção aos deuses e tomavam porres homéricos.
Um passeio por milênios de história, este livro é uma divertida homenagem aos tesouros que herdamos do mundo antigo e às pessoas que os descobriram nas escavações.

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Leitura - 451 no 98

 



Sua palavra será abrigo • A Quatro Cinco Um de outubro traz um especial sobre a Palestina, com textos sobre os poemas de Mahmud Darwich, por Safa Jubran; a vida dupla de uma tradutora palestina, por Alaa Alqaisi; e a anatomia de um genocídio, por Paulo Roberto Pires; além de uma entrevista do historiador israelense Ilan Pappe, por Iara Biderman. Pelo oitavo ano consecutivo, a edição de outubro traz ainda o clássico especial infantojuvenil. Arte da capa: Malak Mattar.

Edimilson de Almeida Pereira • Bruna Beber • Fabrício Corsaletti • Afonso Cruz • Marília Garcia • Jean Genet • Jon Fosse • Eva Furnari • Suzy Lee • Elaine Vilar Madruga • Luiz Antonio Simas • Walther Moreira Santos

Mais: o documentário Apocalipse nos trópicos, de Petra Costa, por Débora Donida; o jogo de poder no mercado imobiliário, por Arthur Sadami, Bianca Tavolari e Paulo H. de Oliveira; e uma homenagem a Luis Fernando Verissimo com lembranças de autores sobre o humor elegante do cronista, por Luís Henrique Pellanda.

domingo, 19 de outubro de 2025

Leitura- Coisa de Rico- Michel Alcoforado

 

Muito bom este livro. A sensação de quem lê é que se trata de ficção e nao de realidade . Uma 2a impresão é que se assemelha a um mergulho numa cultura perdida no meio da selva sendo estudada e vista por um antropólogo .Uma 3a eh o isolamento social e o medo desta tribo.  Vale muito a leitura 


Resenha : Há um traço comum a boa parte dos endinheirados brasileiros: eles não se consideram ricos. Por mais variado que sejam os costumes, a origem e a quantidade de dinheiro, o fato é que não existe um critério absoluto para a riqueza no Brasil. Aqui, ela é relacional. Sempre haverá alguém com mais dinheiro, mais pompa, mais patrimônio, mais próximo do topo da pirâmide. Logo, os ricos são sempre os outros. Com base nessa constatação, o antropólogo Michel Alcoforado faz um mergulho no mundo das elites brasileiras e traz para este livro, com descrição analítica e recheado de humor, a experiência acumulada de anos atuando como “antropólogo do luxo”.

Leitura - 451 No 97

 

Vozes da floresta • A Quatro Cinco Um de setembro reúne resenhas das biografias de cacique Raoni, por Aparecida Vilaça, e Nahũ Kuikuro, por Antonio Guerreiro; um texto sobre as relações entre humanos e animais no povo wari’, por Ana Cristina Braga Martes; além de um ensaio sobre o livro póstumo de Dom Phillips, por Otavio Haddad Cury. Arte da capa: Valentina Fraiz.

Alex Francisco • Ben Lerner • Chico Mattoso • Rosa Montero • Cecília Olliveira • Ricardo da Paz • Fernando Pessoa • Neige Sinno • Yoshiharu Tsuge • Victor Vidal • Issa Watanabe

Mais: entrevistas com o escritor francês Didier Eribon, a quadrinista sueca Liv Strömquist e o humorista português Ricardo Araújo Pereira; Paulo Roberto Pires examina a crítica literária em tempos de TikTok; as mulheres de carne, osso e vísceras de Dahlia de la Cerda e María Fernanda Ampuero.

Leitura -Contos dos sábios crioulos - Patrick Chamoiseau

Tenho lido contos de vários países do mundo do oriente e ocidente. São contos antigos quase mitológicos dos países. O que observo é a grande...