quinta-feira, 30 de abril de 2026

Leitura- Gosma Rosa - Fernanda Trias



É um bom livro. Razoável, mas tedioso. 


RESENHA: Gosma rosa é uma metáfora poderosíssima de um mundo afetivo em crise, onde tudo está a ponto de fundir-se, ainda que se sustenha por fios débeis da memória, da ternura, da solidariedade e do esforço para chegar a um lugar onde a vida seja outra coisa. A linguagem está carregada de um alento poético, que ao mesmo tempo é concreto, sabiamente apoiado nos detalhes. A leitura desta obra singular resulta em uma voz estimulante e perturbadora, e depois de fechá-la suas imagens seguirão perseguindo-nos por muito tempo, com sua carga de beleza e melancolia. É realmente extraordinário.


Piedad Bonnett



À metade do caminho entre uma distopia clássica, como 1984 ou Fahrenheit 451, e uma das magníficas novelas de catástrofes de J.G. Ballard, El mundo sumergido ou La sequía, Gosma rosa conta a história de uma mulher e sua solidão, de um cataclismo ecológico e um mundo arruinado, da maternidade, da fome e do silêncio. Com uma arquitetura sutil de camadas e mecanismos, e sempre intensa e evocativa, esta obra atravessa os gêneros (ciência, ficção, distopia, ecocatástrofe) e se instala em um território único, à borda do horror, mas sem se submergir nesse abismo: um espaço desolador, mas não livre de esperança. Fernanda Trías conseguiu criar um espelho em que se observa este tempo tão estranho que nos tocou viver, e nos presentear com o melhor de seus romances.

Ramiro Sanchiz

domingo, 26 de abril de 2026

Leitura- Onde estivestes esta noite- Clarice Lispector

 


Acho a Clarice excessivamente introspectiva com capacidade de transcrever os fluxos mentais e criativos com extrema criatividade. Mas em algumas situações se torna enfadonha. Tem uma visão sobre a vida que parece estar no sex 21 e não no 20 quando escrevia, muito à frente. Esta difícil me entender com ela 





Resenha: Os textos reunidos em Onde estivestes de noite desenham um conjunto heterogêneo, onde é possível identificar o tom das crônicas que Clarice Lispector publicava semanalmente em sua coluna do Jornal do Brasil de 1967 a 1973, reunidas em A descoberta do mundo (1984), como também certa crueza e humor que os aproxima daqueles publicados na mesma época em A via crucis do corpo (1974). Alguns dos textos, além disso, sofreram um deslocamento, pois já tinham sido publicados anteriormente (“Esvaziamento” e “Um caso complicado”), outros foram extraídos de romances e submetidos a ligeiras modificações, procedimentos que indiciam a urgência que a autora tinha de escrever para garantir sua sobrevivência. Passo a passo, as narrativas vão compondo uma cartografia de impressões, sensações, notícias da vida carioca, onde figuram também amigos, referências afetivas e artísticas – Alberto Dines, Fauzi Arap, Raul Seixas, Marly de Oliveira, Nelson Rodrigues, Roberto Carlos, Angela Pralini, personagem que reaparece em Um sopro de vida, e também a escritora, uma “tal de Clarice”–, formando uma série de flashes fotográficos que cristalizam, em imagem, um instante no movimento sem parada da existência. É, aliás, movimento o eixo que enlaça as narrativas desta coletânea. As personagens estão sempre em trânsito. O movimento tanto pode ser obstinadamente direcionado, como pode carecer de leme, pode ter como horizonte a vida, ou a morte. Em qualquer circunstância, no entanto, há um sentimento de solidão e uma zona de silêncio que atravessam essas pequenas peças, o que não impede a narradora de “O relatório da coisa” de dizer: “Acorda-me, Sveglia, quero ver a realidade”, e continuar em frente. - BERTA WALDMAN, Profª de Literatura Brasileira e Teoria Literária – UNICAMP/USP"


quarta-feira, 22 de abril de 2026

Leitura- A Patroa - Patiece Portefeux

 


Livro razoável . Fiquei de má vontade quanto vi o furo que ela deu na Flip dizendo que o Brasil não poderia entender algumas coisas pois não tinha pré-história. Eurocêntrica até o talo 



Patience Portefeux é uma especialista em língua árabe que presta serviço para a justiça francesa. Traduzindo conversas de traficantes grampeados em escutas telefônicas, ela trabalha o quanto pode para garantir sozinha o sustento das filhas e os custos da mãe numa clínica de idosos. Quando um incidente a torna a única pessoa a saber o paradeiro de uma grande carga de drogas, Patience percebe que sua posição a deixa sempre um passo à frente da polícia e dos criminosos. Com a perspectiva de resolver seus problemas imediatos e quem sabe resgatar uma vida de luxo perdida, ela entra para o mundo do crime e se torna, então, a Patroa.

domingo, 19 de abril de 2026

Leitura -Música de mortos suaves -Ricardo Guilherme Dicke

 






Contos são de temática muito criativa, mas achei a escrita extremamente rebuscada


RESENHA: Organizado postumamente, Música de mortos suaves, de Ricardo Guilherme Dicke, grande nome da prosa brasileira, reúne catorze contos — doze deles inéditos — encontrados por Rodrigo Simon de Moraes ao vasculhar os alfarrábios deixados pelo autor após sua morte, em 2008.

Natural de Chapada dos Guimarães e figura central da literatura mato-grossense, Dicke construiu ao longo da vida uma obra marcada pela experimentação, pelo mergulho no inconsciente e por uma prosa que desafia os limites do real. Essa reunião de contos se impõe como uma porta de entrada poderosa para seu universo literário, dialogando tanto com a tradição quanto com o delírio. O conto que dá título ao livro inaugura a atmosfera que atravessa todo o volume: um território onírico, entre o surrealismo e o realismo mágico.

“Nestes contos encontrados no espólio do autor, anteriores à sua estreia no romance com Deus de Caim em 1968 — chancelada pelo Prêmio Walmap, cujos jurados eram ninguém menos que Guimarães Rosa, Jorge Amado e Antonio Olinto —, vibram com eloquência as rigorosas obsessões de Ricardo Guilherme Dicke, o sertão, a morte, o sexo e a fúria da linguagem, em palavras rutilantes como esmeraldas na escuridão da mina.” Joca Reiners Terron, na orelha de Música de mortos suaves

sexta-feira, 17 de abril de 2026

Leitura- Nossas Noites = Kent Haruf

 

Uma leitura delicada que mostra como podemos aproveitar os pequenos momentos simples da vida de forma a tornar todos muito especiais. Boa leitura 

RESENHA: 

Em Holt, no Colorado, Addie Moore faz uma visita inesperada a seu vizinho, Louis Waters. Viúvos e septuagenários, os dois lidam diariamente com noites solitárias em suas grandes casas vazias. Addie propõe a Louis que ele passe a fazer companhia a ela ao cair da tarde para ter alguém com quem conversar antes de dormir. Embora surpreso com a iniciativa, Louis aceita o convite.

Os vizinhos, no entanto, estranham a movimentação da rua, e não demoram a surgir boatos maldosos pela cidade. Aos poucos, os dois percebem que manter essa relação peculiar talvez não seja tão simples quanto parecia.

Neste aclamado romance, Kent Haruf retrata com ternura e delicadeza o envelhecimento, as segundas chances e a emoção de redescobrir os pequenos prazeres da vida — que pode surpreender e ganhar um novo sentido mesmo quando parece ser tarde demais.


domingo, 12 de abril de 2026

Leitura- O fim do Alzheimer - Dale E Bredesen


 Um livro mais orientado a quem quer evitar a doença o e não para quem já tem a mesma num nível alto 


RESENHA: O guia prático e cientificamente comprovado para reverter e prevenir o declínio cognitivo. Do autor de O fim do Alzheimer, best-seller do New York Times, e com prefácio de dr. David Perlmutter, autor de A dieta da mente.

Em O fim do Alzheimer, o renomado neurologista dr. Dale E. Bredesen apresentou a ciência por trás de seu protocolo inovador. Agora, ele descreve em detalhes o programa que usa com os próprios pacientes. Lançando luz sobre hábitos alimentares, sono, exercícios físicos, testes laboratoriais, entre outros, o dr. Bredesen identifica os potenciais fatores que contribuem para o declínio cognitivo e esclarece como agir em relação a eles.

Com histórias inspiradoras de pacientes que reverteram o Alzheimer e agora estão prosperando, este livro muda o paradigma do tratamento e oferece uma maneira nova e eficaz de melhorar a cognição, bem como uma esperança sem precedentes para quem sofre da doença.

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Leitura- Assin na terra como embaixo da terra - Ana Paula Maia

 

Excelente escritora. É bom ver a literatura explorando temas e nichos não tão considerados pela crítica com tanta qualidade


RESENHA: Uma colônia penal isolada – um terreno com um histórico tenebroso de assassinato e tortura de escravos –, construída para ser um modelo de detenção do qual preso nenhum fugiria, torna-se campo de extermínio. Espécie de capitão do mato/carcereiro, Melquíades é o algoz dos presos, caçando e matando-os como animais, apenas por satisfação pessoal. Os presos, cada qual com sua história, estão sempre planejando a própria fuga, sem saber se vão acabar mortos pelos guardas ou pelo que os espera do lado de fora da Colônia.

Leitura - Murilo Rubião - Obras Completas

  Esculpidor da escrita. Seus contos são uma perfeição apesar do fantástico. Além de tudo tem muito humor e crítica feroz  RESENHA : Sucesso...