Papos & Afins
Blog Pessoal
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026
Leitura - Histórias de Gil Blas de Santillana - LESAGE
Leitura - 451 No 102
RESENHA:
Histórias que dão samba • A Quatro Cinco Um de fevereiro traz na capa um especial com textos sobre o Carnaval. Marcelo Moutinho escreve sobre o caso de amor não correspondido entre os enredos e a literatura; Thaís Regina passeia pelos trilhos que testemunharam a ascensão do samba no Rio de Janeiro; Vinícius Natal rememora os dez anos de Pra tudo começar na quinta-feira, de Luiz Antonio Simas e Fábio Fabato; e Rachel Valença faz um perfil do compositor e escritor Nei Lopes. Arte da capa: Daniel Kondo.
Maria Brant • Bernardine Evaristo • Dani Langer • Alberto Martins • Daniel Munduruku • Francisco Mota Saraiva • Natsume Soseki • Edmund White
Mais na edição: textos sobre Foucault e a crítica, por Bernardo Carvalho; o recém-descoberto primeiro romance de Virginia Woolf, por Ana Carolina Mesquita; a obra que rendeu o prêmio Goncourt — e um processo — ao franco-argelino Kamel Daoud, por Élvio Cotrim; a expedição gastronômica de Bel Coelho pelo Pará, por Flávia Couto; a literatura na pintura de David Hockney, por Matheus Lopes Quirino; e A loteria do nascimento, de Michael França e Fillipi Nascimento, por Anna Carolina Venturini.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Leitura -A Insubmissa- Cristina Peri Rossi
Uma boa escritora. Extremamente política e provocadora. Seu estilo de questionamentos para posições sociais não questionada é bastante legal
RESENHA: A insubmissa é o romance de formação autobiográfico de Cristina Peri Rossi, premiada autora uruguaia e uma das mais proeminentes escritoras de língua espanhola. Nele, acompanhamos sua infância e juventude, contadas a partir da estranheza e da perplexidade diante de um mundo sempre em conflito com os seus desejos: usar calças, não comer animais, ter uma biblioteca, escrever, amar outras meninas. Através de experiências familiares, fabulações e do tempo de um dolorido amadurecimento, se desenha uma personalidade contestadora e determinada a viver os seus desejos mais profundos a despeito das interdições impostas ao comportamento e ao corpo de uma mulher.Em meio a uma rica produção de ficção, poesia e ensaios, A insubmissa é a obra mais recente e reveladora da escritora, vencedora do prêmio Miguel de Cervantes e reconhecida como a única mulher do chamado boom da literatura latino-americana. “Eu lia com o deleite indiscriminado de uma viciada e de uma convertida. Minha religião era a literatura.” Tradução e posfácio Anita Rivera Guerra
domingo, 1 de fevereiro de 2026
Leitura- A descoberta dos números ´Marcelo Viana
RESENHA: Desde quando começamos a contar carneiros no pasto com pedrinhas até os algoritmos Deep Blue e AlphaGo, que aprenderam a jogar xadrez e go melhor do que nós, a história dos números é repleta de descobertas fascinantes. Neste livro inédito, Marcelo Viana — diretor-geral do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa) e autor do sucesso de vendas Histórias da matemática — percorre toda essa trajetória com clareza e entusiasmo, unindo a precisão científica à generosidade de um professor comprometido em democratizar o conhecimento.
Cada capítulo traz curiosidades, ilustrações e reflexões que transformam conceitos abstratos em experiências concretas e vívidas, além da minibiografia dos cientistas que protagonizaram essa jornada. Num texto que cativa entusiastas e especialistas, Viana explora todo o espectro de categorias numéricas: dos naturais e primos aos surreais e hipercomplexos, passando por racionais, incomensuráveis, negativos, imaginários e infinitésimos, entre tantos outros.
Embora a matemática possa parecer uma ciência fria e objetiva, este livro traz temas que foram e são objeto de controvérsias, disputas e paixões. É o caso dos números negativos, plenamente aceitos só há pouco mais de um século — antes disso, era difícil admitir que existisse alguma coisa menor do que zero, e até hoje há quem questione a regra de que menos vezes menos dá mais, comprovada pelo autor de modo exemplar.
Viana desmente mitos, como o de que a razão áurea e os números de Fibonacci estão por toda parte e por trás da construção de grandes obras da arquitetura, como o Partenon e o Taj-Mahal. Ao mesmo tempo, revela que de fato a disposição das sementes na flor da camomila segue padrões matemáticos, assim como certas obras de Portinari.
Transitando com naturalidade entre a mitologia, a biologia e as artes visuais, o autor combina a erudição de um humanista com a obsessão de um matemático que tem como missão democratizar o conhecimento. A descoberta dos números conta com o traço original de Rafael Sica e é uma espécie de almanaque ilustrado para todas as idades.
Para quem ainda vê a matemática como uma ciência árida, este livro conciso e abrangente é uma oportunidade de enxergar os números sob novos ângulos — e descobrir a beleza que eles escondem.
Leitura - O Estrangeiro-Albert Camus
Já havia lido tem muitos anos. Mas valeu reler .Maravilhoso romance
"O estrangeiro" é a história de um argelino que trabalha num escritório em Argel
e, em decorrência de circunstâncias absurdas, mata um árabe. No último momento de sua condenação desperta de uma espécie de torpor.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Leitura- Os melhores contos de O Henry
Realmente excelentes contos.Vale a pena ler
RESENHA: O. Henry (1862 - 1910) era o pseudônimo de William Sydney Porter, um dos maiores contistas americanos do século XIX. Seus contos romantizados, geralmente com finais imprevisíveis, se tornaram a sua marca registrada e fizeram dele um dos autores mais populares do seu tempo. Escritor fecundo e talentoso, O. Henry foi sempre um otimista e, em sua obra, não há lugar para a amargura e o desespero. Nesta preciosa coletânea, que faz parte da Coleção Melhores Contos o leitor será apresentado a este grande escritor americano por meio de treze de seus melhores contos.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Leitura- A Piramide de Lama - Andrea Camilleri
Já havia lido esta estória de Montalbano . Não é das melhores, mas ajuda e recordar Camillleri
RESENHA: Quando um cadáver é encontrado durante uma tempestade, o comissário Salvo Montalbano descobre que vai precisar sujar as mãos (e os pés) para resolver o caso. Conheça A pirâmide de lama, mais um caso da série clássica de Andrea Camilleri.
A chuva que caía em Vigàta era tanta que o comissário Salvo Montalbano não queria se levantar da cama. Porém, uma ligação o obriga a mudar seus planos – e colocar os pés na lama. Em um canteiro de obras deserto, operários encontraram um corpo abandonado no final de uma galeria de túneis. O cadáver está quase despido, tem uma marca de bala nas costas e chegou ao local de bicicleta, que também foi encontrada ali perto. Essas circunstâncias, complementadas pelos relatos de moradores da região, traçam a perspectiva de um crime passional: o homem teria sido confrontado por um dos amantes de sua esposa, que seria o responsável pelo assassinato.
Porém, tudo muda quando a vítima é identificada como Giugiù Nicotra, contador de uma poderosa construtora envolvida em licitações públicas milionárias. Sua morte, que parecia ser um caso à parte, abre caminho para a investigação conduzida por Montalbano, que o coloca diante de empresários influentes, figuras políticas e intermediários sem escrúpulos, todos interessados em encerrar o caso o mais rápido possível.
Para piorar a situação, os mistérios parecem se multiplicar nesse caso. Pessoas surgem e desaparecem em um piscar de olhos, antigos conhecidos dão o ar da graça e pistas promissoras acabam deixando ainda mais pontas soltas pelo caminho. Mas o comissário não se deixa intimidar: entre interrogatórios sutis, diálogos carregados de ironia e reviravoltas que mudam o foco da investigação a todo momento, ele desenterra uma rede de relações perigosas, na qual a verdade raramente interessa e a lama não é apenas uma metáfora.
Andrea Camilleri, mestre do romance policial italiano, constrói aqui uma narrativa em que suspense, crítica social e humor se entrelaçam com precisão. A pirâmide de lama, o vigésimo segundo caso do Comissário Montalbano, é uma história de crime que revela as engrenagens de um sistema em que a corrupção se tornou uma parte indispensável do cenário.
terça-feira, 20 de janeiro de 2026
Leitura- Clássicos Japoneses Sobrenaturais
Excelente compilação de estórias folclóricas japonesas. Vale a pena a leitura. Principalmente para crianças
RESENHA: O folclore e as raízes do horror japonês que inspirou mestres como Junji Ito, Murakami, Nagabe, Yoko Ogawa, Koji Suzuki, Shintaro Kago, Tsugumi Ohba, entre muitos outros Divindades e criaturas sobrenaturais marcam forte presença no folclore japonês e protagonizam inúmeras lendas e narrativas transmitidas de uma geração a outra, mexendo com o imaginário das pessoas. Histórias que exploram elementos fantásticos, assustadores e misteriosos revelam a visão de mundo do povo japonês dos tempos remotos, sua percepção da natureza e dos fenômenos naturais e dá pistas sobre seus medos diante de aspectos desconhecidos e incompreensíveis. Clássicos Japoneses Sobrenaturais reúne 57 contos com temáticas variadas, que vão desde o sobrenatural — que aborda a interação de seres humanos com monstros, fantasmas, deuses, espíritos de elementos da natureza e animais —, passando por narrativas épicas de samurais e grandes figuras, culminando com o horror que deixou marcas profundas na sociedade japonesa. Fruto da pesquisa sobre oralidade de Richard Gordon Smith, o naturalista britânico que enxergou a história por trás da paisagem, a obra foi publicada originalmente em 1908 na Inglaterra. Smith, que pisou o solo japonês pela primeira vez em 1898, chegou ao país com o objetivo de coletar amostras da fauna e flora para compor o acervo de história natural do British Museum. No entanto, as ricas lendas e relatos de caráter extraordinário o encantaram de imediato, levando-o a pesquisar e coletar histórias perturbadoras enquanto percorria o país para cumprir sua missão. O Japão mantivera-se isolado do resto do mundo por mais de 200 anos, durante o xogunato Tokugawa, e havia reaberto seus portos para comércio exterior em 1858, apenas quarenta anos antes da chegada de Gordon Smith ao país. Durante o período de reclusão, o intercâmbio com outros países era bastante limitado, o que fez com que a arte e a cultura japonesa se desenvolvessem praticamente sem influência estrangeira. Embora o país passasse por uma rápida modernização e a presença de estrangeiros se tornasse cada vez mais comum na época da chegada de Gordon Smith, muitas vezes ele foi o primeiro europeu a visitar certas regiões do arquipélago. Mas isso não o impedia de se comunicar com o povo. Contando com ajuda de intérpretes, ele obtinha os relatos das mais variadas fontes. Camponeses, pescadores, monges e crianças que encontrava em sua jornada compartilhavam com ele lendas regionais, testemunhos de acontecimentos misteriosos que se fundiram com o tempo e transformaram relatos reais, histórias de amor, tragédias familiares e toda a herança mística de seus antepassados em uma forma de realidade mágica cativante. Sugawara Michizane e imperador Sutoku, retratados em dois dos contos, são personagens da vida real e figuram entre as “três maiores almas penadas” do Japão, que teriam morrido com tanto rancor e ódio no coração que diversos casos de desgraça e tragédias ocorridas depois de suas mortes são consideradas maldição de seus espíritos. Clássicos Japoneses Sobrenaturais apresenta ainda personalidades históricas como os samurais Akechi Mitsuhide e Saigo Takamori, os pintores Maruyama Okyo, Rosetsu e Tosa Mitsunobu e imperadores Engi e Toba. Gordon Smith, que tinha o plano original de permanecer no país apenas por alguns meses, viveu ali a maior parte das duas décadas seguintes. A obra é uma compilação dos volumosos registros que ele havia feito em seu diário. Em alguns pontos, o autor britânico contesta a conduta de personagens que, do seu ponto de vista, tomam decisões muito radicais. Mas o mais evidente ao longo da obra é a sua admiração pela cultura e pelo senso de valor e honra do povo nipônico. Um trabalho magistral — inspiração para mestres como Junji Ito, Murakami, Nagabe, Yoko Ogawa, Koji Suzuki, Shintaro Kago, Tsugumi Ohba, entre muitos outros — até então inédito, que revela a faceta variada da cultura e tradição do país e apresenta seus medos e anseios, além de uma perspectiva única sobre temas universais, como a morte, o amor, a inveja e a honra.
sábado, 10 de janeiro de 2026
Leitura -Contos dos sábios crioulos - Patrick Chamoiseau
RESENHA: Autor de uma vasta obra que transita entre o romance e o ensaio, vencedor do Prêmio Goncourt em 1992, Patrick Chamoiseau é hoje uma das vozes mais expressivas e politicamente engajadas da literatura francesa. Herdeiro da tradição antilhana de Aimé Césaire e Édouard Glissant, o escritor martinicano, natural de Fort-de-France, se interessa por formas culturais e estéticas de sua ilha natal, em especial a oralidade poética das narrativas crioulas transmitidas por contadores populares. Um dos principais teóricos do movimento da “crioulidade”, sua escrita reflete a complexa realidade linguística e cultural caribenha, se conectando ainda às dinâmicas globais da afrodiáspora e da decolonialidade.
Contos dos sábios crioulos, seu primeiro livro de narrativas curtas publicado no Brasil, remonta ao período escravagista das Antilhas. Associando elementos das culturas africana e europeia, e apresentando personagens humanos ou sobrenaturais, estas dez histórias dão voz a um povo que busca driblar a fome, o medo e a vigilância colonial, ao mesmo tempo em que, por desvios e astúcias, transmitem sua mensagem também aos senhores.
Nessas narrativas de resistência, por vezes recriações da cultura oral popular, o “grito alçado das plantações” — retomando as palavras de Edimilson de Almeida Pereira no posfácio deste volume — ecoa aqui renovado, com a força de um poeta e pensador cuja matéria-prima, a linguagem, é forjada com precisão e criatividade sem iguais.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Leitura -451 No 101
Íntima e impessoal • A Quatro Cinco Um de janeiro traz um especial sobre a escritora inglesa Zadie Smith. Em entrevista a Iara Biderman, a autora fala sobre A fraude, que chegou ao Brasil em setembro do ano passado pela Companhia das Letras. Além da conversa sobre seu primeiro romance histórico, a revista dos livros traz um ensaio de Smith sobre sua relação com a escrita. A tradução é de Camila von Holdefer, que também verteu para o português o romance da autora. Fotografia da capa: Kemka Ajoku.
E.M. Forster • Hugo Gonçalves • László Krasznahorkai • Seichō Matsumoto • Leonardo Padura • Maria Valéria Rezende • Ruth Rocha • Richard Sennett • Domenico Starnone • Marcelo Viana
Mais na edição: um ensaio de Milton Hatoum sobre Lavoura Arcaica e os noventa anos de Raduan Nassar; os brasileirismos na tradução dos versos de Lord Byron, por Leonardo Fróes (1941-2025); a ofensiva conservadora dos Estados Unidos, por Ana Paula Manrique Amaral; o trabalho simples e difícil de ouvir os descartados do país, por Pedro Fernando Nery; e os impactos da lógica influencer no mundo dos livros, por Paulo Roberto Pires.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2025
Leitura -451 No 99
Histórias crioulas • A Quatro Cinco Um de novembro traz um especial sobre autores do Atlântico negro francófono. Entre eles, o francês da Martinica Patrick Chamoiseau, entrevistado por Guilherme Magalhães e resenhado por Elena Brugioni. Mais no especial:
Nathacha Appanah • Aimé Césaire • Jean D’Amérique • Ananda Devi • Françoise Ega • Gaël Faye • Yanick Lahens • Achille Mbembe • Léonora Miano • Lucy Mushita • Sylvia Serbin
E ainda: uma entrevista com Conceição Evaristo, por Jefferson Barbosa e Marcelle Felix; o romance final da trilogia de Milton Hatoum, por Rita Palmeira; o livro da velhice de J.M. Coetzee, por Kelvin Falcão Klein; os 50 anos da morte de Vladimir Herzog, por Camilo Vannuchi; e lançamentos de Milly Lacombe, Ernesto Mané, Sérgio Rodrigues, Bianca Santana e Banana Yoshimoto.
Foto da capa: Sophie Bassouls
Leitura -451no 100
Os melhores livros de 2025 • O clássico especial com as melhores leituras do ano, escolhidas por 175 colaboradores. Entre elas, Caetano W. Galindo, Marília Garcia, Marilene Felinto, Cristina Peri Rossi e o livro de poesia para jovens organizado por Bruna Beber e Fabrício Corsaletti. Mais:
Michel Alcoforado • Sophie Calle • Antonio Cicero • Samantha Harvey • Marlen Haushofer • Vera Iaconelli • Noemi Jaffe • Bruna Dantas Lobato • Adélia Prado • Samanta Schweblin • José Miguel Wisnik
E ainda: uma entrevista com Eliana Alves Cruz, por Adriana Ferreira Silva; a condenação de Bolsonaro, por Claudio Gonçalves Couto; a chacina no Complexo da Penha, por Juliana Borges; o doisladismo da imprensa, por Paulo Roberto Pires; a primeira vez de Fernando Pessoa como outra pessoa, por Carlos Adriano; e lançamentos de Itamar Vieira Junior, Maria Vilani, Edogawa Ranpo, Dawisson Belém Lopes e Marcelo Henrique Silva.
Arte da capa: Igor Bastidas.
terça-feira, 23 de dezembro de 2025
Leitura -A Obra em Negro -Marguerite Yourcenar
Livro dificil de ler inicialmente . Depois vai se desenvolvendo de forma mais tranquila . Não é um obra muito fácil
RESENHA:
A obra em negro é um dos textos mais elaborados e instigantes de Marguerite Yourcenar. O livro ilustra a vida de Zênon, que, renegando sua formação religiosa, abre mão de um futuro estável como membro da Igreja para se dedicar à descoberta das profundezas do ser humano em todas as esferas, tornando-se médico, alquimista e filósofo. A obra conta com a tradução excepcional do poeta Ivan Junqueira.
Leitura- Meridiana - Eliane Alves Cruz
Excelente livro. Eliane sai da mesmice de livro sobre excluidos mostrando que eh possível literatura de alto nível sobre uma familia negra como se fosse branca ,azul ou abobora . Todos que as mesmas questões humanas sem viés politico ou social mas mostrando este viés de forma extremamente criativa
'RESENHA : 'Sair da favela e ingressar na vida de classe média era o grande sonho de Aurora e Ernesto. Esse propósito era alimentado pelo amor e pelo desejo de criar filhos “prósperos, exemplares e respeitados pela melhor sociedade”. Deu certo.Com sua prosa leve e, ao mesmo tempo, precisa, Eliana Alves Cruz constrói uma narrativa engenhosa sobre o processo de ascensão social de uma família negra. Cada personagem — a mãe, o pai, os filhos e a filha — conta a própria história em primeira pessoa. São testemunhos de uma travessia que nunca é igual para ninguém. Ao explorar a pluralidade de vozes, a autora alcança a complexidade que dá ao processo sua fisionomia particular.Em tempos de desigualdades agudas e divisões de toda sorte, é fundamental olhar a realidade sob diferentes ângulos, explorar nuances e identificar caminhos que nos permitam criar um terreno comum de diálogo. Meridiana faz jus ao nome, conecta polos no espaço e no tempo e nos ensina como passar adiante as conquistas que acumulamos, garantindo que as gerações futuras não se percam e sigam ancoradas no chão da vida.Três gerações de um Brasil negro e desigual que, apesar da dor e do trauma, mostra que tem, sim, caminho. Um baita romance, escrito em seis vozes. Um caleidoscópio imperdível! — Bianca SantanaIdentificação e compreensão imediata. Foi assim que Meridiana me chegou. Os dilemas da ascensão social são retratados em detalhes tão particulares e íntimos que pareceram uma memória viva de minha casa. Questões comumente enfrentadas por uma pessoa preta ao adentrar novos círculos sociais surgem de um modo tão fiel que até arrepia. É o tipo de livro que dá vontade de economizar páginas, pra ficar lendo mais tempo. — Lázaro Ramos''
terça-feira, 16 de dezembro de 2025
Leitura- Um Rio que vem da Grecia - Carlos Moreno
Li este livro por conta do podcast Mitos Gregos . Com base na mitologia grega vários aspectos da vida são abordados de forma a ler casos e eventos sob a otica mitologica . Bem legal
RESENHA : Se eu devesse classificar este livro de Cláudio Moreno, diria enfaticamente: É um livro delicioso! Seduz na primeira página, abre janelas novas sobre realidades que a gente vinha banalizando e, por isso mesmo, transforma a nossa visão. É uma leitura que melhora nossa perspectiva, nos deixa mais alegres, mais alimentados intelectualmente e emocionalmente confortados. Nesta hora de violência e medo, imprevisto e susto, insegurança e perplexidade, o rio que nos chega da longínqua Grécia não é alienante mas integrador. Ele nos coloca num mundo que não passou nem vai acabar, porque tem algo de universal e mais que isso: atemporal. É o mundo dos significados que se erguem acima do raso e do reles, vão além do frívolo e do banalizado, sem por isso ficarem fora do nosso alcance de simples mortais. Com sua prática de professor, sua sabedoria de erudito e sua simplicidade de ser humano que está acima das vaidades acadêmicas ou competições literárias, Moreno nos leva a passear por uma alameda de significados que já eram nossos, nos pertenciam, faziam parte de nossa vida como as pedras da calçada ou as árvores da praça – mas a gente nem sabia. Nossa cultura, ou a maior parte dela – cultura significando não apenas o que está em livro, universidade ou banco de escola, mas no ar que respiramos, na língua que falamos, no modo como vivemos –, vem da velha Grécia, como o rio mencionado no título desta obra. Concretamente estamos embarcados nele, navegamos nessas águas. Moreno nos aponta, aqui e ali, pedras, peixes, plantas, indica o rumo dos ventos e o aroma da brisa. São histórias que dão sentido a termos, personagens, que encontramos em comentários diversos, em literatura, em filme, tevê, até em conversa de amigos, mas ficamos no ar sem saber ao certo o que representam. De repente, nas páginas deste livro, estão ao nosso alcance: divertidos ou trágicos, sempre tão humanos quanto nós, de carne e osso. Lugares que pareciam mágicos são reais. Acontecimentos que imaginávamos fantasiosos ocorreram, com vozes, cheiros, ruídos, sangue e pranto. Gente que andou, viveu, amou, morreu – como nós. E nos deixou seu legado de riqueza psíquica e emocional nestas breves histórias, crônicas ou seja lá o nome que a gente queira lhes dar: comoventes, ilustrativas, brilhantes, ternas, abrindo portas e janelas; de um lado, atiçando nossa inquietação; de outro, satisfazendo nossa curiosidade. Cada página é um presente desse mestre, desse amigo, desse modestíssimo e simpático sábio que é Cláudio Moreno, a quem louvo mais uma vez. Lya Luft
quarta-feira, 3 de dezembro de 2025
Leitura-Gótico Nordestino - Cristhiano Aguiar
Achei confuso. Não estava num bom mood para leitura deste tipo de literatura . Da para o gasto . Mas parece nao chegar a algum lugar
RESENHA: Em nove contos, Cristhiano Aguiar mergulha nos elementos góticos e folclóricos — buscando referências nas séries televisivas, no cinema e nos quadrinhos — para criar narrativas vibrantes e inesperadas, que fogem da prosa literária tradicional. As histórias vão desde os tempos do cangaço, passando pela ditadura militar e chegando até os ecos sombrios de um futuro próximo.Um menino é obrigado a cruzar o descampado perto do vilarejo de Riachão da Frente para levar uma carta que a mãe escreveu a Zé Barbatão, o cangaceiro local. Na madrugada, as sombras no caminho e a ameaça do bando crescem conforme a narrativa avança, e a realidade parece a ponto de se romper. “Anda-luz”, história que abre este volume, prenuncia o que virá nos oito contos seguintes.Em Gótico nordestino, Christiano Aguiar caminha entre o sonho e a vigília, dialoga com outros gêneros e compõe um livro totalmente distinto do usual.''Gótico nordestino se insere em lugar de destaque na nova leva de narrativas de horror, reinventando os medos atemporais a tudo que escapa da racionalidade. Cristhiano Aguiar irmana-se a nomes como Mariana Enríquez e Samantha Schweblin ao buscar uma síntese entre a cultura pop anglófona e as peculiaridades sociopolíticas de seu espaço na América Latina, produzindo uma obra de frescor e potência que mostra que o terror é a verdadeira chave para compreender a época em que vivemos.'' — Antonio Xerxenesky
segunda-feira, 1 de dezembro de 2025
Leitura- Dois mortos e a Morte - Tanto Tupiassu
Gostei do livro.Contos inusitados e criativos
Resenha: Curiosa, surpreendente, devastadora, inexplicável — são todas palavras que poderíamos usar para descrever tanto a morte quanto esta coleção de histórias a seu respeito. Algumas tratam do extraordinário, como anjos enganosos, figuras funestas ou maldições; em outras, o mero cotidiano é a fonte de horror: a perda de um filho, a pobreza extrema, um acidente no mar, uma ida particularmente incômoda ao dentista. De um jeito ou de outro, a morte ronda os personagens, às vezes catástrofe, às vezes descanso, às vezes passando longe de ser o fim.
Nestas páginas, pequenas vilas do interior do Pará se tornam cenário de tragédias insólitas, o purgatório toma formas improváveis enquanto os mortos se agarram a uma vida já acabada, os vivos choram sem fim a perda súbita de entes queridos e vampiros pragmáticos caçam suicidas pela cidade.
Famoso por seus causos de assombrações e visagens, o jornalista, influenciador e podcaster Tanto Tupiassu traz nesta coletânea histórias que tratam do fim em suas diferentes facetas; seja como tragédia familiar, como última consequência de vidas sofridas ou como punição exercida por seres sobrenaturais. Invocando seu tom de contador de histórias, Tanto parece narrar casos que aconteceram com um amigo, um primo, um colega de trabalho... e, por sorte, não com a gente. Pelo menos dessa vez.
"A habilidosa narrativa de Tupiassu desdobra a experiência da morte em contos que transitam entre o terrível e o insólito, entre o que diverte e que é capaz de arrepiar até os mais céticos." - Aline Valek, autora de As águas-vivas não sabem de si e Cidades afundam em dias normais
"O intrigante universo deste livro se situa no limiar entre a vida e a morte, numa região de névoa onde tudo pode acontecer — e acontece." - Rosa Amanda Strausz, autora de A cabeça cortada de Dona Justa
"Só lida bem com a morte quem sabe viver a vida, e Tanto Tupiassu entende das duas coisas. Este livro flerta com o melhor de cada lado, o daqui e o de lá. Vale cada página! Me senti do outro lado várias vezes..." - Ilana Casoy, roteirista e coautora de Bom dia, Verônica
"Histórias que vão perturbar quem as ler — e também os espíritos que leem por cima do ombro." - Luisa Geisler, coautora de Corpos secos
"Tanto Tupiassu usa a ficção para embolar os limites da realidade e desafiar a morte." - Gregorio Duvivier, humorista, roteirista e escritor
domingo, 23 de novembro de 2025
Leitura - O Bom do Alzheimer- Claudia Alves
Criadora do canal O bom do Alzheimer, com mais de 1 milhão de inscritos em suas redes sociais, Claudia Alves conta como a doença transformou a relação com sua mãe, Francisca, e trouxe à tona uma nova forma de amar.
Livros de boas dicas e recomendações para quem eh cuidador .
Resenha :
Este livro é um guia para quem busca transformar a convivência com seus entes queridos, trazendo não só orientações úteis, mas também inspiradoras reflexões sobre como criar momentos de alegria e grande beleza.
É também um convite para enxergar o Alzheimer de uma nova maneira e descobrir que, mesmo nas dificuldades, há espaço para amor, aprendizado e superação.
Durante anos, Claudia Alves e sua mãe, Francisca, viveram sob o mesmo teto, dividindo a rotina, mas sem demonstrações frequentes de afeto. Nem mesmo os momentos difíceis da infância e adolescência de Claudia foram capazes de estreitar os laços entre as duas.
Tudo mudou em 2010, quando Francisca foi diagnosticada com Alzheimer, aos 76 anos. Mas, em vez de enxergar a doença apenas como uma perda, Claudia viu nela uma oportunidade única de ressignificar sua relação com a mãe.
Conforme as memórias de dor se apagavam, um novo vínculo foi construído, feito de carinho, paciência e dedicação. Aos poucos, mãe e filha aprenderam a se comunicar por meio do amor, tornando a convivência mais leve e repleta de momentos felizes.
A experiência transformadora levou Claudia a criar um método de cuidado amoroso que já ajudou milhares de famílias a enfrentarem o Alzheimer com mais humanidade e empatia. Hoje, sua história inspira aqueles que buscam fortalecer os laços familiares, mesmo diante dos maiores desafios.
sábado, 22 de novembro de 2025
Leitura- O Punho e a Renda -Edgard Telles Ribeiro
Resenha :
'O punho e a renda' mergulha nos bastidores das embaixadas e revela suas tensões e disputas. A ação mescla espionagem, política e truculência militar a desbunde e provocações. O autor traça um retrato de Max, jovem que ingressa no serviço diplomático brasileiro e, por suas habilidades especiais, é cobiçado por olheiros de mais de um serviço secreto. A trama passa por Inglaterra, Uruguai, Chile, Estados Unidos e, é claro, Brasil.
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
Leitura- Não há pássaros aqui - Victor Vidal
Excelente romance . Conseque transmitir toda sensação de opressão psicologica em que vivem seus personagens . Parece uma luz de literatura num ambiente tão autobiofrafico e factual da literatura brasileira .
RESENHA :
Vencedor do Prêmio LeYa, este romance de estreia olha para as relações familiares com linguagem visceral.Ao receber um telefonema dizendo que sua mãe havia desaparecido após protagonizar uma série de escândalos na vizinhança (como tentar arrastar uma criança para dentro de sua própria casa), Ana precisará retornar ao endereço onde jurou jamais colocar os pés novamente. O que encontra ao entrar na casa da mãe a surpreende: pegadas de lama pelo chão, lixo por toda parte, móveis destruídos. O que teria acontecido com Andrea durante os cinco anos em que as duas cortaram contato uma com a outra? Estreia gloriosa de Victor Vidal, Não há pássaros aqui é uma meditação — frequentemente dolorosa, mas sempre esclarecedora — sobre como aquilo que vivemos na infância pode ter as mais inesperadas consequências durante a vida adulta.
Leitura - Histórias de Gil Blas de Santillana - LESAGE
Bem engraçado. altamente crítico mantendo o espírito de romances da época. Mantém semelhança na forma com Contos de Canteburry e Decamerão ...
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Excelente livro de contos indígenas apesar de excessivamente curto. Resenha: Na apresentação do livro Contos indígenas brasileiros, publ...
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Resenha:Poéticos, vivazes e intensos: assim são estes catorzes contos de Voando para casa e outras histórias, de Ralph Ellison, autor venc...













