Resenha:
Papos & Afins
Blog Pessoal
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Leitura- Irmão de Alma - David Diop
RESENHA:
Certa manhã da Grande Guerra, o capitão Armand determinou o ataque contra o inimigo alemão. Os soldados avançam. Em suas fileiras, Alfa Ndiaye e Mademba Diop, dois escaramuçadores senegaleses, entre todos aqueles que lutavam sob a bandeira francesa. Poucos metros depois de ter saltado da trincheira, Mademba cai, ferido de morte, sob os olhos de Alfa, seu amigo de infância, seu mais que irmão.
Alfa se encontra sozinho na loucura do grande massacre, sua razão foge. Ele, o camponês africano, distribuirá a morte nesta terra sem nome. Desapegado de tudo, inclusive de si mesmo, ele espalha sua própria violência, semeia o medo, a ponto de assustar seus companheiros. Sua evacuação para a retaguarda é o prelúdio para uma lembrança de seu passado na África, um mundo inteiro perdido e ressuscitado, cuja convocação é a resistência final e esplêndida à primeira carnificina da era moderna.
domingo, 27 de setembro de 2026
Leitura- Cabala - Papus
Resenha:
A Cabala, Tradição Secreta do Ocidente é um dos principais trabalhos entre os mais de 160 escritos por Papus. Publicada pela primeira vez em 1892, esta obra é particularmente valiosa porque, aliada às explorações teóricas originais da Cabala judaica, traz também uma tradução completa do Sepher Yetzirah, as famosas Dez Lições sobre a Cabala, de Éliphas Lévi, bem como A Cabala dos Hebreus, reimpressão parcial de uma obra raríssima escrita pelo rabino Drach, católico convertido do judaísmo e estudioso renomado por seu conhecimento acerca do hebraico e do Talmude. Por meio de uma pesquisa minuciosa, Papus trata da tradição oculta de Israel que, para ele, deveria estar nas mãos de toda pessoa que deseja conhecer profundamente os mistérios da vida, daquela que se pergunta qual é a origem e o destino da existência, e que esteja disposta a explorar o reino invisível para compreender suas relações com o mundo visível. Uma obra de referência que oferece uma introdução concisa e valiosa à ciência sagrada dos hebreus e, portanto, aos ensinamentos esotéricos do cristianismo dos primeiros tempos.
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
Leitura- Bhagavad Gita - Marabharata
Ler os principais livros das várias religiões e mitologias nos ajudam a entender melhor o ser humano e suas propostas para alcançar e paz espiritual e uma vida plena
Considerada a obra mais importante do hinduísmo, composta por 700 versos, Bhagavad-Gita é o capítulo mais conhecido do épico O Mahābhārata. Escrita por volta do século IV a.C., ela relata o diálogo entre Krishna e o herói Arjuna, líder dos Pāndavas no campo de Batalha de Kurukshetra, no momento em que ambos estão entre dois exércitos prestes a iniciarem uma batalha sangrenta. Contudo, mais que uma mensagem sobre a moral ou uma batalha histórica, Bhagavad-Gītā na realidade trata da luta interior do ser humano em busca da Sabedoria, de superar as forças do ego e do despertar para o Eu Superior.
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Leitura Fé e o Fuzil- Paes Manso
Depois de esmiuçar o mundo do crime no Rio de Janeiro em A REPÚBLICA DAS MILÍCIAS, livro que conquistou o prêmio Jabuti de 2021 e impactou dezenas de milhares de leitores com o retrato de um país corrompido e violento, Paes Manso volta com um mergulho em outra dimensão da criminalidade no Brasil. A lente está posta em suas relações com o crescimento das igrejas evangélicas nas últimas décadas. A partir de depoimentos de ex-criminosos que tiveram a vida transformada pelo contato com a religião, o autor desconstrói estigmas associados às novas denominações evangélicas e mostra como o crescimento desses grupos responde a anseios profundos de uma população exposta a todo tipo de violência.
sábado, 19 de setembro de 2026
Leitura- Os imortais -Pauliny Tort
Neste romance tão próximo de uma epopeia, Tort narra a trajetória de um clã de neandertais em um cenário hostil, marcado pela fome e pelas intempéries. Guiado por figuras conhecidas como Homem, Mulher e Velha, o grupo atravessa vastos territórios em busca de sobrevivência. Após um conflito com outro agrupamento, uma criança sapiens é incorporada ao clã. Afastando-se de visões estereotipadas sobre os primeiros hominídeos, Tort cria uma narrativa de aventura que também se configura como uma fábula sobre a origem da humanidade, e propõe um retrato especulativo do convívio entre duas espécies.
Ousado e original, Os imortais celebra o poder inaugural da mente ao mesmo tempo que investiga as relações humanas elementares e o espanto diante do inexplicável, como o fogo, a morte e a doença. Com um estilo cristalino e envolvente, mas ainda assim poético, Paulliny Tort nos lembra que nosso elo com o passado é inquebrantável, enquanto o futuro da chamada civilização talvez seja mais frágil do que costumamos supor.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Leitura- Os Imortais- Pauliny Tort
RESENHA:
Em Os imortais, Paulliny Tort, vencedora do prêmio APCA e finalista do Jabuti com Erva brava, surpreende o leitor com uma obra ambientada na pré-história e realiza um feito literário singular: reconstruir um mundo anterior à linguagem tal como a conhecemos, mas pleno de complexidade, pensamento e imaginação.
Neste romance tão próximo de uma epopeia, Tort narra a trajetória de um clã de neandertais em um cenário hostil, marcado pela fome e pelas intempéries. Guiado por figuras conhecidas como Homem, Mulher e Velha, o grupo atravessa vastos territórios em busca de sobrevivência. Após um conflito com outro agrupamento, uma criança sapiens é incorporada ao clã. Afastando-se de visões estereotipadas sobre os primeiros hominídeos, Tort cria uma narrativa de aventura que também se configura como uma fábula sobre a origem da humanidade, e propõe um retrato especulativo do convívio entre duas espécies.
Ousado e original, Os imortais celebra o poder inaugural da mente ao mesmo tempo que investiga as relações humanas elementares e o espanto diante do inexplicável, como o fogo, a morte e a doença. Com um estilo cristalino e envolvente, mas ainda assim poético, Paulliny Tort nos lembra que nosso elo com o passado é inquebrantável, enquanto o futuro da chamada civilização talvez seja mais frágil do que costumamos supor.
Leitura- diga a coisa como ela é - Tatiana Salem Levy
Neste livro Tatiana usa sua erudição crítica apoiada em sua vasta e variada leitura. Bom livro para quem costa de livros e leitura
RESENHA:
Da autora de Vista chinesa e Melhor não contar, uma coletânea de ensaios que transforma a leitura solitária em experiência compartilhada
Diga a coisa como ela é reúne mais de quarenta textos de Tatiana Salem Levy publicados em sua coluna quinzenal no Valor Econômico entre 2017 e 2026. Organizada em seis eixos temáticos, a coletânea percorre um amplo repertório de leituras — de clássicos a obras contemporâneas — que exploram a relação entre pais e filhos, as representações do corpo na literatura, as experiências do feminino e os paralelos entre ficção e memória, além de trazer reflexões sobre identidade, sexualidade, filosofia, crítica e política. A seleção abrange uma pluralidade de gêneros, nacionalidades e épocas, e inclui também comentários sobre livros em que a natureza se impõe como força primordial, deslocando o humano do centro da narrativa. De Sófocles a Djaimilia Pereira de Almeida, passando por Franz Kafka, Virginia Woolf, Clarice Lispector e Édouard Louis, Tatiana Salem Levy revela um olhar atento que nos aproxima das obras revisitadas e faz da leitura um exercício de indagação sobre a existência.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Leitura- O adversário- Emmanuel Carrere
Um bom livro. mas muito similar e mais abaixo daqueles como o mesmo tema quase que jornalistico
RESENHA: Um livro essencial na obra de Emmanuel Carrère. Uma investigação de um crime brutal, à altura de clássicos como A sangue frio, de Truman Capote. Carrère acompanha a desconcertante vida dupla de um pai de família que mata todos ao seu redor para escapar de uma rede de mentiras. É uma obra que reafirma o autor como um dos intérpretes mais contundentes da condição humana.
Em 9 de janeiro de 1993, Jean-Claude Romand matou a esposa, os dois filhos, os pais, o cachorro — e tentou fazer o mesmo com uma ex-amante. Por fim, encenou um incêndio na casa onde morava, planejando, sem sucesso, tirar também a própria vida. As investigações sobre essa tragédia, contudo, acabaram revelando muito mais: Romand não era quem dizia ser, um médico renomado que trabalhava para a Organização Mundial da Saúde. Por quase duas décadas, sustentou uma imensa mentira e, perto de ser descoberto, deu fim àqueles cujo olhar não suportaria.
Impactado por essa história brutal, Emmanuel Carrère começou a corresponder-se com Romand antes, durante e depois de seu julgamento, na tentativa de entender suas motivações e como chegou a um ato tão extremo. O resultado é um livro inquietante e inesquecível, que se tornou um clássico da literatura contemporânea.
“Uma obra sobre um dos assassinos mais infames da França, escrita com profundidade investigativa e a empatia de um romance.” The Guardian
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Leitura-Lazar- nélio Biedermann
Apesar de muito elogiado(!?) fiquei com a pulga atras da orelha com este livro. Leitura fácil e rápida e que deixa a questão literária com uma dúvida.Vou esperar outro livro
RESENHA: Uma saga que retrata de forma magistral os últimos dias de nobreza de uma linhagem aristocrática húngara. Inspirado na própria família do autor, Nelio Biedermann, Lázár é um dos grandes acontecimentos literários do ano.Lajos von Lázár vem ao mundo junto à alvorada do século XX. Seu nascimento é, ao mesmo tempo, um milagre e uma maldição, e sua verdadeira herança, um segredo que ele jamais conhecerá. Há gerações, os von Lázár governam suas terras na Hungria, abrigados em um castelo cercado por uma floresta sombria, onde a loucura aguarda todos que nela entram. Seus integrantes sucumbem a todos os vícios e vivem para saciar seus desejos. Mas os dias do império dos Habsburgo estão contados e, com isso, o legado dos von Lázár é posto em risco.
Até que chega o momento de Lajos herdar a propriedade da família. Uma fagulha de esperança se acende quando ele se revela um barão capaz de trazer de volta o antigo esplendor dos von Lázár, mas nem mesmo isso pode fazer frente aos grandes acontecimentos do início do século. Caberá a seus filhos encontrar uma forma de se opor a todo tipo de opressão e dar os primeiros passos vacilantes rumo à verdadeira liberdade.
Inspirado na história de família do autor, Lázár é uma saga intergeracional que, com um toque de realismo mágico, leva o leitor do início do século XX à Revolução Húngara de 1956. Este livro já seria um tremendo feito para um escritor de qualquer idade, mas, com seu ar de sabedoria atemporal, ele parece um clássico redescoberto, o que torna ainda mais notável o fato de ter sido escrito quando Nelio Biedermann tinha apenas 21 anos.
“Uma história familiar multigeracional repleta de personagens profundamente originais e cenas envolventes, por vezes realistas, por vezes perturbadoramente oníricas. Um grande autor entra em cena em pleno domínio de sua escrita.” – Daniel Kehlmann
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Leitura - O lobo Solitário 1 - O caminho do assassino -Kazuo Koike e Goseki Kojima
Adoro mangá e este é clássico, São vários volumes. Sempre abordando Ronins e o Bushido
RESENHA : Com o inevitável e fatídico final do duelo entre Retsudo Yagyu e Itto Ogami, o Lobo Solitário, o pequeno Daigoro fica à mercê do destino e é acolhido por um misterioso samurai peregrino. Durante a jornada, ambos são envolvidos em uma conspiração dos ninjas do clã Hattori e o feudo de Satsuma. Assim, o filhote do Lobo Solitário continua sua trajetória pelo Meifumadou, o Caminho Errante dos Mortos. Vinte e sete anos após a conclusão de Lobo Solitário, o roteirista Kazuo Koike retomou em 2003 a história de Daigoro. Com o falecimento do genial ilustrador Goseki Kojima em 2000, Kazuo Koike escolheu Hideki Mori para dar continuidade à sua maior obra.
Leitura- Teogonia - Hesiodo
Matei minha curiosidade sobre a mitologia lendo Hesíodo. Aqui temos toda origem como deve ter sido contado de pai para filho ao longo dos séculos
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Leitura- O Universo em um Junco- Irene Vallejo
Para quem é amante de livros uma leitura fundamental.
RESENHA: Fenômeno editorial espanhol traduzido para mais de 30 idiomas, ensaio sobre a história do livro vem conquistando prêmios e leitores.
Um livro sobre a evolução dos livros, um passeio pela trajetória desse artefato fascinante que inventamos para que as palavras pudessem ser transportadas pelo espaço e pelo tempo: O infinito em um junco conta a história desse objeto desde sua criação, milênios atrás, passando por todos os modelos e formatos que testamos ao longo da jornada humana.
A obra de Irene Vallejo é também sobre viagens e diferentes lugares. Uma rota com paradas nos campos de batalha de Alexandre, o Grande, e na Vila dos Papiros sepultada pelas lavas do Vesúvio, nos palácios de Cleópatra e na cena do crime de Hipátia, nas primeiras livrarias e nas oficinas de cópia manuscrita, nas fogueiras em que eram queimados códices proibidos, no gulag, na Biblioteca de Sarajevo e no labirinto subterrâneo de Oxford no ano 2000. Um fio que une os clássicos ao mundo contemporâneo, conectando-os aos debates atuais: Aristófanes e os processos judiciais contra os humoristas, Safo e a voz literária das mulheres, Tito Lívio e o fenômeno dos fãs, Sêneca e a pós-verdade.
Acima de tudo, esta é uma fabulosa aventura coletiva protagonizada por milhares de pessoas que, ao longo do tempo, protegeram e tornaram o livro possível: contadores de histórias, escribas, iluminadores, tradutores, vendedores ambulantes, professores, sábios, espiões, rebeldes, freiras, aventureiros; leitores de todos os cantos, nas capitais onde se concentra o poder e nas regiões mais remotas, onde o conhecimento se refugia em tempos de caos. Pessoas comuns cujos nomes muitas vezes são apagados da história; gente que salva essas fontes de memória, os verdadeiros protagonistas desta obra.
quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Leitura- A Montanha Mágica - Thomas Mann
Achei o livro exageradamente longo e tedioso. Trata-se de um grande escritor, mas não me pareceu um livro que empolgue na leitura. Se arrasta ler pela descrição dos sentimentos internos de Hans que nos parecem hoje extremamente pueris
Resenha : Ansiosamente aguardado pelos leitores brasileiros, volta às livrarias o célebre romance A montanha mágica, a grande obra-prima de Thomas Mann. A nova edição tem tradução de Herbert Caro e posfácio inédito de Paulo Astor Soethe, renomado especialista na obra do autor. Neste clássico da literatura alemã, Mann renova a tradição do Bildungsroman — o romance de formação — a partir da trajetória do jovem engenheiro Hans Castorp. Durante uma inesperada estadia de sete anos em um sanatório para tuberculosos nos Alpes suíços, Hans relaciona-se com uma miríade de personagens enfermos que encarnam os conflitos espirituais e ideológicos que antecedem a Primeira Guerra Mundial. Lidando com uma variedade de temas — estados doentios e corpóreos, a arte, o amor, a natureza do tempo e da morte —, este livro, publicado originalmente em 1924, é um dos grandes testamentos literários do século XX e uma das obras inesgotáveis da ficção ocidental.
terça-feira, 11 de agosto de 2026
terça-feira, 28 de julho de 2026
Leitura- Malhada das Graúnas- Marcia Moura
Excelente livro. Curto mas denso e profundo
Resenha :Malhada das Graúnas é um deleite para a literatura contemporânea. Ainda que curto em extensão, é grandioso na construção literária e na capacidade de envolver o leitor numa trama narrativa que costura conflitos familiares, traumas, colonialidade e solidão, com humor empregado na medida.
No decurso do íntimo encontro de Giza às dores do próprio passado, adentramos suas lembranças e imergimos na genealogia das raízes brasileiras, em texto lapidado e certeiro que penetra até os ossos de quem o lê.
domingo, 26 de julho de 2026
sexta-feira, 17 de julho de 2026
Leitura - um pato amado é assado- Lydia Davis
Livro excessivamente técnico voltado para escritores querendo aprimorar a escrita. Sempre torci um pouco o nariz para estes escritores que fazem curso de escrita criativa e se usam destas técnicas para escrever melhor. Pena que Proust, Kafka Machado e outros não possam ter feito uso destes artifícios pois ficariam pasteurizados como muitos escritores atuais que são completamente sem sal
RESENHA: Um livro que disseca mistérios da escrita – prolongamento, como sabemos, dos mistérios da leitura. Lydia Davis faz isso com uma erudição particular, criando uma espécie de teoria literária a partir da própria experiência e gosto, e uma generosidade que não abdica da fluidez e do sabor.
Michel Laub
Partindo de sua dupla atividade de ficcionista e tradutora, Lydia Davis discorre nestes ensaios sobre vários aspectos da (sua) escrita. A influência das prosas não convencionais; a revisão obsessiva; a transformação de eventos reais em ficção; diários, arquivos, fragmentos, notas, hábitos: tudo isso é aqui matéria de reflexão em um estilo leve, inventivo e apaixonado. Esta edição, com uma seleção inédita de textos, apresenta ao público brasileiro a brilhante faceta de ensaísta da autora, já amplamente reconhecida como uma das maiores contistas em atividade.
terça-feira, 14 de julho de 2026
Leitura- Apesar de meus ossos roídos- André Viana
Excelente romance. no mesmo esquema de Armadilha para Lamartine e tão criativo quanto . Recomendo
RESENHA: O aguardado retorno de André Viana à ficção, o romance Apesar dos meus ossos roídos é uma declaração de amor à vida, ainda que (quase) tarde demais.
Carlos, o protagonista deste romance a um só tempo cômico e devastador, é um professor de literatura já aposentado que encara a finitude e a fragilidade do corpo. Nas anotações do seu diário, registra com diligência tratamentos médicos dolorosos — sobretudo a ameaça de uma grave doença reincidente e um longo procedimento com implantes dentários. Sobreviver e sorrir pela primeira vez na vida em muito tempo se igualam, aqui, numa mesma medida. Assim como reencontrar o prazer há muito perdido. Entre consultas, caminhadas e refeições solitárias em uma capital do sul, a milhares de quilômetros da cidade nordestina onde passou grande parte da vida, revive memórias de família: a filha Cecília, que foi em busca de um novo caminho na floresta; Ester, marcada pela dor; e o fantasma de André, morto cedo demais. O cotidiano trivial — idas ao cinema, compras em supermercados, leituras, encontros com amigos e amantes ocasionais — contrasta com a presença obsedante da morte. Mas é essa proximidade com o fim que o anima, insuflando desejo e vitalidade, ainda que nada mais disso pareça estar disponível com a mesma facilidade dos tempos de juventude. Escritor de ficção frustrado, a tentativa derradeira de escrever uma história baseada na temporada entre bibliotecas, cinemas e cafés que viveu em Paris, nos anos 1980, torna-se bastião contra a melancolia que o ameaça num mergulho espesso. Engendrando um elaborado jogo de espelhamento, ironia e apropriação criativa com os diários do próprio pai, o escritor Antonio Carlos Viana (1944-2016), André Viana oferece aqui um romance contemporâneo e cheio de vida em sua inventividade marcada pela compreensão humana.
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Bons os artigos sobre Guimaraes e adicionei o livro de Tatiana Salem sobre livros em minha lista


