domingo, 13 de março de 2022

Leitura- Diario de um velho Louco- Junichiro Tanizaki

 



Excelente este livro de Junichiro.Pretendo ler outros. Este livro me pareceu similar ao Armadilha para Lamartine . Também escrito sob a forma de diário e que registra de forma brilhante o cotidiano de uma família de classe média.  Só que Junichiro explora também a figura do protagonista de forma brilhante 



Entre o criativo e rebelde patriarca de 77 anos da família Utsugi e sua nora Satsuko estabelece-se em meio a luzes e sombras um jogo sutil de poder envolvendo, de um lado, o ancião que se empenha em burlar uma vida regrada por remédios, médicos e hospitais e, do outro, a ex-dançarina de casas noturnas, mulher bela e licenciosa, plena de vida, que faz uso de seus talentos naturais para fascinar e controlar o sogro, manipulando-o em prol de interesses pessoais.

A idade do protagonista, ao invés de coibir seus instintos, liberta-os. Com a consciência da aproximação da morte e na posição de quem não tem muito a perder, o velho senhor Utsugi rompe por completo com as convenções sociais e entrega-se de corpo e alma à exaltação de seus prazeres hedonistas. A explicação para tais impulsos, em nada exclusivos da juventude e da meia idade, vem do próprio narrador: “Penso, antes, que o fenômeno tem a ver com a sexualidade de um velho impotente — pois alguma sexualidade existe, mesmo num velho impotente.”

Estas páginas de um dos grandes mestres da escrita japonesa ficarão para sempre como um libelo da sexualidade na velhice demonstrando que, se a velhice é cruel quanto à submissão ao desejo, ela só se torna sinônimo de senilidade para os conformistas, o que certamente não é o caso de Tanizaki.




sábado, 12 de março de 2022

Leitura - Rashomon- Akutagawa

 

Estou no período de leitura japonesa ; Diversos escritores excelentes todos nascidos antes do século XIX. Akutagawa é um dos melhores . Seus contos incríveis nos trazem também um pouco da literatura zen para seus escritos


Resenha :
O LIVRO TRAZ DEZ CONTOS escritos por Ryunosuke Akutagawa, considerado o principal representante do moderno conto japonês. Esta nova edição, cujo texto foi revisto pelas tradutoras Madalena Hashimoto Cordaro e Junko Ota, reúne histórias de diferentes períodos da curta vida do autor, que cometeu suicídio aos 35 anos de idade, e durante a qual escreveu mais de 150 contos, além de poemas. Em Rashômon e outros contos, Akutagawa aborda desde aspectos da cultura ancestral japonesa até a fase contemporânea de seu tempo, a da abertura de seu país à cultura ocidental, incluindo a temática cristã e a crença de que progresso tecnológico alçaria o Japão ao grupo das grandes potências mundiais. Dois de seus contos escritos entre 1923 e 1927, ‘ ‘Passagem do caderno de notas de Yasukichi” e “A vida de um idiota”, são tidos como autobiográficos. O conto “Rashômon” serviu de inspiração para o filme homônimo e uma das obras-primas do famoso cineasta japonês Akira Kurosawa, premiado em 1950 no Festival de Veneza.


domingo, 6 de março de 2022

Leitura- A Batalha

 




Mais um livro sobre a guerra guaranítica. Cem anos antes os guaranis deram uma coça nos bandeirantes e os mantiveram longe da reduções. Quadrinho razoável .


Resenha : Com roteiro da historiadora Fernanda Veríssimo e arte do premiado quadrinista Eloar Guazzelli, uma obra espetacular sobre um episódio decisivo e pouco conhecido da história do nosso continente: a batalha fluvial de Mbororé.

“Esse é um livro que mostra o quão eurocêntricas são as nossas histórias Ocidentais, e como é preciso descolonizar nossa própria imaginação. Leia com urgência.” – Lilia Moritz Schwarcz

É 1756, estamos na redução de São Luís , onde se concentram as forças guaranis, reunidas por caciques que não aceitaram os termos do tratado de Madri e resolveram lutar contra as coroas ibéricas para permanecerem nas reduções. São passados mais de cem anos da batalha fluvial de Mbororé, e há iminência de um novo conflito que colocará novamente frente a frente índios guaranis e tropas espanholas e portuguesas.

Às vésperas desse embate, um cacique e um padre jesuíta contam a um menino índio sobre a vitória acontecida em 1641, quando os guaranis — fugindo dos paulistas, que buscavam escravizá-los — e alguns padres jesuítas organizam a resistência numa curva do rio Uruguai chamada Mbororé. Esta batalha decisiva é recriada de modo extraordinário pelo roteiro de Fernanda Veríssimo e o traço de Eloar Guazzelli. Serão oito dias de combate até a vitória final, quando, forçados a se embrenharem na mata, os paulistas serão caçados pelos guaranis. Prepare seu coração para entrar nessa narrativa ao mesmo tempo trágica e insurgente.

Leitura - Satiricon - Petrônio

 Comédia de costumes tremendamente atual e nos mostra que sexo , casamento , amor , comportamento social , etiqueta são moldados pela época em que se vive .Não existe preconceito em adoção de todo tipo de comportamento pois em algum momento da humanidade o que eh hoje considerado obsceno mal-educado , preconceituoso ou libidinoso já foi considerado ato normal 

Resenha :Eis a mais celebrada obra literária em prosa da Antiguidade a ter
chegado até nós. O enredo de Satíricon começa em Nápoles, numa escola de retórica, na qual um jovem adulador e golpista chamado Encólpio busca, por intermédio do seu professor, Agamenon, ser convidado para um banquete na casa de Trimalquião, um ex- escravo, agora novo-rico. Outras pessoas de índole duvidosa se juntarão a essa verdadeira trupe de homens de pouca moral, encontrando outros personagens – todos eles devidamente parodiados, satirizados, ironizados.


Petrônio viveu no século I, e escassas são as informações sobre sua vida. Teria frequentado e até mesmo trabalhado na corte de Nero como “árbitro do bom gosto”, organizando banquetes e zelando pelo requinte do imperador romano. Porém caiu em desgraça e destilou, em Satíricon, parte do veneno e das críticas que nutria por Nero e seus apoiadores. Parodiando até mesmo o grande Homero, tendo influenciado de Oscar Wilde a F. Scott Fitzgerald, passando ainda por T.S. Eliot e tantos outros artistas, Satíricon é uma das grandes e deliciosas obras literárias que atestam a capacidade do ser humano rir de si mesmo.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

Leitura- A Mulher que pariu um Peixe- Rai Soares

 




Resenha :
Mais do que um livro de histórias curtas, em A mulher que pariu um peixe e outros contos fantásticos de Severa Rosa a escritora maranhense Rai Soares entrega narrativas memorialísticas a partir de lembranças das histórias contadas por sua avó e do desejo consciente de expressar aprendizados. Nos contos figuram mulheres negras e ameríndias com suas experiências de moradoras de uma cidade do interior do estado do Maranhão, em uma época em que ainda não havia chegado luz elétrica nem água encanada, e o alimento era plantado e colhido no quintal de casa. Contos que revelam a magia das plantas e narrativas que vão além do que a lógica é capaz de explicar. Na obra estão reunidas histórias de ancestralidade, memória e coletividade.


A apresentação do livro foi escrita pela jornalista e professora Rosane Borges, que afirma: “A escrita de A mulher que pariu um peixe e outros contos fantásticos de Severa Rosa está à altura do conteúdo narrado. Uma escrita sensível, que nos leva a habitar as narrativas de tal modo que nos apossamos das histórias, reelaborando-as no timbre das nossas avós e mães.”


terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Leitura - Botchan -Natsume Soseki

 

Muito bom este livro de Natsume. Apesar de ser do início do século se trata de um romance bem atual retratando um pessoa altamente mimada - como diz o titulo e completamente inconsequente.


Resenha: 

Se em seu bem-sucedido livro de estreia, Eu sou um gato (1905), Natsume Soseki satirizou a condição humana pelo olhar de um bichano sagaz, neste Botchan, publicado apenas um ano depois, o autor japonês reafirma o estilo bem-humorado com outra trama sobre diferenças: o choque cultural que opõe a cidade grande e o interior. Mas Soseki não opta pelo caminho mais fácil, pintar um caipira de calças curtas no furacão hostil da metrópole. Ao contrário: em Botchan, o personagem que dá título ao romance é um jovem professor de matemática de Tóquio que, aos 23 anos, aceita partir para uma localidade inóspita nos rincões do Japão, na ilha de Shikoku, a fim de lecionar para aquela que será sua primeira turma de alunos ginasiais.

Habilidade social não é o forte do protagonista, muitas vezes comparado ao Holden Caufield de J. D. Salinger em O apanhador no campo de centeio. Até aceitar o emprego, Botchan tinha passado os últimos três anos vivendo recluso em um cubículo “de quatro tatames e meio”. Seus modos são ríspidos, sua paciência com os outros é limitada, sua impetuosidade vive lhe causando problemas, sua fome é insaciável. No olhar ferino de Natsume Soseki quem se torna alvo da chacota e da maldade dos colegas não é o estudante desengonçado, mas o professor cujo sotaque cosmopolita agride os ouvidos dos alunos da província.

Aprendiz de adulto, Botchan terá de aprender que a vida real pode ser bem menos tranquila do que indicava sua experiência anterior, dividida entre a reclusão e os mimos de uma velha criada da família. No romance, Soseki , que também foi professor na juventude, destila os predicados que lhe deram fama, como a ironia, a escrita fluida e a magistral composição psicológica de personagens. Um clássico da literatura japonesa do século XX, que se mantém até hoje como um dos livros mais populares no Japão.

Leitura- Trilha Estreita ao Confim-Basho


Bashô escreve prosa como poesia. Mérito também do tradutor que conseguiu captar toda singeleza e pureza do poeta. Ler Bashô já é praticar o Zen Budismo tal o seu lirismo. 2a leitura e cada vez mais gosto

Resenha: Dias e noites vagueiam pela eternidade, assim são os anos que vêm e vão como viajantes que lançam os barcos através dos mares ou cavalgam pela terra. Muitos foram os ancestrais que sucumbiram pela estrada. Também tenho sido tentado há muito pela nuvemovente ventania, tomado por um grande desejo de sempre partir.”


O poeta japonês Matsuo Basho (1644-1694) contemplava num harmonioso entardecer uma tranquila lagoa quando uma rã saltando sobre a água rompeu subitamente sua lisa superfície. Não com um forte ruído, mas com um som claro e distinto. Ao ouvir esse som cristalino, o poema fluiu quase que involuntariamente, Basho criaria neste momento o mais famoso de todos os haikais:

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

Leitura- A Guerra Guaranítica -

 

Excelente esta editora e a coleção . Importante conhecer fatos de nossa história e de lutas que nem sempre foram retratadas da forma correta . Entender nossa história é entender o Brasil



Resenha :
Tropas indígenas dos Sete Povos das Missões (no atual RS) barraram o avanço de portugueses e espanhóis que redesenharam as fronteiras da América do Sul após a assinatura do Tratado de Madri, em 1750. Os rebeldes resistiram até serem derrotados em 1756.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Leitura -451 no 54

 

Achei o numero fraco . Poucas resenhas de livros .Muitos livros e artigos sobre discriminação social e inclusão de minorias . Aprecio mais Literatura resenhada . Não que eu  não aprecie livros com criticas sociais. Mas fica excessivamente viesado

sábado, 12 de fevereiro de 2022

Leitura- Dora sem véu

Nova leitura de Ronaldo Correia Brito. Um dos melhores escritores atuais. Seu romance retrata a cultura familiar nordestina e nos traz um retrato do Brasil rico de influencias e tradição .Nos faz amar cada vez mais o povo nordestino. Um romance de profundidade literária 

Resenha :Autor de Galileia, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, Ronaldo Correia de Brito cria uma narrativa emocionante e multifacetada, de traços dostoievskianos, sobre o amor e a culpa.
Francisca é uma mulher de meia-idade, casada e sem filhos, que decide se aventurar numa romaria a Juazeiro em busca de Dora, a avó que nunca conheceu — e que nem sabe se está viva. Leva consigo Afonso, o marido com um passado obscuro que tenta renegar.
Na caçamba de um caminhão, enfrentam o calor e a sede. Na cidade dos romeiros, a violência e a impunidade. Nesta viagem reveladora, ambos irão enfrentar o amor, as suspeitas e a morte.
Dora sem véu é um livro múltiplo e marcante, genial, de um dos autores mais importantes da literatura brasileira contemporânea.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2022

Leitura - O Impostor

 


Muito bom romance este do escritor sul-africano. De certa forma coloca brancos na posição de negros e as discussões raciais numa forma mais de relações sociais que políticas. E principalmente ressalta as ambivalências tanto de negros quanto brancos nos seus discursos quando são colocados em situações limites.

  Resenha :Adam Napier perde o emprego devido às cotas pós-apartheid, que colocam uma negra em seu antigo posto de trabalho. Endividado, ele se muda para uma casa abandonada no interior do país com o intuito de retomar sua carreira literária. Porém, as manchas do passado sul-africano se tornarão cada vez mais presentes em sua vida, e sua estada naquela pequena cidade não será tão idílica quanto ele esperava. Após encontrar o inescrupuloso Canning, um ex-colega de escola, e fingir reconhecê-lo, Adam torna-se um impostor sob a ameaça constante da descoberta. Ele se vê num mundo selvagem, onde o sexo e a morte estão sempre próximos a eclodir e a amarga herança do apartheid parece onipresente.

domingo, 30 de janeiro de 2022

Leitura - Homens Cordiais

 

Mais um excelente livro de Samir Machado; Pesquisa histórica aliada a suspense e uma boa aventura vivida numa época que reforça ainda mais o prazer da leitura .Excelente


Resenha : O que James Bond, Umberto Eco e Portugal no século XVIII têm em comum? O que poderia juntar referências a vilões clássicos da animação, trocadilhos inusitados e o musical Hamilton? Em Homens cordiais, Samir Machado de Machado mais uma vez faz disputas políticas de séculos atrás conversarem com o Brasil e o mundo de hoje em dia. Ver o soldado Érico Borges tentar decifrar os planos da Marquesa de Monsanto um instante antes de tudo ir para os ares é ver uma partida de tênis — só que com explosões. E explosões deixam tudo melhor.
Dessa vez, acompanhamos Érico enquanto utiliza sua inteligência militar e social para lutar uma batalha que nem sempre é a dele. Além de impedir que mais guerras aconteçam, vemos em Érico um desejo de entender por que os poderosos as querem, para começo de conversa. Com seus inimigos fictícios, o personagem cativante questiona problemas muito reais, como fanatismo, xenofobia, homofobia e até mesmo disputas de gênero.

Nosso autor tem a facilidade de mostrar o sentido de algo estrutural: algo presente em seus alicerces, em sua própria composição — remetendo inclusive à arquitetura de Lisboa após o terremoto de 1775. Por outro lado, perdão pelo trocadilho, mas Samir Machado de Machado abala as estruturas, desafiando as normas do que é um romance de capa e espada para deixá-lo ainda mais emocionante. Aí entram as referências pop no romance histórico: o Satyricon de Petrônio, os deuses gregos, métodos de assassinato à la Agatha Christie e a série Chaves.

A narrativa cativante faz o leitor parar e se perguntar: "Espera um pouco: isso aconteceu de verdade? Essas pessoas são reais?" No entanto, ninguém vai conseguir largar o livro por tempo suficiente para consultar se os túneis romanos sob Lisboa ou se a Irmã Xerazade existiram mesmo. Mas tudo é real para Érico Borges nesta nova aventura. Tudo é muito real para esse personagem que só quer voltar para casa seguro para os braços de quem o espera.

sábado, 22 de janeiro de 2022

Leitura - A Vida de Dante


Vale como documento histórico e como uma obra de Boccaccio. Tem poucos dados , mas o suficiente para capturar um pouco da vida do poeta 


Resenha 

Fundamental para a compreensão do mito de Dante Alighieri, esta biografia não só mostra a influência que o poeta teve na vida do autor de Decamerão, mas também é um brilhante estudo historiográfico da Idade Média. Escrito por volta de 1350, este tratado marca um dos momentos mais importantes do culto a Dante: a profunda admiração de Boccaccio, autor do Decameron, pelo criador da Comédia, que permeou praticamente toda a sua obra.

A princípio concebida como um prefácio à compilação das obras do poeta florentino, esta Vida de Dante foi revisitada por Boccaccio três vezes — e a versão que o leitor brasileiro tem agora em mãos é a mais extensa e provavelmente a mais conhecida.

Mais do que uma biografia, esta defesa da poesia é peça fundamental para a compreensão do mito de Dante, além de servir ao rico estudo historiográfico do período.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Leitura -A Arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir aumento

 

Perec era um louco ao estilo Borges mas pelo lado matemático. Obsessivo ao extremo , criativo ao extremo ,escreve por formulas combinatórias para eliminar TODAS as possibilidades da escrita o que pode levar seu leitor a loucura . Criatividade em excesso .

Resenha: Só um homem que nunca comprou uma televisão e não sabe dirigir, como parece ter sido o caso de Georges Perec, pode conceber um estado progressivo de exasperação diante da vida prática como o que é relatado neste livro. Só um homem tão avesso ao chamado do consumo é capaz de provocar o riso do leitor diante de uma das situações ao mesmo tempo mais corriqueiras e constrangedoras da vida cotidiana nas sociedades que seguem à risca a cartilha do mercado. A arte e a maneira de abordar seu chefe para pedir um aumento é exatamente isso: uma bula às avessas. Um livro de antiajuda, que ensina a rir de si mesmo, nem que seja só para contrariar uma das principais tendências do mercado editorial num mundo reduzido a fórmulas matemáticas.

Inspirado num organograma empresarial, Perec imaginou um jogo obsessivo de possibilidades cujo objetivo aparente seria evitar o pior — que por isso mesmo sempre acontece, a cada nova tentativa frustrada do protagonista, concebida como projeção exemplar e preventiva. À maneira de um manual antecipatório, o texto revela o ridículo das ações e das expectativas mais prosaicas do mundo do trabalho, por meio de sua repetição esquemática até o esgotamento. O leitor é o protagonista desse jogo combinatório de probalidades, que leva a obsessão pelas projeções matemáticas às raias do ridículo. Ao contrário dos manuais que ensinam a vencer na vida e fazer amigos num mundo onde mercado e realidade são sinônimos, este pequeno livro póstumo traduzido pelo premiado escritor Bernardo Carvalho mostra que não há regras nem limites para a imaginação literária.

Georges Perec (1936-82) foi um dos grandes inovadores da literatura no século xx. Filho de judeus poloneses que imigraram para a França, perdeu o pai na frente de batalha, durante a Segunda Guerra, e a mãe num campo de concentração. Em 1965, recebeu o prestigioso prêmio Renaudot por As coisas, seu primeiro romance, e, em 1967, passou a integrar o centro de literatura experimental OuLiPo (Ouvroir de Littérature Potencielle), fundado por Raymond Queneau. Sua prosa extremamente lúdica recorre à lógica e à matemática para lançar uma luz surpreendente sobre os detalhes mais repetitivos das sociedades de consumo. A vida modo de usar (1978), considerado sua obra-prima, foi publicado pela Companhia das Letras em 1991 e, em 2009, em edição de bolso.


quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

Leitura - Os Tais Caquinhos

 

Muito bom livro; Vamos esperar o próximo romance para termos um juízo de valor sobre Natércia enquanto escritora . Senão ficará no bolo dos autores de narrativas meio autobiográficas que esgotam a criatividade do escritor . A maioria de seus escritos são contos 


Resenha:
Um romance poderoso e áspero sobre uma família, um apartamento caótico e as dolorosas descobertas da adolescência.


Faltava muita coisa no apartamento 402. Mas sobravam muitas outras: caixas de papelão, bandejas de isopor, cacarecos, baratas, cupins, muriçocas, poeira, copos sujos. Abigail, Berta e Lúcio formam um trio nada convencional. Duas adolescentes dividem o apartamento com o pai, um homem amoroso, idiossincrático, acumulador, pouco afeito à vida prática, que torce para que a morte venha logo lhe buscar e dá conselhos incomuns às filhas: “É muito bom sentir fome”.
Os tais caquinhos é um romance de formação trágico e comovente, capaz de arrancar risos nervosos. Ao descrever o dia a dia de uma família simbiótica em meio à cordilheira de lixo que só faz crescer, Natércia Pontes desenha um fascinante retrato de três pessoas que buscam conviver com seus sonhos e suas fantasias, suas manias e seus anseios, seus medos e suas revelações. "

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Leitura -Notas sobre o Luto





Um livro bem escrito pois a escritora eh excelente mas nao se compara com os que já li dela . Me pareceu um pouco forçado e para tapar um buraco . Parece mais uma catarse terapica 

Resenha Escrito por uma das maiores vozes da literatura contemporânea, esse livro é um relato não apenas sobre a morte de um pai amado, mas também sobre a memória e a esperança que permanecem com aqueles que ficam.
Escrito após a morte do pai de Chimamanda Ngozi Adichie em junho de 2020, durante a pandemia de covid-19 que mantinha distante a família Adichie, Notas sobre o luto é um poderoso relato sobre a imensurável dor da perda e as lembranças e resiliência trazidas por ela.
Consciente de ser uma entre milhões de pessoas sofrendo naquele momento, a autora se debruça não só sobre as dimensões familiares e culturais do luto, mas também sobre a solidão e a raiva inerentes a ele. Com uma linguagem precisa e detalhes devastadores em cada capítulo, Chimamanda junta a própria experiência com a morte de seu pai às lembranças da vida de um homem forte e honrado, sobrevivente da Guerra de Biafra, professor de longa carreira, marido leal e pai exemplar.
Em poucas páginas, Notas sobre o luto é um livro imprescindível, que nos conecta com o mundo atual e investiga uma das experiências mais universais do ser humano.
“Era tão próxima do meu pai que sabia sem querer saber, sem saber inteiramente o que sabia. Uma coisa dessas, temida durante tanto tempo, finalmente chega, e na avalanche de emoções vem também um alívio amargo e insuportável. Esse alívio se torna uma forma de agressão, e traz consigo pensamentos estranhamente insistentes. Inimigos, atenção: o pior aconteceu. Meu pai se foi. Minha loucura agora vai se revelar.”

Leitura- O Lugar

 





O livro eh bacana .Um livro sem freios da vida com o pai de Anne . Apenas coloca muito bem como  se distanciam as relações o as familiares a medida que se cresce educacionalmente , socialmente e monetariamente . Tem muito do que víamos muitas vezes em nossos pais e também como nossos filhos hoje nos vêem. Mas eh também uma mostra do esforço paterno nem sempre valorizado  

Sinopse : Livro que lançou Annie Ernaux à fama, O lugar, inédito no Brasil, estabelece as bases para o projeto literário que Ernaux levaria adiante por três décadas de consagração crítica e sucesso de público. Nesta autossociobiografia, uma das mais importantes escritoras vivas da França se debruça sobre a vida do próprio pai para esmiuçar relações familiares e de classe, numa mistura entre história pessoal e sociologia que décadas mais tarde serviria de inspiração declarada a expoentes da auto ficção mundial e grandes nomes da literatura francesa como Édouard Louis e Didier Eribon. O resultado é um clássico moderno profundamente humano e original.

Leitura -Kanikosen



Eh um livro totalmente planfletário . Eh um pouco inocente na construção de sua utopia comunista no navio. Vale mesmo como registro do absurdo , que aliás, permanece até hoje em muito ambientes de trabalho 

 Resenha : Quem embarca no navio Hakuko Maru é alertado de seu destino. Parece ser a única alternativa que resta para aqueles desempregados, pequenos comerciantes falidos, camponeses sem-terra, jovens pobres e outros rejeitados da sociedade. Ainda assim, ninguém está preparado para o inferno que é a rotina do navio. Naquele misto de barco e fábrica, em alto mar, os trabalhadores não têm qualquer direito e estão à mercê da exploração brutal e da violência dos capatazes do conglomerado pesqueiro. Alguns morrem de desnutrição, outros de maus tratos. Os trabalhadores então descobrem que, se não querem trabalhar até à morte, terão que resistir e lutar pela vida. Um clássico da literatura japonesa do século XX, numa emocionante versão em quadrinhos. Publicado originalmente em 1929, o romance Kanikosen custou a vida de seu autor, Takiji Kobayashi. Por causa do imenso sucesso do livro, Kobayashi despertou a ira do governo e das classes dominantes japonesas. Depois de viver um tempo na clandestinidade, o escritor foi preso, brutalmente torturado e, por fim, assassinado pela polícia em 1933. Ele tinha apenas 29 anos. Kanikosen ficou proibido por muitos anos, mas acabou redescoberto e, desde então, tem sido um dos romances mais cultuados do Japão, com diversas versões para o cinema, teatro e esta celebrada adaptação para o mangá feita por Go Fujio.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Leitura- 451# 53

 Nada a comentar deste número exceto a ótima entrevista da Lilia Schwarcs  .Acho que entram de férias...rsrsr 



domingo, 9 de janeiro de 2022

Leitura- Vida - Modo de Usar

 




Uns dos romances mais incríveis e criativos que já li! Comparar com Mil e uma Noites eh algo que vem a mente com suas estórias entrelaçadas criativas que cativam o leitor .Afinal o que eh Literatura senão fazer o leitor se perder na leitura , perder a noção do tempo e se deslumbrar com a riqueza da escrita.  Um livro excelente 


Resenha: A vida modo de usar, publicado em Paris em 1978 - quatro anos antes da morte prematura do Georges Perec, fundador ao lado de Raymond Queneau do grupo de experimentação literária OuLiPo - é recorrentemente considerado um dos grandes romances da segunda metade do século XX. Na verdade uma teia de romances (no plural, como enfatizava o autor), o livro é composto por uma miríade de histórias e 'sub-histórias', a um primeiro olhar banais, envolvendo os habitantes de um edifício em Paris, e que se entrecruzam como as peças de um puzzle.



Leitura- O Bebedor de vinho de Palma- Amos Tutuola

RESENHA : Tido pela revista Time como um dos 100 melhores livros de literatura fantástica de todos os tempos, O bebedor de vinho de palma e ...