RESENHA: O alemão que inspirou Darwin e Simón Bolívar e causou inveja em Bonaparte
A invenção da natureza revela a extraordinária vida do explorador, geógrafo e naturalista alemão Alexander von Humboldt (1769-1859), o cientista mais conhecido de seu tempo. Com suas descobertas, fruto de expedições pelo mundo afora (escalando os vulcões mais altos do mundo, cruzando a Sibéria em plena epidemia de praga, navegando pela então ameaçadora Amazônia), gerou inveja em Napoleão Bonaparte, inspirou Simón Bolívar em sua revolução e Darwin a zarpar com seu navio Beagle. Sua história é contada neste livro de forma saborosa e profunda, partindo de uma ampla pesquisa sobre o homem que concebeu a maneira como vemos a natureza hoje.
Best-seller nos Estados Unidos e na Inglaterra e com os direitos vendidos a mais de 20 países, A invenção da natureza foi aclamado pela crítica e ganhou prêmios como o Costa Biography Award e o Los Angeles Times Book Prize de 2016."
Papos & Afins
Blog Pessoal
quarta-feira, 18 de março de 2026
Leitura- A invenção da Natureza- Andrea Wulf
Leitura - Erva Brava- Paulliny Tort
RESENHA: As doze histórias que compõem Erva brava orbitam ao redor de Buriti Pequeno,
cidade fictícia incrustada no coração de Goiás. Paisagem rara em nosso
repertório literário, o Centro-Oeste brasileiro é palco de embates silenciosos,
porém aguerridos, retratados neste livro com sutileza e maestria. Regido pelo
compasso da literatura — que se ocupa de levantar perguntas, mais do que
oferecer respostas —, a escritora brasiliense Paulina Tort evidencia o nervo
exposto de um país que desafia todas as interpretações.
Estão ali as relações patriarcais como a de Chico e Rita, em “O cabelo das
almas”; a monocultura da soja que devasta o cerrado; o clientelismo rural
que separa mãe e filha em “Matadouro” e a religiosidade sincrética de Dita,
protagonista do conto “O mal no fundo do mar”. O rico encontro entre as
culturas indígena e afro-brasileira também está em todas as histórias, as festas
populares, como o cortejo de Reis que Neverson acompanhada de sua moto em
“Titan 125”. E, num conto final que coroa o livro como poucas coletâneas
conseguem fazer, está também a revolta implacável da natureza diante da
ação predatória do homem em “Rios voadores”.
A precisão e a cadência do texto nos convidam a ler em voz alta a prosa
cristalina e imagética de Pa
ulliny Tort. Por trás de uma escrita despretensiosa
como os personagens de seus contos, ela revela a ironia necessária para dar
conta, sem caricaturas ou preconceitos, de um país cruel e encantador.
terça-feira, 17 de março de 2026
Leitura - K - B Kucinski
Este livro faz parte da Literatura da Ditadura. Uma literatura tão necessária em nosso país que é mister do esquecimento. Relatos estarrecedores, porém todos os fatos são reais no meio da ficção.
RESENHA: K. foi lançado originalmente em 2011, pela editora Expressão Popular. Em 2013, ganhou nova edição, pela CosacNaify, e finalmente, em 2016, chegou à Companhia das Letras. Ao longo desses anos, só fez reforçar sua condição de clássico contemporâneo. Em 1974, a irmã do autor, professora de Química na Universidade de São Paulo, foi presa pelos militares ao lado do marido. Desapareceu sem deixar rastros – foram anos até que a família pudesse aceitar que tinha sido executada. K. é a história do pai do autor em busca do paradeiro da filha. Dono de uma loja no Bom Retiro, judeu imigrante que na juventude fora preso por suas atividades políticas, ele se depara com a muralha de silêncio em torno do desaparecimento dos presos políticos. O livro é a história dessa busca.
quarta-feira, 11 de março de 2026
Leitura- 451No 103
Resenha :
Esta é Patti Smith • A edição de março da Quatro Cinco Um traz na capa Patti Smith, que lança neste mês Pão dos anjos. Em entrevista a Iara Biderman, a multiartista estadunidense fala de literatura e política, das pessoas de sua vida e de como se tornou quem é. O especial traz ainda uma resenha desse novo livro de memórias, por Aparecida Vilaça. Foto da capa: Marin Driguez.
Gisèle Pelicot • Mano Brown • Zila Mamede • Manuel Bandeira • Can Xue • Jon Fosse •
Minae Mizumura • Sérgio Sister • Catarina Gomes • Laurent Binet
E mais: a crítica literária Beatriz Resende em entrevista a Adriana Ferreira Silva; textos sobre a pesquisa-retrato de Regina Dalcastagnè acerca da literatura brasileira contemporânea, por Élvio Cotrim; e os relatos de crianças e adolescentes palestinos, por Cristiane Tavares. No mês do Oscar, a revista traz ainda críticas dos filmes Pecadores, que reencena o trauma fundacional dos EUA, por Juliana Borges; e Hamnet, com a tragédia pessoal de Shakespeare, por Nara Vidal
domingo, 1 de março de 2026
Leitura- Até o último fantasma- O Henry
Achei um Literatura altamente rebuscada e um tipo de estória que pouco me interessa e sem a criatividade necessária. demais. Não gostei
RESENHA: O ponto alto da vertente fantástica de Henry James.
Os cinco contos reunidos em Até o último fantasma representam o que há de melhor na obra de caráter fantasmático de Henry James, um dos mais influentes autores de língua inglesa do século XIX. Selecionados, traduzidos e apresentados por José Paulo Paes, os textos foram escritos entre 1891 e 1908 e, em tom de fina ironia, mesclam realidade e imaginação de forma brilhante.
“Sir Edmund Orne” abre a coleção com um fantasma que aparece para sua ex-noiva e para o narrador, que acaba de se apaixonar por ela. Em “A coisa realmente certa”, um espectro tenta evitar que sua biografia seja escrita. Já em “Os amigos dos amigos”, o universo parece conspirar para que duas pessoas com muito em comum não consigam se encontrar, e “O grande e bom lugar” narra com humor as queixas de um escritor cansado do sucesso. Por fim, considerado o auge da representação do fantástico na obra do autor, “A bela esquina” fecha o volume com o encontro de um homem e seu próprio fantasma.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026
Leitura- pequenas coisas como estas - Claire Keegan
Excelente livro. Mas colocar entre os 100 melhores da Literatura chega a ser exagerado e típico de europeus extremamente centrados em seu umbigo
RESENHA:
Ambientado na Irlanda, em 1985, a história de Pequenas coisas como estas gira em torno de Bill Furlong, um respeitável comerciante de carvão e madeira, filho de uma mãe solteira, que leva uma vida simples com a família. Durante o período de Natal, ele faz uma descoberta perturbadora sobre um convento local e as jovens mulheres que ali vivem. A revelação obriga Bill a enfrentar as consequências morais e sociais de suas ações em uma comunidade profundamente marcada pela influência da Igreja Católica e seus silêncios.
Segundo o jornal The New York Times, que incluiu o romance em sua lista de 100 melhores romances do século,
“Nenhuma palavra é desperdiçada na pequena e polida joia de romance de Keegan, uma espécie de miniatura dickensiana centrada no filho de uma mãe solteira que cresceu e se tornou um respeitável comerciante de carvão e madeira com uma família própria na Irlanda de 1985. Moralmente, porém, poderia muito bem ser a Idade Média enquanto ele se depara com os crimes contínuos da Igreja Católica e as tragédias cotidianas causadas pela repressão, medo e hipocrisia grosseira.”
• Livro finalista do International Booker Prize 2022
• Livro vencedor do Orwell Prize
• Na lista dos 100 melhores livros do século XXI do The New York Times
• Na lista dos 100 melhores livros do século XXI pelos leitores do The New York Times
terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Leitura -Neca -Amara Moira
Incialmente o livro se torna confuso pela linguagem quase grifada. Como como alguém já disse de Literatura os bons livros são aqueles difíceis e que te fazem pensar de várias formas. Neste sentido o livro se encontra; aos poucos vamos entrando na digressão feérica e entendendo a vida que poucos conhecem e vivem. Conhecendo um pouco de um mundo geralmente relegado a alto preconceito. Mas uma boa leitura
Resenha:
As histórias sexuais de uma profissional do amor são o fio condutor de uma jornada cômica, sensual e carnal pelo erotismo e pela literatura.
Neste livro inteiramente escrito na língua das bichas, uma travesti reencontra um antigo amor, anos mais jovem, que está começando a trabalhar nas ruas. Enquanto entrelaça conselhos e lembranças, ela rememora suas aventuras como prostituta no Brasil e na Europa; fala sobre o que descobriu e conheceu sendo puta; recorda o que desejava ser e sonha com o que poderia ter sido.
Na época em que namoravam, a jovem debutante estudava Letras, o que motiva a protagonista a falar de literatura como parte de sua história juntas. Numa prosa vulcânica, passa em revista obras e autores centrais do cânone, aplicando também sua memória e sua inventividade para ver a literatura com olhos de quem aprendeu tudo na rua, como se aprende o pajubá.
Publicado pela primeira vez na antologia A resistência dos vaga-lumes (2019), o icônico monólogo é agora reeditado em versão expandida. Romance de estreia de Amara Moira, Neca é hilário, escatológico e único em sua sofisticação literária — uma obra valiosa na forma e no conteúdo, atrevida o bastante para abarcar com eloquência a profusão da realidade.
“Neca é um livro travesti, talvez o primeiro do tipo: totalmente escrito em pajubá. Um texto sinestésico: tem voz e cheiro. É babado, mona!” — Helena Vieira
“Triunfante batismo do pajubá (pajubá? jenessepá!) como linguagem literária de invenção, subversão e diversão.” — Caetano W. Galindo
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Leitura - Histórias de Gil Blas de Santillana - LESAGE
Leitura - 451 No 102
RESENHA:
Histórias que dão samba • A Quatro Cinco Um de fevereiro traz na capa um especial com textos sobre o Carnaval. Marcelo Moutinho escreve sobre o caso de amor não correspondido entre os enredos e a literatura; Thaís Regina passeia pelos trilhos que testemunharam a ascensão do samba no Rio de Janeiro; Vinícius Natal rememora os dez anos de Pra tudo começar na quinta-feira, de Luiz Antonio Simas e Fábio Fabato; e Rachel Valença faz um perfil do compositor e escritor Nei Lopes. Arte da capa: Daniel Kondo.
Maria Brant • Bernardine Evaristo • Dani Langer • Alberto Martins • Daniel Munduruku • Francisco Mota Saraiva • Natsume Soseki • Edmund White
Mais na edição: textos sobre Foucault e a crítica, por Bernardo Carvalho; o recém-descoberto primeiro romance de Virginia Woolf, por Ana Carolina Mesquita; a obra que rendeu o prêmio Goncourt — e um processo — ao franco-argelino Kamel Daoud, por Élvio Cotrim; a expedição gastronômica de Bel Coelho pelo Pará, por Flávia Couto; a literatura na pintura de David Hockney, por Matheus Lopes Quirino; e A loteria do nascimento, de Michael França e Fillipi Nascimento, por Anna Carolina Venturini.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Leitura -A Insubmissa- Cristina Peri Rossi
Uma boa escritora. Extremamente política e provocadora. Seu estilo de questionamentos para posições sociais não questionada é bastante legal
RESENHA: A insubmissa é o romance de formação autobiográfico de Cristina Peri Rossi, premiada autora uruguaia e uma das mais proeminentes escritoras de língua espanhola. Nele, acompanhamos sua infância e juventude, contadas a partir da estranheza e da perplexidade diante de um mundo sempre em conflito com os seus desejos: usar calças, não comer animais, ter uma biblioteca, escrever, amar outras meninas. Através de experiências familiares, fabulações e do tempo de um dolorido amadurecimento, se desenha uma personalidade contestadora e determinada a viver os seus desejos mais profundos a despeito das interdições impostas ao comportamento e ao corpo de uma mulher.Em meio a uma rica produção de ficção, poesia e ensaios, A insubmissa é a obra mais recente e reveladora da escritora, vencedora do prêmio Miguel de Cervantes e reconhecida como a única mulher do chamado boom da literatura latino-americana. “Eu lia com o deleite indiscriminado de uma viciada e de uma convertida. Minha religião era a literatura.” Tradução e posfácio Anita Rivera Guerra
domingo, 1 de fevereiro de 2026
Leitura- A descoberta dos números ´Marcelo Viana
RESENHA: Desde quando começamos a contar carneiros no pasto com pedrinhas até os algoritmos Deep Blue e AlphaGo, que aprenderam a jogar xadrez e go melhor do que nós, a história dos números é repleta de descobertas fascinantes. Neste livro inédito, Marcelo Viana — diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e autor do sucesso de vendas Histórias da matemática — percorre toda essa trajetória com clareza e entusiasmo, unindo a precisão científica à generosidade de um professor comprometido em democratizar o conhecimento.
Cada capítulo traz curiosidades, ilustrações e reflexões que transformam conceitos abstratos em experiências concretas e vívidas, além da minibiografia dos cientistas que protagonizaram essa jornada. Num texto que cativa entusiastas e especialistas, Viana explora todo o espectro de categorias numéricas: dos naturais e primos aos surreais e hipercomplexos, passando por racionais, incomensuráveis, negativos, imaginários e infinitésimos, entre tantos outros.
Embora a matemática possa parecer uma ciência fria e objetiva, este livro traz temas que foram e são objeto de controvérsias, disputas e paixões. É o caso dos números negativos, plenamente aceitos só há pouco mais de um século — antes disso, era difícil admitir que existisse alguma coisa menor do que zero, e até hoje há quem questione a regra de que menos vezes menos dá mais, comprovada pelo autor de modo exemplar.
Viana desmente mitos, como o de que a razão áurea e os números de Fibonacci estão por toda parte e por trás da construção de grandes obras da arquitetura, como o Partenon e o Taj-Mahal. Ao mesmo tempo, revela que de fato a disposição das sementes na flor da camomila segue padrões matemáticos, assim como certas obras de Portinari.
Transitando com naturalidade entre a mitologia, a biologia e as artes visuais, o autor combina a erudição de um humanista com a obsessão de um matemático que tem como missão democratizar o conhecimento. A descoberta dos números conta com o traço original de Rafael Sica e é uma espécie de almanaque ilustrado para todas as idades.
Para quem ainda vê a matemática como uma ciência árida, este livro conciso e abrangente é uma oportunidade de enxergar os números sob novos ângulos — e descobrir a beleza que eles escondem.
Leitura - O Estrangeiro-Albert Camus
Já havia lido tem muitos anos. Mas valeu reler .Maravilhoso romance
"O estrangeiro" é a história de um argelino que trabalha num escritório em Argel
e, em decorrência de circunstâncias absurdas, mata um árabe. No último momento de sua condenação desperta de uma espécie de torpor.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Leitura- Os melhores contos de O Henry
Realmente excelentes contos.Vale a pena ler
RESENHA: O. Henry (1862 - 1910) era o pseudônimo de William Sydney Porter, um dos maiores contistas americanos do século XIX. Seus contos romantizados, geralmente com finais imprevisíveis, se tornaram a sua marca registrada e fizeram dele um dos autores mais populares do seu tempo. Escritor fecundo e talentoso, O. Henry foi sempre um otimista e, em sua obra, não há lugar para a amargura e o desespero. Nesta preciosa coletânea, que faz parte da Coleção Melhores Contos o leitor será apresentado a este grande escritor americano por meio de treze de seus melhores contos.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Leitura- A Piramide de Lama - Andrea Camilleri
Já havia lido esta estória de Montalbano . Não é das melhores, mas ajuda e recordar Camillleri
RESENHA: Quando um cadáver é encontrado durante uma tempestade, o comissário Salvo Montalbano descobre que vai precisar sujar as mãos (e os pés) para resolver o caso. Conheça A pirâmide de lama, mais um caso da série clássica de Andrea Camilleri.
A chuva que caía em Vigàta era tanta que o comissário Salvo Montalbano não queria se levantar da cama. Porém, uma ligação o obriga a mudar seus planos – e colocar os pés na lama. Em um canteiro de obras deserto, operários encontraram um corpo abandonado no final de uma galeria de túneis. O cadáver está quase despido, tem uma marca de bala nas costas e chegou ao local de bicicleta, que também foi encontrada ali perto. Essas circunstâncias, complementadas pelos relatos de moradores da região, traçam a perspectiva de um crime passional: o homem teria sido confrontado por um dos amantes de sua esposa, que seria o responsável pelo assassinato.
Porém, tudo muda quando a vítima é identificada como Giugiù Nicotra, contador de uma poderosa construtora envolvida em licitações públicas milionárias. Sua morte, que parecia ser um caso à parte, abre caminho para a investigação conduzida por Montalbano, que o coloca diante de empresários influentes, figuras políticas e intermediários sem escrúpulos, todos interessados em encerrar o caso o mais rápido possível.
Para piorar a situação, os mistérios parecem se multiplicar nesse caso. Pessoas surgem e desaparecem em um piscar de olhos, antigos conhecidos dão o ar da graça e pistas promissoras acabam deixando ainda mais pontas soltas pelo caminho. Mas o comissário não se deixa intimidar: entre interrogatórios sutis, diálogos carregados de ironia e reviravoltas que mudam o foco da investigação a todo momento, ele desenterra uma rede de relações perigosas, na qual a verdade raramente interessa e a lama não é apenas uma metáfora.
Andrea Camilleri, mestre do romance policial italiano, constrói aqui uma narrativa em que suspense, crítica social e humor se entrelaçam com precisão. A pirâmide de lama, o vigésimo segundo caso do Comissário Montalbano, é uma história de crime que revela as engrenagens de um sistema em que a corrupção se tornou uma parte indispensável do cenário.
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Leitura- Clássicos Japoneses Sobrenaturais
Excelente compilação de estórias folclóricas japonesas. Vale a pena a leitura. Principalmente para crianças
RESENHA: O folclore e as raízes do horror japonês que inspirou mestres como Junji Ito, Murakami, Nagabe, Yoko Ogawa, Koji Suzuki, Shintaro Kago, Tsugumi Ohba, entre muitos outros Divindades e criaturas sobrenaturais marcam forte presença no folclore japonês e protagonizam inúmeras lendas e narrativas transmitidas de uma geração a outra, mexendo com o imaginário das pessoas. Histórias que exploram elementos fantásticos, assustadores e misteriosos revelam a visão de mundo do povo japonês dos tempos remotos, sua percepção da natureza e dos fenômenos naturais e dá pistas sobre seus medos diante de aspectos desconhecidos e incompreensíveis. Clássicos Japoneses Sobrenaturais reúne 57 contos com temáticas variadas, que vão desde o sobrenatural — que aborda a interação de seres humanos com monstros, fantasmas, deuses, espíritos de elementos da natureza e animais —, passando por narrativas épicas de samurais e grandes figuras, culminando com o horror que deixou marcas profundas na sociedade japonesa. Fruto da pesquisa sobre oralidade de Richard Gordon Smith, o naturalista britânico que enxergou a história por trás da paisagem, a obra foi publicada originalmente em 1908 na Inglaterra. Smith, que pisou o solo japonês pela primeira vez em 1898, chegou ao país com o objetivo de coletar amostras da fauna e flora para compor o acervo de história natural do British Museum. No entanto, as ricas lendas e relatos de caráter extraordinário o encantaram de imediato, levando-o a pesquisar e coletar histórias perturbadoras enquanto percorria o país para cumprir sua missão. O Japão mantivera-se isolado do resto do mundo por mais de 200 anos, durante o xogunato Tokugawa, e havia reaberto seus portos para comércio exterior em 1858, apenas quarenta anos antes da chegada de Gordon Smith ao país. Durante o período de reclusão, o intercâmbio com outros países era bastante limitado, o que fez com que a arte e a cultura japonesa se desenvolvessem praticamente sem influência estrangeira. Embora o país passasse por uma rápida modernização e a presença de estrangeiros se tornasse cada vez mais comum na época da chegada de Gordon Smith, muitas vezes ele foi o primeiro europeu a visitar certas regiões do arquipélago. Mas isso não o impedia de se comunicar com o povo. Contando com ajuda de intérpretes, ele obtinha os relatos das mais variadas fontes. Camponeses, pescadores, monges e crianças que encontrava em sua jornada compartilhavam com ele lendas regionais, testemunhos de acontecimentos misteriosos que se fundiram com o tempo e transformaram relatos reais, histórias de amor, tragédias familiares e toda a herança mística de seus antepassados em uma forma de realidade mágica cativante. Sugawara Michizane e imperador Sutoku, retratados em dois dos contos, são personagens da vida real e figuram entre as “três maiores almas penadas” do Japão, que teriam morrido com tanto rancor e ódio no coração que diversos casos de desgraça e tragédias ocorridas depois de suas mortes são consideradas maldição de seus espíritos. Clássicos Japoneses Sobrenaturais apresenta ainda personalidades históricas como os samurais Akechi Mitsuhide e Saigo Takamori, os pintores Maruyama Okyo, Rosetsu e Tosa Mitsunobu e imperadores Engi e Toba. Gordon Smith, que tinha o plano original de permanecer no país apenas por alguns meses, viveu ali a maior parte das duas décadas seguintes. A obra é uma compilação dos volumosos registros que ele havia feito em seu diário. Em alguns pontos, o autor britânico contesta a conduta de personagens que, do seu ponto de vista, tomam decisões muito radicais. Mas o mais evidente ao longo da obra é a sua admiração pela cultura e pelo senso de valor e honra do povo nipônico. Um trabalho magistral — inspiração para mestres como Junji Ito, Murakami, Nagabe, Yoko Ogawa, Koji Suzuki, Shintaro Kago, Tsugumi Ohba, entre muitos outros — até então inédito, que revela a faceta variada da cultura e tradição do país e apresenta seus medos e anseios, além de uma perspectiva única sobre temas universais, como a morte, o amor, a inveja e a honra.
sábado, 10 de janeiro de 2026
Leitura -Contos dos sábios crioulos - Patrick Chamoiseau
RESENHA: Autor de uma vasta obra que transita entre o romance e o ensaio, vencedor do Prêmio Goncourt em 1992, Patrick Chamoiseau é hoje uma das vozes mais expressivas e politicamente engajadas da literatura francesa. Herdeiro da tradição antilhana de Aimé Césaire e Édouard Glissant, o escritor martinicano, natural de Fort-de-France, se interessa por formas culturais e estéticas de sua ilha natal, em especial a oralidade poética das narrativas crioulas transmitidas por contadores populares. Um dos principais teóricos do movimento da “crioulidade”, sua escrita reflete a complexa realidade linguística e cultural caribenha, se conectando ainda às dinâmicas globais da afrodiáspora e da decolonialidade.
Contos dos sábios crioulos, seu primeiro livro de narrativas curtas publicado no Brasil, remonta ao período escravagista das Antilhas. Associando elementos das culturas africana e europeia, e apresentando personagens humanos ou sobrenaturais, estas dez histórias dão voz a um povo que busca driblar a fome, o medo e a vigilância colonial, ao mesmo tempo em que, por desvios e astúcias, transmitem sua mensagem também aos senhores.
Nessas narrativas de resistência, por vezes recriações da cultura oral popular, o “grito alçado das plantações” — retomando as palavras de Edimilson de Almeida Pereira no posfácio deste volume — ecoa aqui renovado, com a força de um poeta e pensador cuja matéria-prima, a linguagem, é forjada com precisão e criatividade sem iguais.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Leitura -451 No 101
Íntima e impessoal • A Quatro Cinco Um de janeiro traz um especial sobre a escritora inglesa Zadie Smith. Em entrevista a Iara Biderman, a autora fala sobre A fraude, que chegou ao Brasil em setembro do ano passado pela Companhia das Letras. Além da conversa sobre seu primeiro romance histórico, a revista dos livros traz um ensaio de Smith sobre sua relação com a escrita. A tradução é de Camila von Holdefer, que também verteu para o português o romance da autora. Fotografia da capa: Kemka Ajoku.
E.M. Forster • Hugo Gonçalves • László Krasznahorkai • Seichō Matsumoto • Leonardo Padura • Maria Valéria Rezende • Ruth Rocha • Richard Sennett • Domenico Starnone • Marcelo Viana
Mais na edição: um ensaio de Milton Hatoum sobre Lavoura Arcaica e os noventa anos de Raduan Nassar; os brasileirismos na tradução dos versos de Lord Byron, por Leonardo Fróes (1941-2025); a ofensiva conservadora dos Estados Unidos, por Ana Paula Manrique Amaral; o trabalho simples e difícil de ouvir os descartados do país, por Pedro Fernando Nery; e os impactos da lógica influencer no mundo dos livros, por Paulo Roberto Pires.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Leitura -451 No 99
Histórias crioulas • A Quatro Cinco Um de novembro traz um especial sobre autores do Atlântico negro francófono. Entre eles, o francês da Martinica Patrick Chamoiseau, entrevistado por Guilherme Magalhães e resenhado por Elena Brugioni. Mais no especial:
Nathacha Appanah • Aimé Césaire • Jean D’Amérique • Ananda Devi • Françoise Ega • Gaël Faye • Yanick Lahens • Achille Mbembe • Léonora Miano • Lucy Mushita • Sylvia Serbin
E ainda: uma entrevista com Conceição Evaristo, por Jefferson Barbosa e Marcelle Felix; o romance final da trilogia de Milton Hatoum, por Rita Palmeira; o livro da velhice de J.M. Coetzee, por Kelvin Falcão Klein; os 50 anos da morte de Vladimir Herzog, por Camilo Vannuchi; e lançamentos de Milly Lacombe, Ernesto Mané, Sérgio Rodrigues, Bianca Santana e Banana Yoshimoto.
Foto da capa: Sophie Bassouls
Leitura -451no 100
Os melhores livros de 2025 • O clássico especial com as melhores leituras do ano, escolhidas por 175 colaboradores. Entre elas, Caetano W. Galindo, Marília Garcia, Marilene Felinto, Cristina Peri Rossi e o livro de poesia para jovens organizado por Bruna Beber e Fabrício Corsaletti. Mais:
Michel Alcoforado • Sophie Calle • Antonio Cicero • Samantha Harvey • Marlen Haushofer • Vera Iaconelli • Noemi Jaffe • Bruna Dantas Lobato • Adélia Prado • Samanta Schweblin • José Miguel Wisnik
E ainda: uma entrevista com Eliana Alves Cruz, por Adriana Ferreira Silva; a condenação de Bolsonaro, por Claudio Gonçalves Couto; a chacina no Complexo da Penha, por Juliana Borges; o doisladismo da imprensa, por Paulo Roberto Pires; a primeira vez de Fernando Pessoa como outra pessoa, por Carlos Adriano; e lançamentos de Itamar Vieira Junior, Maria Vilani, Edogawa Ranpo, Dawisson Belém Lopes e Marcelo Henrique Silva.
Arte da capa: Igor Bastidas.
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
Leitura -A Obra em Negro -Marguerite Yourcenar
Livro dificil de ler inicialmente . Depois vai se desenvolvendo de forma mais tranquila . Não é um obra muito fácil
RESENHA:
A obra em negro é um dos textos mais elaborados e instigantes de Marguerite Yourcenar. O livro ilustra a vida de Zênon, que, renegando sua formação religiosa, abre mão de um futuro estável como membro da Igreja para se dedicar à descoberta das profundezas do ser humano em todas as esferas, tornando-se médico, alquimista e filósofo. A obra conta com a tradução excepcional do poeta Ivan Junqueira.
Leitura- A invenção da Natureza- Andrea Wulf
RESENHA: O alemão que inspirou Darwin e Simón Bolívar e causou inveja em Bonaparte A invenção da natureza revela a extraordinária vida do ...
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Excelente livro de contos indígenas apesar de excessivamente curto. Resenha: Na apresentação do livro Contos indígenas brasileiros, publ...
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Muito bons contos. Mostra a riqueza cultural do Brasil. Escrito num quase dialeto e trazendo a cultura dos pampas de forma inigualável Re...












