terça-feira, 8 de outubro de 2024

Leitura- O Turista Aprendiz - Mario de Andrade

 Depois de ler Macunaíma me interessou ler mais de Mario de Andrade. Eh um exercício de curiosidades brasileiras de um Brasil que nao se vê mais , infelizmente 




Resenha : O Turista Aprendiz'' é uma obra do escritor brasileiro Mário de Andrade, publicada em 1929. Neste livro, o autor propõe uma viagem pelo Brasil, explorando suas diversas regiões, costumes, tradições e manifestações culturais. Com um olhar atento e curioso, Mário de Andrade nos guia por um país rico em diversidade.

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Leitura- Mil e uma noites -Traduzido do árabe - Mamede Mustafá Jarouche

 


Um dos melhores livros já feitos pelo homem. Todos deveriam ler 




Resenha : Imaginemos um jogo entre pessoas cultas, em que cada participante eleja os dez maiores clássicos da literatura universal. Não importa o lugar, não importa a época, não importam as pessoas: o único título comum a todas essas listas será, necessariamente, o Livro das mil e uma noites. Embora seja uma obra essencialmente árabe, pelo espírito e pela língua, muita gente ainda parece obstinada em lhe apontar as “fontes”, que vão buscar na Índia ou na Pérsia antiga. Com isso, negam aos árabes o mérito de uma de suas maiores criações.

É curioso que esses mesmos sábios nunca tenham se preocupado em encontrar as fontes árabes de clássicos como o Decamerão, a Divina Comédia, o Poema de El-Cid, o Livro do Conde Lucanor e mesmo Robinson Crusoé — todos eles recheados de histórias, argumentos e ideias preexistentes na literatura árabe. É, como se percebe, uma discussão estéril. Mas houve mesmo um livro persa das Mil noites (que infelizmente se perdeu); e, antes dele, um livro árabe das Mil noites, de que nos resta um quase ilegível fragmento. Estão neles as mais antigas referências a uma célebre contadora de histórias — que adia, com sua arte, noite após noite, a própria morte. Falo, naturalmente, de Xerazade.

Não é dela, contudo, a primazia. Velhos contos beduínos, que circulavam séculos antes, narram casos de condenados à morte que se salvavam contando histórias extraordinárias. Há nisso uma teoria bem sutil: a de que a vida humana só é comutável com a ficção; que o homem é, portanto, sua própria narratividade. Mas é uma circunstância aparentemente fortuita que faz das Mil e uma noites o mais árabe dos livros. Na longa história da composição e transmissão da obra, houve um momento em que certo copista (e talvez também autor) decidiu mudar o título de Livro das mil noites para o das Mil e uma noites. Criou, talvez, o título dos títulos. Mas, o que teria vindo à mente do copista, para pôr uma noite a mais num livro que já tinha mil?

Desde os tempos pré-islâmicos, os árabes associam os múltiplos de dez à perfeição, à plenitude, a coisas que estão completas. E basta, como exemplo máximo, lembrar que Allah tem nada menos que cem nomes. O acréscimo da unidade a números como cem ou mil é, segundo o mesmo princípio, um signo do infinito. O Livro das mil e uma noites é, portanto, um título subversivo: se a perfeição divina pode estar contida no Alcorão, as Mil e uma noites são a tentativa de fazer a infinitude humana ser contida também num livro único.

Há muito tempo a comunidade de língua portuguesa — idioma que tanto deve ao árabe — merecia uma tradução digna da grandeza do livro. Mamede Mustafa Jarouche acaba de concluir essa proeza. Nosso tradutor pertence a uma classe de intelectuais cada vez mais raros: a dos que são capazes de ir a bibliotecas do outro lado do mundo para compulsar manuscritos; que não apenas conhecem um idioma, mas dominam sua história; que não apenas estudaram uma literatura, mas sabem cabalmente inseri-la no imenso âmbito da cultura universal.

Além de enriquecida com notas e apêndices que nos ajudam a compreender a gênese e os aspectos mais complexos do texto, esta tradução tem o mérito de recuperar todo o sabor do original, livrá-lo de todas as censuras, restituir sua sabedoria, sua licensiosidade e, principalmente, o seu bom-humor.

sábado, 21 de setembro de 2024

Leitura - 451 n# 85

 




Mais uma excelente 451 . Me interessei por Rui Tavares e seu Blog/livro : Agora , Agora e mais agora. Como sempre dica de PR

Leitura- Pedacinhos - Shintaro Kago

 


Realmente a criatividade e o inesperado fazem de usa obra algo surpreendente. Não eh para qq pessoa . Mas eh muito bom



Resenha : O grande nome do body horror japonês na DarkSide® Books

Uma série de assassinatos assusta os moradores da região do distrito de Setagaya, em Tokyo, onde são encontradas mulheres com os corpos divididos ao meio. O autor dos crimes, ainda não identificado, é apelidado de Maníaco Fatiador.

Pedacinhos se desenrola em meio a esses misteriosos assassinatos, alternando duas narrativas paralelas ― episódios ficcionais que se entrelaçam com a própria vida do mangaká. Uma delas é contada pela perspectiva de Kotaro, um garçom aficionado por filmes de terror, enquanto a outra apresenta Shintaro Kago, o próprio autor da história, que se incorpora à trama como um artista em meio a uma crise, buscando experimentar novos estilos de mangá.

Um dos principais autores japoneses de mangá ero guro ― gênero que enfatiza as dimensões eróticas e grotescas ―, Shintaro é também o grande representante do body horror oriental, quebrando tabus e se dissociando da realidade. Considerando a bagagem do autor, é com naturalidade que sua editora propõe a ele, dentro da narrativa, que desenhe um mangá inspirado nos casos de esquartejamento de mulheres perpetrados pelo Maníaco Fatiador.

Contudo, o que o mangaká busca é algo mais ousado: criar um mangá de mistério usando técnicas específicas que podem ser empregadas apenas em quadrinhos, a fim de abrir novos caminhos e surpreender o leitor. Partindo da autoficção, o personagem Shintaro Kago começa a analisar os principais aspectos e truques geralmente usados na literatura e em filmes de mistério e horror, como as obras de Agatha Christie e Dario Argento, estudando as possibilidades e limitações para o seu trabalho.

Enquanto isso, Kotaro e sua colega Fujioka conduzem investigações sobre os assassinatos em série, mas acabam envolvidos em eventos sinistros, e o caso toma um rumo ainda mais intrigante. Quando as duas narrativas se cruzam, todos os mistérios convergem para uma conclusão arrebatadora, como não poderia ser diferente numa obra do autor, marcada pela imprevisibilidade.

Não por acaso, Pedacinhos conquistou o 3º Prêmio Mundial Baka-misu, concedido a obras de mistério nas quais a ênfase está não só no suspense e na sua solução, mas sobretudo em proporcionar entretenimento por meio de tramas que desafiam a lógica, muitas vezes tendendo para o absurdo. Um livro para quem se encanta pelo mestre Junji Ito e pelos contos de Fragmentos de Horror .

O volume contém outros quatro contos: “O Homem que Retornou”, que retrata o dia a dia de um veterano de guerra com deficiência física e sua mulher; “Tremor”, em que as pessoas desenvolvem espasmos que não conseguem controlar; “Colapso”, sobre uma mulher atormentada por estranhas obsessões, e “Comichão”, que mostra como a sensação de desconforto pode ser relativa.

A singularidade desta obra está na habilidade do autor em mesclar o grotesco com o humor, brincando ao construir não apenas uma história de detetive, mas transformando a própria narrativa em um grande quebra-cabeça, onde não podemos confiar no que vemos. Sua abordagem, que não se limita ao bizarro, brutal e erótico e sempre procura inserir aspectos cômicos, não só tem forte influência de Monty Python, grupo britânico de humoristas que ganhou notoriedade fazendo sátiras e comédias de conteúdo surreal e absurdo, mas sobretudo de Yasutaka Tsutsui, escritor japonês de ficção científica conhecido pelo estilo nonsense e pelo aguçado senso de humor ácido.

quinta-feira, 12 de setembro de 2024

Leitura- A História do mundo em 100 objetos

 

784 páginas e 1,5 kg de peso não eh para qq um. Mas vale a pena o esforço físico para ler este livro . Excelente 



Resenha : Em 'A história do mundo em 100 objetos', viajamos de volta no tempo e cruzamos o globo terrestre para ver como o ser humano moldou o mundo e foi moldado por ele nos últimos dois milhões de anos. A obra conta a história da humanidade a partir de cem objetos escolhidos no acervo do museu, todos de diferentes momentos da nossa jornada. O historiador Neil MacGregor nos conduz pelos mais variados artefatos que o homem produziu, concebidos cuidadosamente para diversos usos. Apresentando desde as tabuletas de argila para escrever até o onipresente cartão de crédito da atualidade, este livro é um olhar inusitado e profundamente revelador sobre a nossa civilização.

sábado, 31 de agosto de 2024

Leitura- Contos Fantàsticos Japoneses - Coletânea de Márcia Hitomi Namekata

 


Muitos contos já conhecia . Mas acho incrível a mitologia japonesa riquissíma  


Resenha: Nesta edição, juntamos toda a admiração que os japoneses têm pela natureza, expressa nas estações em forma de contos que tem alguma relação com a primavera, o verão, o outono e o inverno, seja ela mais íntima, apenas um cenário ou quem sabe relações sutis do enredo…

Foram selecionados 33 contos fantásticos tradicionais japoneses que, de alguma forma indicam as estações em que ocorrem ou mesmo tem uma relação intricadas com elas.

Parte desses contos vem de antigos registros como Otogizôshi e avulsos do período Muromachi (séc XIV-XVI), contando também com registros do século XIX e início do XX feitos por Richard Gordon Smith, Yei Theodora Ozeki e Grace James, além de um conto de um dos mais renomados escritores japoneses, Natsume Sôseki e um registro do poeta e monge Inô Sôgi. Também temos contos raros e arcaicos recolhidos pela professora e pesquisadora Márcia Hitomi Namekata.

sábado, 24 de agosto de 2024

Leitura - Cinco Anéis - Miyamoto Musashi

 




As vezes nos deparamos com pérolas de Literatura .Este livro é uma delas. Escrito por volta de 1500 traz um pouco da riqueza da cultura japonesa .Neste caso a cultura Samurai. 

Resenha : O Livro dos Cinco Anéis'' é mais do que um simples manual de artes marciais. É um guia filosófico que busca transmitir as lições de Musashi sobre a excelência pessoal, a estratégia de combate e a busca da verdade interior. Suas ideias continuam a influenciar pessoas em diferentes áreas até os de hoje.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Leitura- Introdução ao Budismo- Geshe Kelsang Gyatso





Li este livro para entender melhor a religião e seus conceitos. Tinha uma idéia completamente errada do Budismo. Talvez levado pela ficção de Herman Hesse -Sidarta - que romantiza Buda . Mas como toda religião que conheço e nao gosto traz concepções de vida que não me agradam e não me convencem. Um exemplo é da reencarnação em outros corpos : de animais ou pessoas e os locais de reencarnação . 


Resenha : Geshe Kelsang Gyatso introduz o leitor à vida e aos ensinamentos de Buda Shakyamuni de uma maneira simples e profunda. Aqueles que são novos no budismo vão encontrar neste livro um guia ideal para compreender o que é o estilo de vida budista.

segunda-feira, 19 de agosto de 2024

Leitura- A viagem do Beagle - Charles Darwin

 




O Livro é esclarecedor das fontes da elaboração da origem das espécies. A riqueza acumulada por Darwin na viagem e a análise de aspectos geográficos , culturais e  da flora e fauna através da comparação dos diversos locais no mundo possibilitou a obra criativa .



Resenha : Esta obra traz o diário de Charles Darwin sobre a expedição de cinco anos realizada a bordo do navio HMS Beagle . As observações registradas pelo naturalista inglês resultariam, anos mais tarde, na elaboração da Teoria da Evolução , que transformaria a ciência para sempre.

A par do histórico de depressão e suicídio do primeiro capitão do Beagle , o novo capitão, Robert FitzRoy, almejava ter uma companhia erudita que amenizasse a solidão em sua viagem. Por esse motivo, convidou o jovem Darwin para acompanhá-lo em sua jornada pela América do Sul. Um lance de sorte para a história das ciências naturais.

Além da pesquisa científica, a segunda missão do Beagle teve ainda a tarefa de transportar de volta à Terra do Fogo três indígenas que haviam sido levados à Inglaterra quando do retorno da primeira expedição. Justamente este impacto sobre os povos originários é analisado no prefácio desta edição, redigido pelo pesquisador argentino Héctor Palma, autor de inúmeras obras sobre o tema.

Esta viagem fascinante é apresentada aqui sem cortes, a partir da primeira edição . Enriquecem ainda mais o volume as notas explicativas de Palma, além de imagens e mapas originais. Acompanhe a jornada completa, da Inglaterra ao Brasil, seguindo por Uruguai, Argentina, Chile, Peru e Equador, até o retorno pela Oceania e pelo Sul da África, com uma nova parada em solo brasileiro.

Leitura- Makunaimã -Peça de Teatro

 

Boa peça mas para poucos . 


Resenha:
Macunaíma: o herói sem nenhum caráter, o romance, completou noventa anos com respeito e sucesso nas cores e na voz do gênio Mário de Andrade. Makunáima ou Makunaimã, a divindade indígena do tempo imemorial, habita o Monte Roraima, no extremo norte do Brasil, e faz parte do sagrado de alguns povos indígenas que vivem sob seu cuidado e olhar de menino Deus. Makunaimã: o mito através do tempo, a peça de teatro, traz as vozes indígenas pemon, taurepang, wapichana e macuxi, povos que são herdeiros legítimos de Makunaimã, a reclamar dentro da própria casa de Mário de Andrade o Macunaíma estereotipado, que mistura histórias e culturas indígenas diferentes para compreender a formação do povo brasileiro, a partir do nosso sagrado.


É nessa energia que acontece o diálogo entre o dono da casa, os reclamantes e os convidados — infelizmente, para Mário, sem vinho nem charutos. Makunaimã: o mito através do tempo é um livro revolucionário, que traz à tona vozes e visões do outro lado — o indígena—, que por noventa anos esteve totalmente invisível, sendo reiteradamente desrespeitado em sua existência e em seu sagrado.

— Cristino Wapichana, no prefácio


sábado, 17 de agosto de 2024

Leitura - 451 # 84

 




Sexo no feminino • O prazer na literatura contemporânea, por A.V. Balloussier • Poemas eróticos inéditos, por B. Beber, M. Becker, A. Ivánova e F. Lahuerta • Clitóris intelectual?, por L.G. Diniz • O erotismo de Adélia Prado, por M.L. Dal Farra • A tentação, por G. Núñez

Truman Capote • Jon Fosse • Leiko Gotoda • Bianca Gonçalves • Lélia Gonzalez • Viet Thanh Nguyen • Salman Rushdie • Neca Setubal • Cadão Volpato

Arte da capa: pintura de Lauren dela Roche

Leitura - A Árvore do Mundo e outros feitos - Ciça Fittipaldi

 


Procurei livros sobre as lendas de Macunaíma e achei este .Bom livro que contém mitos de 3 culturas


A Árvore do Mundo e Outros Feitos de Macunaíma - mito-herói dos Macuxi, Taurepang e Arecuna: As façanhas de Macunaíma, narradas com o falar direto e encantatório dos indígenas. O mito-herói revelou e ordenou o mundo. A beleza das ilustrações ilumina o tom mágico e poético do texto.

Bacurau Dorme no Chão - lenda dos Tukano: No princípio do mundo, Bacurau era gente, mas muito preguiçoso. Quando sua maloca ruiu, ele resolveu dormir no chão, só para não ter de consertá-la. Esta lenda procura justificar porque o bacurau é o único pássaro a fazer seu ninho no chão.

A Linguagem dos Pássaros - mito dos Kamaiurá: No começo de tudo, os pássaros não tinham língua própria. Falavam como gente, pois o índio Avatsiú estava guardando dentro de si todas as línguas. Os pássaros resolveram pedir ajuda para acabar com Avatsiú. Um dia, a tribo acordou com a barulhada dos pássaros e então ficou assim para sempre.

Naro, o Gambá - mito dos Yanomami: No tempo em que os bichos eram gente, o Gambá vivia com Mel numa cabana. As moças Flor e Abelha foram à cabana de Gambá, e este se mostrou para elas. Só que elas gostaram de Mel, que era bonito e cheiroso, enquanto Gambá era feio e malcheiroso.

segunda-feira, 5 de agosto de 2024

Resenha - Macunaíma- Mário de Andrade





O melhor filme brasileiro tem base num grande livro brasileiro . 


Resenha : 

 Autodefinida como "rapsódia", a obra pinta esse tipo ao mesmo tempo estranho e familiar, Macunaíma, um "preto retinto filho do medo da noite", "criança feia" fruto de miscigenação com índio amazônico. Acompanharemos sua errante peregrinação, já em idade adulta, para recuperar um amuleto que lhe guarda um grande valor afetivo. As camadas de complexidade com que Mário de Andrade envolve seu pícaro protagonista - um tipo que não vai à cidade ansiando por um choque de modos cosmopolitas, mas para "buscar sarna para se coçar" -, tornam o livro uma espécie de acontecimento literário único, surpreendente, inclassificável.

segunda-feira, 29 de julho de 2024

Leitura - O Cerco -Alejo Carpentier

 



Resenha :Nessa pequena obra-prima ambientada na Havana do início da década de 1930, os protagonistas conhecem uns aos outros, mas desconhecem a trama diabólica que os une.Expoente máximo da prosa erudita e elegante do cubano Alejo Carpentier, esta novela breve nada tem de singela. Pelo contrário: seus desdobramentos, implicações e alusões são inúmeros e escondem significados que somente a melhor literatura é capaz de engendrar.O cerco — cuja ação, que dura pouquíssimas horas, se desenrola em uma Havana mergulhada na incerteza após a queda do ditador Gerardo Machado em 1933 — apresenta dois personagens que à primeira vista não têm qualquer relação. Um deles, encarregado da bilheteria de um teatro, é aficionado por música e antagonista dos ricos incultos que frequentam os concertos. Outro, ex-integrante das fileiras da luta comunista, é um desgarrado que procura desesperadamente o melhor jeito de escapar de uma Havana que parece como que sitiada — e o cerco, numa contagem regressiva que se torna cada vez mais frenética e sufocante, começa a se fechar sem qualquer piedade contra ele.Nas periferias e sombras por onde se movem esses personagens misteriosos, o sórdido e o sublime se mesclam numa espécie de concerto: um crescendo que se desenrola em um tempo bem marcado até chegar ao seu ápice, a um desfecho tão esperado quanto imprevisível.“Havana, com seus esplendores e misérias, é metáfora de um palco em que o fracasso, a solidão e a culpa dos protagonistas encenam mais uma tragédia do Teatro do Mundo. Uma leitura atenta une os fragmentos dessa narrativa, em que a erudição e a linguagem exuberante são indissociáveis do estilo do grande escritor cubano.” — Milton Hatoum

Leitura - Registro do Historiador - Xiang YU


A tradução é ruim e o excesso de nomes leva a uma confusão para o claro entendimento da evolução da história. O ideal seria ter um mapa da China com indicações e um organograma das pessoas de cada clã

Resenha : "Registros do Historiador: Xiang Yu e Liu Bang", de Sima Qian, é uma obra-prima intemporal da literatura histórica chinesa. Esta obra, escrita no século 1 a.C., faz parte do monumental "Registros do Historiador" de Sima Qian e se concentra nas figuras lendárias de Xiang Yu e Liu Bang durante a tumultuada era da Contenção Chu-Han.

Nestas páginas, os leitores são transportados para um período crucial na China antiga, onde senhores da guerra e estadistas disputavam poder e influência. O conto épico da rivalidade de Xiang Yu e Liu Bang, suas campanhas militares e seus estilos de liderança contrastantes fornece uma janela vívida para a dinâmica política, social e militar da época.
A pesquisa meticulosa e a habilidade narrativa de Sima Qian brilham enquanto ele tece uma história convincente de ambição, heroísmo e as consequências do poder. Este relato histórico não só oferece informações sobre a China antiga, mas também serve como um testemunho do fascínio duradouro do drama humano e da busca pelo poder. "Xiang Yu e Liu Bang" continua sendo uma leitura obrigatória para qualquer pessoa interessada na rica tapeçaria da história chinesa e seus personagens maiores do que a vida.

domingo, 28 de julho de 2024

Leitura- Outono de Carne Estranha- Airton Souza




Muito bom romance .Lembra muito Pedro Juan Gutierrez pela crueza na abordagem sexual. Porém capta como Juan de forma brilhante um grupo social com características próprias.


Resenha :Romance vencedor do Prêmio Sesc 2023, Outono de carne estranha nos convida a mergulhar nas lamas de Serra Pelada, combinando as memórias do garimpo e a ficção. Com sua escrita sensível e perfurante, Airton Souza conta a história de amor entre os garimpeiros Zuza e Manel, em um território de embrutecimento dos homens e da terra.



Outono de carne estranha, do paraense Airton Souza, se passa no contexto da famosa e trágica Serra Pelada, o maior garimpo a céu aberto do mundo, explorada por milhares de homens na década de 1980. Nessa terra fragmentada pelas enxadas, marcada pela ganância e pela violência, o romance mescla fatos históricos e ficção para contar a história de Zuza e Manel, dois garimpeiros que se apaixonam, e Zacarias, um padre angustiado diante da própria batina. Os três protagonistas tentam, a todo custo, bamburrar: encontrar uma grande quantidade de ouro e, assim, ganhar a vida.

A escrita de Airton fala as línguas do norte e do garimpo para adentrar um pedaço da história brasileira que, até hoje, pouco foi abordado pela literatura – Serra Pelada. A terra úmida, os desabamentos e o cheiro do garimpo são cenário de uma história em que talvez já não existam fronteiras entre o sagrado e o profano, entre a morte e o erotismo – constantes dualismos enfrentados pelos personagens. Apesar de a obsessão pelo ouro e a truculência dos que comandam o garimpo criarem uma atmosfera violenta, assassina e solitária, a ternura narrativa abraça seus personagens para que, de algum modo, escapem à asfixia da repressão, permitindo que amem e sejam amados. Não é à toa que, para os escritores Joca Reiners Terron e Suzana Vargas, que assinam a orelha do livro, a paixão entre Zuza e Manel representa “o amor que encarna a peleja de existir em meio a um grupo moralmente doente, seja pela ambição ou pelo fanatismo”.



“Outono de carne estranha é um épico minimalista sobre o sonho do ouro em Serra Pelada, antigo garimpo no sudeste do Pará, sobre a homoafetividade em território inóspito e a violência decorrente disso, com protagonistas comoventes e um lirismo à flor da pele coberta de suor e lama.” - Joca Reiners Terron e Suzana Vargas

quarta-feira, 17 de julho de 2024

Leitura- Terra Alta - Javier Cercas






Um dos melhores escritores de romance policial que já li. E li praticamente todos os grandes . 

Resenha: Um terrível crime assola a pacífica comarca da Terra Alta: os proprietários da maior empresa da região, a gráfica Adell, aparecem assassinados, e seus corpos indicam que foram vítimas de longas e atrozes torturas. O jovem policial Melchor Marín é o encarregado local pelas investigações. Vindo de Barcelona para a Terra Alta há quatro anos, Melchor esconde um passado sombrio, graças ao qual se tornou uma lenda entre seus colegas de corporação. Mas a Terra Alta mostrou-se algo além de um refúgio: Melchor se apaixona pela bibliotecária da vila, e com ela tem uma filha chamada Collete – como a de Jean Valjean, o protagonista de seu romance favorito, Os miseráveis. Terra alta é um romance ágil, repleto de personagens memoráveis a escrito com a maestria típica de um dos maiores autores contemporâneos. Traz uma lúcida reflexão sobre o valor da lei, a possibilidade de justiça e a legitimidade da vingança, mas, acima de tudo, sobre a epopeia de um homem em busca de seu lugar no mundo.

terça-feira, 9 de julho de 2024

Leitura- Menino de Engenho - José Lins do Rego

 

Releitura do clássico de Rego. Li quando era muito novo mas o livro continuou fresco na memória por conta da qualidade literária

Resenha :

Primeiro romance de José Lins do Rego, Menino de engenho traz uma narrativa cativante composta pelas aventuras e desventuras da meninice de Carlos, garoto nascido num engenho de açúcar. No livro, o leitor se envolverá com as alegrias, inquietações e angústias do garoto diante de sensações e situações por ele vivenciadas pela primeira vez. Publicado originalmente em 1932, o romance comprova, sem sombra de dúvidas, o talento monumental de um escritor, cuja obra nortearia os rumos do moderno regionalismo brasileiro.

A edição agora publicada pela Global marca o ingresso do autor em sua nova casa editorial. O projeto gráfico de capa e a ilustração são assinados por Mauricio Negro. O texto de apresentação, especialmente encomendado para a esta edição, é de autoria de João Cezar de Castro Rocha, professor titular de Literatura Comparada da UERJ.

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Leitura- Nostalgias Canibais - Odorico Leal


Gostei da criatividade dos contos. me pareceu um tanto o quanto pretencioso na escrita . Mas os contos são bons e merecem uma nova fornada


Resenha : Um Macunaíma canibal atravessa séculos e estados brasileiros, deixando-se levar pelos arroubos de cada época enquanto tenta saciar sua fome. Dois gatos tecem críticas à trajetória da dona e especulam sobre o futuro, dentro de um apartamento do qual provavelmente serão despejados. Um rapaz em crise com a própria feiura lê Umberto Eco e estuda para um concurso em Fortaleza. Uma jornalista entrevista um escritor amargurado para entender os Getulinhos, novo fenômeno político do país. No apartamento de sua namorada editora — que sempre dá um jeito de fugir de São Paulo —, um músico rega begônias e jiboias enquanto tenta se haver com uma vizinha barulhenta.


Revisitando a história do Brasil, do período colonial até a recente polarização dos embates políticos, o livro de estreia de Odorico Leal tateia com humor temas sensíveis, em diálogo com a sátira e o farsesco. Enquanto certa nostalgia celebra nossa memória artística, vemos despontar um futuro imaginado e disruptivo que promete um acerto de contas com o passado. Estas novelas e contos dão a ver a habilidade narrativa de Leal, que experimenta os terrenos entre o realismo e o fantástico com gestos originais, atento aos usos e metamorfoses do idioma. Nostalgias canibais é um livro fértil, vertiginoso, que revela um novo talento da literatura brasileira.

Leitura - O lobo Solitário 1 - O caminho do assassino -Kazuo Koike e Goseki Kojima

  Adoro mangá e este é clássico, São vários volumes. Sempre abordando Ronins e o Bushido  RESENHA :  Com o inevitável e fatídico final do du...