RESENHA: As doze histórias que compõem Erva brava orbitam ao redor de Buriti Pequeno,
cidade fictícia incrustada no coração de Goiás. Paisagem rara em nosso
repertório literário, o Centro-Oeste brasileiro é palco de embates silenciosos,
porém aguerridos, retratados neste livro com sutileza e maestria. Regido pelo
compasso da literatura — que se ocupa de levantar perguntas, mais do que
oferecer respostas —, a escritora brasiliense Paulina Tort evidencia o nervo
exposto de um país que desafia todas as interpretações.
Estão ali as relações patriarcais como a de Chico e Rita, em “O cabelo das
almas”; a monocultura da soja que devasta o cerrado; o clientelismo rural
que separa mãe e filha em “Matadouro” e a religiosidade sincrética de Dita,
protagonista do conto “O mal no fundo do mar”. O rico encontro entre as
culturas indígena e afro-brasileira também está em todas as histórias, as festas
populares, como o cortejo de Reis que Neverson acompanhada de sua moto em
“Titan 125”. E, num conto final que coroa o livro como poucas coletâneas
conseguem fazer, está também a revolta implacável da natureza diante da
ação predatória do homem em “Rios voadores”.
A precisão e a cadência do texto nos convidam a ler em voz alta a prosa
cristalina e imagética de Pa
ulliny Tort. Por trás de uma escrita despretensiosa
como os personagens de seus contos, ela revela a ironia necessária para dar
conta, sem caricaturas ou preconceitos, de um país cruel e encantador.
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