segunda-feira, 30 de maio de 2022

Leitura -Veneno Fatal - Dorothy Sayers




Livro muito recomendado como um dos melhores romances policiais.  Não escreve com a mesma desenvoltura de Agatha Christie e outros mas eh um bom romance


Resenha: Harriet Vane é uma talentosa autora de romances policiais. Os seus enredos - em que "usa" generosas quantidades de veneno - são populares e fazem dela uma mulher independente. Ou melhor, faziam… Harriet está agora presa, acusada de assassinar o noivo que, curiosamente, morreu envenenado, numa tragédia que parece reproduzir à letra uma das suas obras. Não ajuda nada o facto de ela, na altura da morte de Philip, ter arsénico em casa. Todos os indícios apontam para a sua culpa. Harriet Vane corre o sério risco de morrer na forca. Por sorte, um membro do júri não está convencido. E Lord Peter Wimsey, cujo comportamento perante a ré é ainda mais extravagante do que em circunstâncias normais, também não. Juntos, tentarão provar a inocência da jovem. Mas o tempo escasseia, e o nó da corda parece apertar-se a cada dia que passa...

segunda-feira, 23 de maio de 2022

Leitura - Mais forte que a espada -Vol2 - Hiroshi Hirata






Resenha : 

Por que as pessoas fazem guerra? Como governar um território sem ser na base do medo? Vivendo no Período Sengoku (1467 – 1615), o mais longo período japonês de guerras civis, esses são os questionamentos que Hisa e seu filho Matataro Shimizu se fazem o tempo todo, buscando encontrar aquilo que é MAIS FORTE QUE a ESPADA. Hiroshi Hirata, o maior mestre dos mangás de samurai ambientados no passado do Japão, está de volta ao Brasil com mais uma de suas consagradas séries baseadas em fatos históricos. P Em meados da década de 1540, Hisa, uma jovem criada para ser a dedicada esposa de uma família nobre, se casa com Yasuhide Shimizu (1532 – 1591), destinado a se tornar o soberano e general da província de Izu, a serviço do clã Hojo. Não tarda a comprovação de que sua nova vida não terá nada de pacata, quando a festa de casamento sofre um atentado, e que fazer parte de uma família de senhores de terra a colocará em meio a intrigas e derramamento de sangue. A partir de então, ela se revela uma mulher de pulso firme e força física avassaladora, capaz de lutar contra adversários masculinos em pé de igualdade e até deter sozinha um boi enfurecido. P Contudo, força bruta e violência não são a resposta para tudo, e Hisa vai aprender a duras penas como apoiar ou contestar seu companheiro — que carrega o peso de ter que atender ao chamado de seu superior para a guerra—, além de lidar não apenas com a criação de seus filhos, como também com a segurança e bem-estar dos habitantes de seu território, que se encontram sob sua responsabilidade enquanto Yasuhide se ausenta para batalhar. P Mais Forte que a Espada: Kairiki no Haha é um clássico gekigá (mangá de temática realista), publicado originalmente no Japão de 1993 a 1996 e agora apresentado aos leitores brasileiros em uma coleção fechada de dois volumes, com sobrecapa com verniz localizado, papel polén de alta gramatura, miolo colado e costurado para o melhor manuseio na leitura, e marcadores de páginas exclusivos.

Leitura- MAUS - Art Spiegelman

 



Livro muito recomendado e excelente . Transmite com simplicidade todo drma dos judeus durante a 2a guerra . A Vida do pai de Art eh mais que um romance é uma lição de sobrevivência de de vida 

Resenha: MAUS ("rato", em alemão) é a história de Vladek Spiegelman, judeu polonês que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, narrada por ele próprio ao filho Art. O livro é considerado um clássico contemporâneo das histórias em quadrinhos. Foi publicado em duas partes, a primeira em 1986 e a segunda em 1991. No ano seguinte, o livro ganhou o prestigioso Prêmio Pulitzer de Literatura.

A obra é um sucesso estrondoso de público e de crítica. Desde que foi lançada, tem sido objeto de estudos e análises de especialistas de diversas áreas - história, literatura, artes e psicologia. Em nova tradução, o livro é agora relançado com as duas partes reunidas num só volume. Nas tiras, os judeus são desenhados como ratos e os nazistas ganham feições de gatos, poloneses não-judeus são porcos e americanos, cachorros. Esse recurso, aliado à ausência de cor dos quadrinhos, reflete o espírito do livro: trata-se de um relato incisivo e perturbador, que evidencia a brutalidade da catástrofe do Holocausto.

Spiegelman, porém, evita o sentimentalismo e interrompe algumas vezes a narrativa para dar espaço a dúvidas e inquietações. É implacável com o protagonista, seu próprio pai, retratado como valoroso e destemido, mas também como sovina, racista e mesquinho. De vários pontos de vista, uma obra sem equivalente no universo dos quadrinhos e um relato histórico de valor inestimável.

domingo, 22 de maio de 2022

Leitura- As Flores do Mal - Baudelaire

 



Imagino que poesia eh a sublime expressão de uma língua viva ou morta . Logo a tradução retira pelo menos metade de seu caráter divino e sobre-humano. Traduzir Dante , Virgílio , Baudelaire Blake e Whytman não eh tarefa fácil. Mas sempre se consegue se absorver ao menos a mensagem do poeta mas não seu sublime . Por isto os poetas em língua portuguesa para mim são melhores .Se expressam em nossa língua.

Grafado pelo autor originalmente com letra maiúscula, o “Mal” de Baudelaire é um conceito, uma percepção que perpassa a sua obra e expõe o caráter humano. Livro inovador, que nas palavras de Marcel Raymond e Paul Valéry funda uma espécie de “movimento poético contemporâneo”, As flores do mal foi responsável por uma escandalosa transformação da literatura mundial ao misturar estilos elevados e populares, influenciando escritores como André Gide, Marcel Proust, James Joyce, Thomas Mann, entre outros.

A primeira edição, publicada em 1857, quando Baudelaire tinha 36 anos, logo se torna objeto de um processo judicial que culmina na proibição de seis poemas. A segunda edição, de 1861, suprime os poemas censurados e inclui outros 35. O poeta — também tradutor de Edgar Allan Poe e crítico de arte — foi alvo de discórdia também nos círculos literários. Conhecido por encarar a vida com uma paixão enfastiada, Baudelaire transformou o universo a sua volta em uma poesia forte, visceral e por vezes perniciosa.

Este volume bilíngue reúne toda a poesia de Baudelaire: As flores do mal tal como publicado em 1861 e os poemas acrescidos à edição póstuma de 1868, em uma edição especial que demonstra toda a potência de um autor ainda hoje “maldito”.


terça-feira, 17 de maio de 2022

Leitura- Gordon Pym - Edgar Alan Poe

 




Resenha :
Publicado originalmente em 1838, este é o único romance do grande contista norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1849), primeiro escritor a influenciar os rumos da literatura além das fronteiras de seu país. Gordon Pym, capitão de um grande veleiro americano, narra o motim e o massacre ocorridos em seu navio durante rota pelos mares do sul, e as terríveis aventuras da tripulação sobrevivente após seu resgate por uma escuna inglesa.


Leitura -Escritos Policiais - Elísio de Carvalho

 


Bem interessante este livro. São crônicas sobre a marginalidade , suas características , formas de atuação da policia e dos marginais e vários malfeitores. Como sempre sempre de preconceito principalmente devido a ser feito por policial . Mas uma leitura bem legal para entender a época

Resenha : 


Este volume reúne seis séries de crônicas publicadas por Elísio de Carvalho na imprensa carioca entre 1910 e 1913. Parte de um conjunto mais vasto saído nos jornais da então capital federal, os textos são atravessados pela emergência de uma criminalidade sofisticada e pretensamente civilizada, e a aspiração a uma modernização da polícia que permitisse combatê-la. Elísio se nutria tanto de observações diretas do mundo de criminosos e policiais, fruto de sua atuação como diretor do Gabinete de Identificação e Estatística da Polícia do Rio de Janeiro, quanto da leitura de criminologistas da moda e de livros surgidos no então incipiente campo internacional da chamada “polícia científica”.


O acesso aos arquivos da polícia e a inúmeros prontuários de criminosos presos na Casa de Correção, onde se localizava o Gabinete de Identificação e Estatística, permitiu ao autor não apenas reconstituir histórias de ladrões, estelionatários e falsários que alcançaram certa projeção nesse período, mas também apresentar a seus leitores um universo delitivo no qual se misturavam prostitutas, proxenetas, jogadores, tatuadores e consumidores de morfina e de ópio, entre outros personagens em geral desconsiderados do mundo urbano no Rio de Janeiro da Primeira República.

segunda-feira, 16 de maio de 2022

Leitura- Croniquetas - Artur Azevedo

 




Muito bom ler estas crônicas para entender um pouco de nossa história e formação . Ademais são muito bens escritas : um misto de noticias , informações e comentários sobre fatos ocorridos e a ocorrer na cidade e no Mundo

Resenha :


Sob o pseudônimo Elói, o herói, Artur Azevedo publicou quinzenalmente, de 15 de dezembro de 1885 a 30 de junho de 1903, suas “Croniquetas” na revista feminina A Estação: Jornal Ilustrado para a Família. Este volume apresenta 87 delas, escritas do início de sua produção até a última de 1889. Ao longo desse período, a cidade do Rio de Janeiro, a princípio a Corte imperial de uma sociedade escravista, transformou-se na capital federal de um país que acabara de abolir o trabalho escravo e experimentara um golpe militar pelo qual a República se instaurou. As crônicas aqui reunidas se configuram, assim, num meio privilegiado para acompanhar a lógica desse processo, tal como testemunhado pelo olhar atento do cronista.


Com humor, ironia e alguma acidez, seu texto trata dos principais acontecimentos da cidade e do país, à luz de um enfoque que buscava atender aos interesses do público feminino para o qual o periódico se destinava. Em linguagem coloquial e, por vezes, em tom pedagógico, Artur Azevedo se propunha a ler os fatos do mundo para suas leitoras, mesmo que estes supostamente fugissem às atribuições que lhes cabiam. É sobre os ombros delas, portanto, que temos hoje a chance de saber o que, de seu observatório, Elói, o herói lhes escrevia a cada duas semanas.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Leitura- 451 No 57


 A Literatura ficcional cede terreno a Literatura sócio- politica a a ensaios e estudos sociais. Pouco ou quase nada de resenha de livros de ficção 

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Leitura- Contos Vol 3 -H P Lovecraft

 



Resenha :
Nesta edição, volume III da coleção, reunimos alguns dos contos mais famosos de H. P. Lovecraft, que fazem parte de seu “Horror Cósmico”. O volume contém “A cidade sem nome”; “A coisa na soleira da porta”; “O cão de caça”; “O depoimento de Randolph Carter” e “Os sonhos na casa da bruxa”. Mais uma leitura imperdível para os amantes do horror.

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Leitura- Niketche- Paulina Chiziane

 




Resenha :
Um dos romances moçambicanos mais renomados do século XX, agora em edição de bolso.Rami é uma esposa fiel e subserviente. Ela faz o que manda a tradição, mas nem assim consegue ser amada por Tony, com quem é casada há vinte anos. Certo dia, Rami descobre que o marido tem várias amantes — e filhos — por todo o Moçambique, e decide conhecê-las uma a uma. “Eu, Rami, sou a primeira-dama, a rainha mãe. […] O nosso lar é um polígono de seis pontos. É polígamo. Um hexágono amoroso”, diz. A partir desse encontro surpreendente, todas terão suas vidas completamente transformadas.De origem humilde, Paulina Chiziane foi a primeira mulher moçambicana a publicar um romance — apesar de não se considerar romancista, mas uma contadora de histórias. Em Niketche, ela mistura bom humor, consciência social e lirismo para traçar um vigoroso painel da condição feminina e da sociedade de seu país.

quarta-feira, 13 de abril de 2022

Leitura-Romances de Patrick Melrose- Vol 2 - Edward St Aubyn


Este complemento do Romance não se equipara ao 1o Volume .Mas se trata de ótimo escritor e um bom romance


Resenha :  Por quase duas décadas, Edward St. Aubyn inspirou-se na própria história para retratar a vida de Patrick Melrose e o universo da elite inglesa numa aclamada empreitada literária. Mantendo a elegância e a inteligência características do primeiro volume, esta continuação dos Romances de Patrick Melrose reúne os dois títulos que encerram a série.

Em O leite da mãe, Patrick, agora casado e pai de dois meninos, teme que a relação conturbada que teve com o pai envenene o seu próprio exercício de paternidade. Ao mesmo tempo, sua esposa Mary volta-se inteiramente ao cuidado das crianças; sua mãe, Eleanor, deseja realizar um suicídio assistido; e os filhos sempre parecem entender muito mais do que deveriam.

O último livro, Enfim, é ambientado no funeral de Eleanor Melrose. Enquanto encara a perda da mãe, Patrick começa a aceitar e compreender os motivos que tornaram seus pais o que foram. Sozinho em seu quarto, pode finalmente vislumbrar a perspectiva de liberdade que há tanto tempo almeja.

Leitura -Os Coadjuvantes -Clara Drummond

 


Excelente este livro de Clara Drummond. Num estilo corrosivo e auto destrutivo similar ao de Reinaldo Moraes de Pornopopeia só sob a ótica da classe A . 

Resenha : Cômico e melancólico, sensível e cruel, um romance corrosivo sobre o mundo da arte, o Brasil dos privilégios e uma geração perversamente obcecada por imagem e virtude.
Vivian é uma jovem curadora de trinta e poucos anos que vive entre Rio e São Paulo. Seu currículo impecável só existe por conta dos diversos trabalhos mal remunerados em instituições prestigiadas, uma vez que vive do dinheiro da família. Quando um episódio trágico faz com que sua vida se cruze com a de Darlene, uma ambulante que vende cervejas em frente a seu apartamento, o mundo de Vivian ganha um rumo sombrio e imprevisível. O elo invisível entre seu conforto financeiro e a violência que mora ao lado nos convida a uma jornada ímpar na literatura brasileira contemporânea. Entre o delírio narcisista, personagens obcecados por manter sua posição social a qualquer custo e um retrato cáustico do universo de pais e filhos ricos e privilegiados, a narradora de Clara Drummond nos convida a olhar para a tragédia humana e de um país.
“Amparada por uma tradição que flagra com tintas satíricas, entre o riso e a crueldade, o esboroamento de certa classe proprietária brasileira, Clara Drummond conduz esse processo até o século XXI e os primeiros passos do nosso mais novo ensaio de Estado policial. Nesse palco, descortina o circuito das artes e das festas, apresentando uma geração que experimenta uma vaga rebelião, que possui uma vaga consciência do mal-estar, mas que segue com a dança, com tudo o que ela tem de mais perverso, porque, como diz a narradora acerca de si, é ‘muito insegura para não ser superficial’.” — Marcelo Pen

“Os coadjuvantes é o retrato de uma geração, mas também de uma cidade e de uma classe social que raramente se vê retratada com tanta precisão e mordacidade. O livro é engraçado de rir em voz alta — como diz a narradora e protagonista: ‘meio cômico, meio triste’. É surpreendente, divertido e muito bem escrito.” — Branca Vianna

“Com sua cabeça curiosa e repertório incomum, Clara Drummond capturou meu foco e meu desvio com uma literatura ferina e cordial. Um pequeno grandioso livro.” — Letrux

quarta-feira, 6 de abril de 2022

Leitura - 451n# 56

 

A resenha de PRP me leva a comprar Os amnesicos . A entrevista com Clara Drumond seu O Coadjuvantes eo passeio no Japão de Muriel Barbery Uma Rosa só 

segunda-feira, 28 de março de 2022

Leitura- Vida vertiginosa- Paulo Barreto- João do Rio

                                                  

Adoro João do Rio . Suas crônicas são a cidade do Rio em sua época , retratada da forma mais fiel e crítica . Excelente livro. Nada melhor que sua leitura para entender o Rio da virada do século

Resenha : 

Clássico de João do Rio ganha sua primeira edição anotada, contextualizando histórica e culturalmente o Rio de Janeiro retratado sob o olhar de um dos maiores cronistas brasileiros. Vida vertiginosa é uma das maiores obras sobre a belle époque carioca. Nela, João do Rio lança um olhar investigativo sobre o Rio de Janeiro, então capital de um Brasil em franco processo de modernização. O prefeito Pereira Passos iniciou em 1903 uma série de reformas higienistas, urbanísticas e também de costumes, com o intuito principal de adequar a cidade aos padrões de desenvolvimento europeus. A crônica pioneira de João do Rio é resultado de suas deambulações, sua flânerie, por uma cidade efervescente, em completa transformação.Publicado originalmente em 1911, Vida vertiginosa é o testemunho criativo de um homem que registrava e pensava um mundo novo que apenas se insinuava. Um mundo que, na profunda velocidade que lhe é característica, não parou até hoje de multiplicar-se e acelerar-se na vertigem. A atualidade do livro fala por si só: conduzidos por um dos maiores cronistas brasileiros de todos os tempos, seus leitores e leitoras estão a um passo de descobrirem-se personagens.As 25 crônicas reunidas em Vida vertiginosa abordam temas como a competitividade no ambiente profissional, a realidade paralela vivida nas favelas, o complexo de inferioridade como legado do passado colonial, a decadência do sistema educacional, a crise da privacidade, o feminismo nascente e a importância dada às aparências, aspectos já presentes na sociedade da época.Esta é a primeira edição anotada desse clássico, construída para que leitores e leitoras contemporâneos possam conhecer o contexto histórico e cultural do Rio de Janeiro da belle époque. A edição conta ainda com introdução, cronologia e bibliografia do autor. Todo o material de apoio é assinado por Giovanna Dealtry, pesquisadora e professora de literatura brasileira do Instituto de Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

sexta-feira, 18 de março de 2022

Leitura -451- N# 55

 

A maioria das resenhas de cunho politico -social: minorias de moradias populares, feministas, escritoras afro e politicas. Poucas resenhas como a excelente sobre Bungo Stray Dogs  de Kafka Asagiri e Sango Harukawa. Resenha afinal sobre Literatura apenas .Muitas resenhas de Poetas e a excelente crônica de PRP sobre Rodolfo Walsh.

Leitura- A porta da viagem sem retorno - David Diop


 Bom escritor. Sua escrita eh sensível e emotiva. Passa um que de suavidade na leitura. O livro demora a começar .Porém despois flui de forma legal.


O tráfico de pessoas escravizadas tensiona até nossos dias as relações entre a Europa, a África e as Américas. Em A porta da viagem sem retorno, David Diop encena dramas humanos num período contraditório marcado pelo espírito iluminista e a violência do escravismo.

No leito de morte, o naturalista Michel Adanson – inspirado no homônimo histórico (1727-1806), que elaborou um sistema de classificação das plantas, incluindo a descrição do baobá – se martiriza por não ter contado toda sua história à filha Aglaé. Apesar de ter escrito suas memórias da África e um tratado de botânica, faltou-lhe tornar pública a mais relevante de suas experiências. Num último suspiro, limita-se a murmurar um nome-enigma. Paralelamente, por meio da vida sentimental da Agalé, a obra descortina os jogos de amor e poder na sociedade francesa da segunda metade do século XVIII.

Ler A porta da viagem sem retorno é reencontrar convergências entre o continente africano e o território da diáspora, a exemplo do provérbio Fulbe (“A narrativa é o lugar onde se encontra o passado”) citado pelo linguista senegalês Pathé Diagne e da epígrafe de Viva o povo brasileiro (“O segredo da Verdade é o seguinte: não existem fatos, só existem histórias”) anotada por João Ubaldo Ribeiro.

Diop demonstra que a duração dos eventos depende das narrativas que os personagens tecem uns sobre os outros. Por isso, a palavra que inaugura o mundo se torna o eixo mais potente do romance. É necessário atentar para suas derivações que dão forma ao passado sob perspectivas que exaltam o diálogo entre as culturas ou que fixam, desde fora, a imagem do outro. Ciente dessas oscilações, o autor conduz os personagens por uma teia de viagens, onde cada um espera encontrar o fio da sua própria história.


domingo, 13 de março de 2022

Leitura- Diario de um velho Louco- Junichiro Tanizaki

 



Excelente este livro de Junichiro.Pretendo ler outros. Este livro me pareceu similar ao Armadilha para Lamartine . Também escrito sob a forma de diário e que registra de forma brilhante o cotidiano de uma família de classe média.  Só que Junichiro explora também a figura do protagonista de forma brilhante 



Entre o criativo e rebelde patriarca de 77 anos da família Utsugi e sua nora Satsuko estabelece-se em meio a luzes e sombras um jogo sutil de poder envolvendo, de um lado, o ancião que se empenha em burlar uma vida regrada por remédios, médicos e hospitais e, do outro, a ex-dançarina de casas noturnas, mulher bela e licenciosa, plena de vida, que faz uso de seus talentos naturais para fascinar e controlar o sogro, manipulando-o em prol de interesses pessoais.

A idade do protagonista, ao invés de coibir seus instintos, liberta-os. Com a consciência da aproximação da morte e na posição de quem não tem muito a perder, o velho senhor Utsugi rompe por completo com as convenções sociais e entrega-se de corpo e alma à exaltação de seus prazeres hedonistas. A explicação para tais impulsos, em nada exclusivos da juventude e da meia idade, vem do próprio narrador: “Penso, antes, que o fenômeno tem a ver com a sexualidade de um velho impotente — pois alguma sexualidade existe, mesmo num velho impotente.”

Estas páginas de um dos grandes mestres da escrita japonesa ficarão para sempre como um libelo da sexualidade na velhice demonstrando que, se a velhice é cruel quanto à submissão ao desejo, ela só se torna sinônimo de senilidade para os conformistas, o que certamente não é o caso de Tanizaki.




sábado, 12 de março de 2022

Leitura - Rashomon- Akutagawa

 

Estou no período de leitura japonesa ; Diversos escritores excelentes todos nascidos antes do século XIX. Akutagawa é um dos melhores . Seus contos incríveis nos trazem também um pouco da literatura zen para seus escritos


Resenha :
O LIVRO TRAZ DEZ CONTOS escritos por Ryunosuke Akutagawa, considerado o principal representante do moderno conto japonês. Esta nova edição, cujo texto foi revisto pelas tradutoras Madalena Hashimoto Cordaro e Junko Ota, reúne histórias de diferentes períodos da curta vida do autor, que cometeu suicídio aos 35 anos de idade, e durante a qual escreveu mais de 150 contos, além de poemas. Em Rashômon e outros contos, Akutagawa aborda desde aspectos da cultura ancestral japonesa até a fase contemporânea de seu tempo, a da abertura de seu país à cultura ocidental, incluindo a temática cristã e a crença de que progresso tecnológico alçaria o Japão ao grupo das grandes potências mundiais. Dois de seus contos escritos entre 1923 e 1927, ‘ ‘Passagem do caderno de notas de Yasukichi” e “A vida de um idiota”, são tidos como autobiográficos. O conto “Rashômon” serviu de inspiração para o filme homônimo e uma das obras-primas do famoso cineasta japonês Akira Kurosawa, premiado em 1950 no Festival de Veneza.


domingo, 6 de março de 2022

Leitura- A Batalha

 




Mais um livro sobre a guerra guaranítica. Cem anos antes os guaranis deram uma coça nos bandeirantes e os mantiveram longe da reduções. Quadrinho razoável .


Resenha : Com roteiro da historiadora Fernanda Veríssimo e arte do premiado quadrinista Eloar Guazzelli, uma obra espetacular sobre um episódio decisivo e pouco conhecido da história do nosso continente: a batalha fluvial de Mbororé.

“Esse é um livro que mostra o quão eurocêntricas são as nossas histórias Ocidentais, e como é preciso descolonizar nossa própria imaginação. Leia com urgência.” – Lilia Moritz Schwarcz

É 1756, estamos na redução de São Luís , onde se concentram as forças guaranis, reunidas por caciques que não aceitaram os termos do tratado de Madri e resolveram lutar contra as coroas ibéricas para permanecerem nas reduções. São passados mais de cem anos da batalha fluvial de Mbororé, e há iminência de um novo conflito que colocará novamente frente a frente índios guaranis e tropas espanholas e portuguesas.

Às vésperas desse embate, um cacique e um padre jesuíta contam a um menino índio sobre a vitória acontecida em 1641, quando os guaranis — fugindo dos paulistas, que buscavam escravizá-los — e alguns padres jesuítas organizam a resistência numa curva do rio Uruguai chamada Mbororé. Esta batalha decisiva é recriada de modo extraordinário pelo roteiro de Fernanda Veríssimo e o traço de Eloar Guazzelli. Serão oito dias de combate até a vitória final, quando, forçados a se embrenharem na mata, os paulistas serão caçados pelos guaranis. Prepare seu coração para entrar nessa narrativa ao mesmo tempo trágica e insurgente.

Leitura - Satiricon - Petrônio

 Comédia de costumes tremendamente atual e nos mostra que sexo , casamento , amor , comportamento social , etiqueta são moldados pela época em que se vive .Não existe preconceito em adoção de todo tipo de comportamento pois em algum momento da humanidade o que eh hoje considerado obsceno mal-educado , preconceituoso ou libidinoso já foi considerado ato normal 

Resenha :Eis a mais celebrada obra literária em prosa da Antiguidade a ter
chegado até nós. O enredo de Satíricon começa em Nápoles, numa escola de retórica, na qual um jovem adulador e golpista chamado Encólpio busca, por intermédio do seu professor, Agamenon, ser convidado para um banquete na casa de Trimalquião, um ex- escravo, agora novo-rico. Outras pessoas de índole duvidosa se juntarão a essa verdadeira trupe de homens de pouca moral, encontrando outros personagens – todos eles devidamente parodiados, satirizados, ironizados.


Petrônio viveu no século I, e escassas são as informações sobre sua vida. Teria frequentado e até mesmo trabalhado na corte de Nero como “árbitro do bom gosto”, organizando banquetes e zelando pelo requinte do imperador romano. Porém caiu em desgraça e destilou, em Satíricon, parte do veneno e das críticas que nutria por Nero e seus apoiadores. Parodiando até mesmo o grande Homero, tendo influenciado de Oscar Wilde a F. Scott Fitzgerald, passando ainda por T.S. Eliot e tantos outros artistas, Satíricon é uma das grandes e deliciosas obras literárias que atestam a capacidade do ser humano rir de si mesmo.

Leitura - O lobo Solitário 1 - O caminho do assassino -Kazuo Koike e Goseki Kojima

  Adoro mangá e este é clássico, São vários volumes. Sempre abordando Ronins e o Bushido  RESENHA :  Com o inevitável e fatídico final do du...