quinta-feira, 18 de junho de 2026

Leitura-Guerra das gueixas- Nagai Kafu

 


Vale a leitura para entender a época retratada com um viés de erotismo incomum para os padrões japoneses e uma visão do mundo da prostituição japonesa

RESENHA: Publicado originalmente entre 1916 e 1917 no jornal literário Bunmei, Guerra de gueixas foi uma obra bastante ousada para a época – desde sua primeira edição em livro, ainda em 1917, até os anos 1960, só circulou a edição “censurada”, em que as passagens tidas como eróticas tiveram de ser removidas. Nada que hoje causasse maior furor, mas as pequenas historietas que compõem a trama central, notadamente os relacionamentos entre as gueixas e seus clientes, carregam de fato muito de uma promiscuidade na sociedade japonesa comum, mas sobre a qual não se falava – ou se escrevia. Ambientada em Shinbashi, Tóquio, tido como o bairro da prostituição, a história tem como personagem central Komayo, uma gueixa que por muitos anos ficara afastada da vida de libertinagem ao se casar. Mas, tendo se tornado viúva ainda relativamente jovem, teve de voltar ao velho ofício em Shinbashi. Nesse recomeço como gueixa, Komayo passa a ter de disputar com algumas rivais a condição de ser vista como a melhor dançarina da área. Ao mesmo tempo, vê-se envolvida numa teia de relações amorosas, envolvendo um antigo cliente, um velho rico e um jovem onnagata – ator de kabuki que encarna papéis femininos. A forma como o autor desenvolve uma série de personagens secundários, entre escritores, atores, criadas, cafetinas e outros tipos, além de descrever com muita propriedade a engrenagem de costumes e mecanismos das relações entre os homens e as gueixas, pintam um painel fascinante da Tóquio boêmia do início do século XX. Favores, traições e vinganças acabam por compor a descrição de uma época e um lugar, vista como um dos ideais estéticos do autor.

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Leitura- a arvore mais sozinha do mundo - Mariana Salomão Carrara



Me interessei pelo livro com base numa entrevista com Mariana na 451.Como sua visão particular do mundo e sua forma de viver. Belíssima escritora. Merecido prêmio que recebeu. Usa os objetos para descrever sua crítica social embalada na estória da família




RESENHA : 

 Em uma pequena roça no Sul do país, a vida segue o seu curso. O cultivo do tabaco dá sustento a Guerlinda, Carlos e seus filhos, que dia após dia enfrentam as oscilações da natureza, esguichando venenos e adubando as vergas para que as folhas cresçam e atinjam a qualidade ideal.


Na angústia da espera — e em meio a investidas das poderosas empresas que dominam o mercado fumicultor —, ainda é preciso decifrar os códigos da infância e da adolescência e aprender a complexa linguagem do amor. Alice, a filha mais velha, deseja participar do tradicional concurso de beleza Musa do Sol, e sua resistência ao trabalho inflama a difícil relação com a mãe; Maria é a irmã do meio e a única que frequenta a escola, porém vive em um mundo à parte; e Pedrinho, com seus quase três anos, ainda não conseguiu falar, mas já participa da rotina nas plantações entre as densas nuvens de agrotóxico, que em tudo se infiltra.

Quando chega a época da colheita, os dias se transformam e a família recebe ajuda da mãe de Guerlinda, Elvira, que mesmo com seus estímulos e sua peculiar ternura parece incapaz de emendar a casa tomada por silêncios incômodos e perdas iminentes.

Neste romance, Carrara joga com as formas narrativas e constrói o enredo a partir da visão de objetos que rodeiam a casa: o espelho lusitano, na sala; a roupa de proteção, que acompanha os filhos na lida com os defensivos agrícolas; a velha caminhonete Rural da família; e a árvore que observa tudo do alto, no quintal em frente à propriedade. Com uma prosa a um só tempo corrosiva e calorosa, que destila um humanismo inabalável, A árvore mais sozinha do mundo é o retrato de um país que encobre — de norte a sul — as suas mazelas mais profundas.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

Leitura- As Malditas - Camila Sosa Vilada

 


2o livro que leio e me pareceu a mesma estória contada de forma similar. A da Moira me pareceu mais literária que a da Camila

Resenha : Romance que consagrou a autora como uma das mais importantes vozes literárias da atualidade. A história de existências que, oprimidas pela violência e pelo preconceito, reivindicam seu direito à felicidade com fúria e ternura inesquecíveis.

“O livro mais importante que li sobre sexualidade desde Jean Genet. Desafia todos os quadros atuais da política e da literatura, é um fragmento do futuro.” — Édouard Louis

“Divertido, trágico, político e cheio de maravilhas. Faz você entender a vida dessas mulheres e o encantamento e a dor de ser diferente e rejeitado. É cheio de orgulho e lindamente escrito. Vai partir seu coração e ao mesmo tempo fazer você querer rir e dançar numa mistura de amor e tristeza.” — Mariana Enríquez

“Travestis personificam o sonho: se elas existem, tudo é possível.” — Amara Moira

Inspirando-se em vivências reais, Camila Sosa Villada narra neste livro a busca de sua personagem por pertencimento desde a infância no interior, quando sonhava em despertar “convertida na mulher que quero ser”.

O pai bêbado e violento a adverte de que terminará morta jogada numa vala. Ao chegar em Córdoba para estudar, conhece as trabalhadoras sexuais do parque Sarmiento e descobre que ser travesti, apesar de todo ódio e fúria, também pode ser uma festa. E é aí que insistem em lhe dizer o óbvio: “Você tem o direito de ser feliz”.

A narradora conta sua história — e a de diversas outras figuras inesquecíveis — com uma prosa de vigor quase milagroso, mesclando a crueza dos fatos com os encantos da imaginação, casando a violência da palavra exata com o alento da poesia. Romance de estreia de Camila Sosa Villada, responsável por transformá-la em uma verdadeira estrela literária, As malditas é uma peça poderosa de sonho, dor e, sobretudo, resistência.

Leitura- Apesar de meus ossos roídos- André Viana

Excelente romance. no mesmo esquema de Armadilha para Lamartine e tão criativo quanto . Recomendo RESENHA:   O aguardado retorno de André Vi...