sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Leitura- Lia - Caetano Galindo

 




Primeiro romance de Caetano W. Galindo, tradutor de Ulysses e autor de Latim em pó, Lia costura fragmentos de uma existência numa prosa inovadora, revelando com maestria a matéria de que é feita uma vida.

Romances podem ser como filmes. Este é um álbum de retratos. Como fotos, os capítulos devem ser vistos por si sós. Como álbum, o livro pode ser lido em qualquer ordem: o que lhe dá sentido (nos dois sentidos) é a vida que registra. É assim que vamos conhecer Lia. Alguém que acompanhamos por toda uma vida feita à nossa frente em fragmentos, lascas e relances. Não é assim, afinal, que conhecemos todas as pessoas da nossa vida?“ Lia é um livro profundo e lúdico. Enquanto o leitor se entretém com a montagem do quebra-cabeças, satisfeito ao encaixar mais uma peça da misteriosa Lia, Caetano Galindo traduz a complexidade de existir.”

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

Leitura- 451 N# 90

 








Resenha /Índice : Eu, Carrere • O escritor francês Emmanuel Carrère revisita quatro décadas de carreira e fala dos seus romances não ficcionais e arrependimentos literários em entrevista a Fernando Eichenberg

Antonio Scurati • Michel Foucault • Maura Lopes Cançado • Alexandre Nodari • Fernanda Torres • Junji Ito • Mariana Salomão Carrara • Marcelo Moutinho • Teju Cole

Mais: as lembranças de Humberto Werneck da Belo Horizonte literária da década de 60 e o centenário da New Yorker

Foto da capa: Ed Alcock

Leitura- Ainda estou aqui - Marcelo Rubens Paiva

 



Resenha : Eunice Paiva é uma mulher de muitas vidas. Casada com o deputado Rubens Paiva, esteve ao seu lado quando foi cassado e exilado, em 1964. Mãe de cinco filhos, passou a criá-los sozinha quando, em 1971, o marido foi preso por agentes da ditadura, a seguir torturado e morto. Em meio à dor, ela se reinventou. Voltou a estudar, tornou-se advogada, defensora dos direitos indígenas.

Nunca chorou na frente das câmeras. Ao falar de Eunice, e de sua última luta, desta vez contra o Alzheimer, Marcelo Rubens Paiva fala também da memória, da infância e do filho. E mergulha num momento negro da história recente brasileira para contar — e tentar entender — o que de fato ocorreu com Rubens Paiva, seu pai, naquele janeiro de 1971.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2025

Leitura- Melhor não contar -Tatiana Salem Levy


 

.Eh uma boa escritora. Mas o livro deixa uma sensação dúbia. Parece a mim psicanalítico demais . A impressão que fica é que o sofrimento por algo não contado e muito difícil para a formação da personalidade seja algo único e particular . Quando na verdade não é . E muitas pessoas resolvem seus problemas "melhor não contar " de forma mais suave. E que todos os acontecimentos tristes da vida são particularmente dolorosos e mantidos efetivos por toda vida. Parece um sentimento particular de um povo .Mas o livro é bom 



Resenha :Melhor não contar abre com uma cena iniciática: aos dez anos, a protagonista relaxa numa piscina, na companhia da mãe e do padrasto. Sem ter chegado ainda à puberdade, se desfaz da parte de cima do biquíni e desfruta da inocência sob o sol e o vento. O sossego é interrompido quando o padrasto, um aclamado cineasta, apresenta o esboço do desenho de observação que fizera há pouco — ali está a menina, retratada naquele momento, com um detalhe que foi impossível passar desapercebido: “Seus mamilos, apontando um para cada extremidade do papel, chamam a atenção. Há mais tinta neles, foram desenhados com força. Estão eretos, reparo”. Esse acontecimento marcaria o fim da infância daquela menina, filha de uma intelectual e jornalista pioneira, uma mulher de espírito e vitalidade incomuns. E, a despeito disso — como repara a narradora, já adulta —, até mesmo essa mãe poderosa e aparentemente imbatível teve que se haver com os flutuantes desejos masculinos e as desigualdades gritantes entre os gêneros. Na vida e na arte.

Fazendo do título do livro um paradoxo brilhante, a narradora resolve então contar tudo (ou quase): da doença galopante que vai tirar a mãe do seu convívio ainda na juventude à reação de um companheiro a um aborto da protagonista já madura e morando no exterior. E faz ainda mais: reflete sobre a diferença entre mulheres e homens na hora de narrar uma história.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Leitura- O Vampiro de Curitiba - Dalton Trevisan

 





Resenha :
Ganhador do Prêmio Camões 2012, Dalton Trevisan reedita sua obra de maior destaque com nova capa e um conto inédito, A velha querida.


Assim como um vampiro é capaz de tudo em sua busca pela satisfação do sangue, os personagens dos contos que compõem este O vampiro de Curitiba buscam, sem culpa, pudor ou censura, o prazer a qualquer custo. Considerado uma obra-prima do autor, este livro traz Dalton Trevisan em sua forma mais clássica: objetivo, conciso, minimalista e afeito a referências literárias de toda sorte, levando sua mistura de ironia e pessimismo aos extremos mais chocantes e repulsivos da degradação humana.

Estas histórias representam situações-limite sociais, psicológicas ou existenciais que, por seu absurdo, contêm elementos de paródia, humor e fantasia, ao mesmo tempo em que exploram a crueldade e a sordidez reveladas nas incontroláveis fantasias que determinam os impulsos mais profundos do ser humano.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Leitura- O Grande Relógio - Silviano Santiago

 Trabalho bastante erudito mas que busca mostrar todo eurocentrismo da nossa iniciação cultural. Mas não é simples de se ler




RESENHA : O pensador e o crítico estão presentes e passam a perna no romancista. Em cadernetas, os dois elaboram e desenvolvem anotações sob a forma de folhetins que deixam à mostra o longo processo de criação do romance brasileiro. Silviano Santiago decide expor ousadias e riscos, manobras e estratégias que surpreendem a solidez de obras canônicas da literatura dita universal por viés nevrálgico. O grande relógio nietzschiano diz que a cultura brasileira, e nela a literatura, recomeça hoje.

A Editora Nós entrega ao leitor o primeiro dos três “cadernos em andamento” em que um dos nossos mais importantes autores contemporâneos repensa, e suplementa, a maturidade alcançada nos trópicos pela literatura brasileira. Parte de projeto contrastivo entre as obras de Machado de Assis e de Marcel Proust, O grande relógio: a que hora o mundo recomeça visa a solicitar (“abalar o todo”, etimologicamente) os fundamentos da literatura comparada eurocêntrica — a saber, as noções de influência, cópia e originalidade. Se viver é perigoso, avisa o ensaio em forma de alerta, desconstruir é ainda mais perigoso. Acolhamos Silviano Santiago em folhetim, em série e em processo.


segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Leitura- Voando para casa e outras estórias -Ralph Ellison

 




Resenha:Poéticos, vivazes e intensos: assim são estes catorzes contos de Voando para casa e outras histórias, de Ralph Ellison, autor vencedor do Pulitzer por Homem invisível.



Em uma mala de couro esquecida debaixo de uma mesa, Ralph Ellison, um dos maiores escritores estadunidenses do século XX, guardava uma série de manuscritos inéditos. Após a morte de Ellison, sua esposa, Fanny, presenteou John F. Callahan — editor e grande amigo do marido — com esses escritos. Assim, seis contos inéditos foram selecionados, junto a outros já publicados pela imprensa, para compor esta antologia Voando para casa e outras histórias.

Aqui estão reunidos os primeiros contos de Ellison, escritos entre 1937 e 1954, nos quais o autor já aborda seu tema preferido: a formação de uma identidade negra nos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, revela uma realidade particular que transcende a vida ordinária.

Em catorze histórias curtas, leitoras e leitores encontrarão traços autobiográficos de um autor que soube transpassar sua vivência para a literatura. Herdeiro declarado do estilo cru e poético de Ernest Hemingway, Ellison nos emociona com a inocência infantil em “Garoto em um trem” e impressiona com a brutalidade dos linchamentos em “[Uma farra no parque]” — um retrato de um século XX que se faz atual ainda em tantos momentos.

Publicados pela primeira vez no Brasil, os contos de Voando para casa e outras histórias são considerados pela crítica o esboço de Homem invisível, a obra-prima de Ralph Ellison. A presente edição conta com tradução de André Capilé, poeta, tradutor, pesquisador de produções literárias afrodiaspóricas e professor de literatura brasileira na Universidade do Estado do Rio de Janeiro.



“Vistos em conjunto, os contos de Ellison apontam para sua visão consistente sobre a identidade estadunidense construída durante os cinquenta e cinco anos de vida em que ele escreveu.” — John F. Callahan, escritor e crítico literário

“Maravilhoso, anterior aos riffs de Homem invisível — e mais uma excelente contribuição para a obra de Ellison.” — Kirkus Reviews

“As histórias de Ellison demonstram, individualmente, seu comprometimento em criar e, em conjunto, a bagagem adquirida que, mais adiante, o permitiram construir, tijolo por tijolo, um dos maiores monumentos da literatura estadunidense.” — Publishers Weekly

“Ellison é um romancista completo, que utiliza as palavras com grande habilidade, que escreve com intensidade poética e imenso vigor narrativo.” — The New York Times

domingo, 26 de janeiro de 2025

Leitura- Retorno a Reims - Didier Eribom

 


Livro excessivamente falado mas altamente psicanalítico . Me pareceu que o  Eribom quis  achar algumas justificativas para a vergonha de ser pobre  e   desta forma culpar  os  seus 30 anos sem ver a família :na burguesia , no capitalismo , na sua condição homossexual e na luta de classes .Para quem como eu veio de uma família muito pobre e sofreu na carne a mesma exclusão social trata-se de um excelente bode expiatório e um ótimo tema para um bom escritor . O que vale no livro eh sua auto biografia e não a analise psicanalítica e marxista .

O fato é que não precisaria de nenhuma destas justificativas pois seu meio social e sua família eram excessivamente humilhantes , inconvenientes e desqualificadores . Tinha mesmo que sair fora disto tudo .O resto é discurso psicanalítico e marxista. O analista dele  deve ter obrigado  a escrever o livro para exorcizar a culpa , independente das razões que teve que acho extremamente justas para abandonar tudo  .Aliás deve ser católico para se sentir tão culpado por NADA .



Resenha : Neste grande livro que entrelaça reflexão sociológica e memória autobiográfica, Didier Eribon relata seu retorno, depois da morte de seu pai, a Reims, sua cidade natal, e seu defrontamento com seu ambiente de origem, com o qual havia praticamente rompido trinta anos antes. Desse reencontro, vem o ímpeto de mergulhar no passado e retraçar a história de sua família, à medida que se dá conta de que a ruptura não se deveu exclusivamente a sua homossexualidade ou à homofobia que pairava no ambiente doméstico, mas também à vergonha que ele sentia de sua origem social. Ao evocar o mundo operário de sua infância, reconstituindo sua ascensão social e sua vida intelectual a partir dos anos 1950, o filósofo e sociólogo francês combina a cada parte desse relato íntimo e comovente elementos de uma reflexão sobre classes, sistema escolar, formação das identidades, sexualidade, política, democracia e a mudança do padrão de votos da classe operária ― que é ilustrada por sua própria família que troca sua lealdade pelo Partido Comunista por partidos de direita e até de extrema-direita. Ao reinscrever assim as trajetórias individuais nos determinismos coletivos, Didier Eribon se questiona sobre a multiplicidade de formas da dominação e portanto da resistência.

terça-feira, 21 de janeiro de 2025

Ouvidoria - 20000 léguas - Galileu - 11 episódios

 

Mais um excelente podcast de 20000 léguas. Recomendo a todos . A vida de Galileu merece ser contada e recontada



Resenha :

O Vinte Mil Léguas está de volta – e viaja para ainda mais longe no tempo. A partir de 8 de abril, tem início a terceira temporada do podcast de ciências e livros, dedicada a Galileu Galilei. Apresentado por Leda Cartum e Sofia Nestrovski. Trilha original de Fred Ferreira.

Depois de dois anos, o Vinte Mil Léguas está de volta – cada vez mais com a cabeça na lua. Começa aqui a temporada dedicada a Galileu Galilei, ao telescópio, aos astros, aos pêndulos, ao movimento.

domingo, 19 de janeiro de 2025

Leitura - 451 N# 89

 






Vida longa, vampiro • Um especial sobre o escritor Dalton Trevisan, morto em dezembro de 2024, por Hélio de Seixas Guimarães, Giovana Maladosso e Caetano W. Galindo.

Inácio Araujo • Beatriz Bracher • Leiko Gotoda • João Guilhoto • Seth Jacobowitz • Miranda July • Darian Leader • Antonio Scurati • Pedro Süssekind • Julia Wähmann

Mais: uma crítica do filme Ainda estou aqui, por Marcelo Miranda; uma reportagem sobre o mal da vista cansada, por Helena Aragão; entrevistas com a escritora espanhola Alana S. Portero, por Renata Carvalho; o livro de Raul Juste Lores sobre a revolução arquitetônica dos anos 50, por Nabil Bonduki.

Foto da capa: Dérson Trevisan.

Leitura- A mais recôndita memória dos homens- Mohamed Mbougar Sarr

 




Existe no início do livro um frase de Bolano que remete ao título do livro. A mim este livro excelente tem um quê Bolanista no jeito de contar a estória . Lendo achava que lia Bolano


Resenha : 

Neste romance magistral, vencedor do prêmio Goncourt e traduzido para mais de trinta idiomas, Mohamed Mbougar Sarr se inspira numa história verídica para construir um romance de formação e de aventura que celebra a literatura e revive o melhor da tradição deixada por Roberto Bolaño em Os detetives selvagens.

Em 2018, Diégane Latyr Faye, um jovem escritor senegalês, descobre em Paris um livro mítico publicado em 1938: O labirinto do inumano. Seu autor, o misterioso T.C. Elimane, desapareceu sem deixar vestígios depois que uma escandalosa acusação de plágio mobilizou a comunidade literária francesa dos anos 1940. Fascinado, Diégane inicia então seu percurso atrás do “Rimbaud negro”, enfrentando as grandes tragédias do colonialismo e do holocausto. De Dakar a Paris, passando por Amsterdam e pela Buenos Aires dos salões literários das irmãs Ocampo, que verdade o espera no centro deste labirinto?

Sem nunca perder o fio dessa busca que se apodera de sua vida, Diégane frequenta um grupo de jovens autores africanos radicados em Paris: entre noitadas de discussões, bebedeiras e sexo, eles se interrogam sobre a necessidade da criação a partir do exílio.

Com a sua perpétua inventividade, A mais recôndita memória dos homens é um romance inesquecível, marcado pela exigência de uma escolha entre a escrita e a vida, ou pelo desejo de ir além da questão do confronto entre a África e o Ocidente. Nas palavras do escritor angolano Kalaf Epalanga, autor do texto de orelha desta edição, Sarr “consegue a proeza de construir um romance que celebra a beleza da literatura e a importância da criação artística”.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

Leitura- Viela ensanquentada . Wesley Barbosa

 

Livro de leitura rápida . São estórias da infância e juventude contada em pequenos fragmentos . Literariamente fraco . Falta um pouco de estilo na construção de imagens . Comparativamente a Geovanni Martins esta a milhas dele . Vale como dar força a pessoas que saíram de situação de vida crítica e conseguiram encontrar seu espaço social 




Resenha :
História comovente e infelizmente muito atual. A vida nas comunidades das grandes cidades brasileiras vem se modificando, graças ao esforço e ao empenho da maioria dos moradores. Porém o tráfico de drogas, a milícia (grupos de ex-policiais que agem contra os traficantes, mas são forças criminosas) e a violência desmedida ainda sobressaem nas favelas brasileiras. 
Viela Ensanguentada é mais uma obra, escrita por uma pessoa de dentro da favela, que denuncia o abuso e a violência porque passam os moradores destas comunidades.

terça-feira, 7 de janeiro de 2025

Leitura- As aventuras de Nhô Quim- Angelo Agostini e Candido Aragonez

 Talvez a 1o Gibi nacional. Vale a pena conhecer esta obra que mostra o funcionamento social da época em que foi lançado . 






Resenha: O encontro do interiorano com a Corte era fonte infindável de pilhérias no Brasil do século XIX. No teatro de Martins Pena, por exemplo. Em O juiz de paz da roça, José quer seduzir Aninha, carregá-la consigo para a cidade, logo fala muito do “que é que há lá tão bonito”: três teatros, homem que vira macaco, mágica com muito maquinismo, cosmorama na rua do Ouvidor, cabrito com duas cabeças, porco com cinco pernas.

O caiporismo também marcava presença naquele tempo. Como na literatura de Machado de Assis, nada menos. Num conto, “Último capítulo”, o protagonista e narrador da estória define o caipora — ele próprio — como o sujeito que, ao cair de costas, consegue quebrar o próprio nariz! Para saber como, vá ler o conto, que está em Histórias sem data, pois vale muito a pena.

Nhô Quim é ao mesmo tempo roceiro e azarado. Jovem de vinte anos, filho “de gente rica porém honrada”, vai parar na Corte porque o pai não aprova o seu namoro com donzela virtuosa mas sem vintém. Está criado o entrecho para as situações embaraçosas e chistes sem fim de As aventuras de Nhô Quim, ou impressões de uma viagem à Corte. Veem-se as imagens com aquela sensação de dó da vergonha alheia, pobre Nhô Quim, que perde o trem, sai à rua de saia, não acha mais o moleque que lhe devia servir, vira capanga eleitoral.

A graça das imagens, a aparente falta de pretensão de tudo, é uma janela ímpar para a observação da cultura e da sociedade do Brasil imperial. A “gente rica” não parece honrada, apega-se à escravidão, corrompe eleições, há espertalhões por toda parte. O posfácio de Marcelo Balaban e Aline dell’Orto oferece um panorama primoroso da arte das publicações ilustradas no Brasil oitocentista. O caiporismo de Nhô Quim é a sorte grande de seus leitores.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

Leitura - 451 N# 88

 

Mais um versão desta revista que me acompanha desde a Flip 2019. Grandes resenhas e reportagens e muita indicação de livros excelentes

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

Leitura - Deus na escuridão - Valter Hugo Mãe

 




Livro é  bom mas existe um certo exagero nas imagens da escrita e na linguagem empregada pelo  personagem principal que nao se assemelha a um criança e sim um adulto sofisticado .  

Resenha : Um romance delicado e profundo de Valter Hugo Mãe sobre o amor fraterno e a necessidade de cuidar de alguém

Pode o amor de um irmão ser divino igual ao amor de uma mãe?

Como os pássaros, os irmãos Pouquinho e Felicíssimo vivem nas alturas, em casas incrustadas em uma rocha íngreme na pequena comunidade do Buraco da Caldeira, na Ilha da Madeira. É ali, entre a natureza indomável, uma paisagem mítica e a fé imensurável, que eles passam os seus dias em meio à labuta diária, movidos por um amor sublime, que corteja o divino.

Desde o nascimento de Pouquinho, Felicíssimo soube que lhe caberia a função de cuidar do irmão caçula, que nasceu com uma condição física incomum e flanava em algum lugar entre o estranho e o santificado. Felicíssimo, porém, aceita desde o primeiro momento esse compromisso não como um dever, mas como um ato supremo de afeição.

Com um projeto gráfico especial e prefácios do músico Rodrigo Amarante e do professor de Literatura Carlos Reis, Deus na escuridão explora a ideia de que amar é sempre um sentimento que se exerce na escuridão. Um manifesto de lealdade e resiliência assinado com a maestria literária que tornou Valter Hugo Mãe um dos mais laureados autores do nosso tempo.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2024

Leitura- Contos Indígenas brasileiros - Daniel Munduruku

 


Excelente livro de contos indígenas apesar de excessivamente curto. 


Resenha: 

Na apresentação do livro Contos indígenas brasileiros, publicado em 2004, o autor, Daniel Munduruku, afirmou: “O Brasil é o país da diversidade cultural e linguística. Aqui em nossas terras, convivem mais de 250 povos diferentes, falando 180 línguas e dialetos, morando em todos os estados desse imenso país. São mais de 750 mil pessoas, segundo os últimos dados do IBGE, que buscam manter acesas as chamas de sua tradição e o equilíbrio de suas próprias vidas.” Os oitos contos selecionados pelo autor, a partir de um critério linguístico, têm a intenção de retratar, através de seus mitos – o roubo do fogo, a origem do fumo, depois do dilúvio, entre outros -, a caminhada de alguns de nossos povos indígenas do norte ao sul do país – Guarani, Karajá, Munduruku, Tukano, entre outros. A leitura dessas histórias dá às crianças uma rica visão de nossa herança cultural.

sábado, 21 de dezembro de 2024

Leitura- As 100 melhores lendas do folclore brasileiro- A S Franchini


Bela coletânea de lendas. Porém faltou capricho na escrita . Vários termos amodernados e fora do contexto da história fazem com que ela perca o carisma que vem de séculos de narrativas. As indígenas são as piores


Resenha: O folclore brasileiro é conhecido por sua riqueza e diversidade. Bebendo em fontes indígenas, africanas e europeias, reúne histórias transmitidas oralmente por séculos a fio, recontadas à sua maneira por cada por cada narrador. A.S.Franchini conta sua versão de algumas das mais emocionantes histórias do folclore nativo, nas quais o fantástico e o popular se unem para recriar antigos relatos sobre a formação dos povos e do território brasileiro.Algumas das mais famosas lendas indígenas, além de pitorescos contos populares e também monstruosas criaturas que povoam nosso imaginário dão vida às 100 melhores lendas do folclore brasileiro. Nas duas primeiras partes, há relatos de tempos imemoriais, como ''O surgimento da noite'' e ''O batismo das estrelas'', sobre a criação do mundo, há também contos bastante conhecidos, como a fábula do coelho e da tartaruga e ''O negrinho do pastoreio''.Já a última parte é dedicada a perfis de seres muitas vezes assustadores, como a Mula sem Cabeça, a Cuva, e o Chupa-Cabra, clássicos como o Saci Pererê e o Lobisomem e outros menos difundidos como o Gorjala, o Carbúnculo e o Anhangá, entre outras misteriosas criaturas. A.S.Franchini, ao contar essas lendas, faz uma viagem pelo mundo do fabuloso e do onírico, recuperando histórias que fazem parte do grande repertório cultural que são as narrativas orais e folclóricas. Veja um trecho de Como surgiu o Oiapoque''Tudo começou num tempo muito antigo, quando a fome e a doença estavam afligindo a aldeia dos oiampis. Tarumã, uma bela índia, estava grávida e decidiu procurar um lugar livre da moléstia e da penúria para criar seu filho. Com a barriga pesada, a pequena índia começou a peregrinar solitária pela mata, mas passados alguns dias sentiu que não teria mais forças para ir a lugar algum.- Ó, Tupã, não posso mais dar um passo e morrerei com meu filho no ventre! - exclamou ela, sozinha, esfomeada no meio da mata. Então Tupã, apiedado, transformou-a numa enorme cobra. Tarumã, convertida nessa cobra, encontrou forças para seguir adiante, levando sempre o filho no ventre, até que, um dia, encontrou um lugar aprazível, onde havia água e terra boa para plantar. - Aqui haveremos rodos de viver! - disse ela, pensando em retornar às pressas para avisar a gente de sua aldeia. Antes de retornar, porém, ela deu à luz uma menina. ''

domingo, 15 de dezembro de 2024

Leitura- 7 Cordéis brasileiros - Luiz Antônio Simas


Gosto demais do Simas .Mas achei caro pelo conteúdo .A intenção é boa .O resultado não



Resenha : Luiz Antonio Simas é, no Brasil dos dias de hoje, o intelectual que mais se aproxima da linhagem de Ariano Suassuna: aquele que, ao abordar as culturas populares, revela a profunda ligação que as mesmas têm com as manifestações culturais ditas "sofisticadas". Não por acaso, em um dos seus Sete cordéis brasileiros, o eu-lírico diz: "Gosto de rito e de fé/ de soneto e de sanfona". Com efeito, os cordéis de Simas misturam Rainha Elizabeth com Exu, Maradona com São Pedro, Pixinguinha com Santa Hildegarda, Paulo Freire com Napoleão. Neste livro, portanto, personagens e situações provêm de tradições múltiplas – e ainda bem que assim o é, visto que eles permitem aos leitores o acesso a uma variedade ampla de tradições. Vai daí que os sete cordéis que compõem este livro são poeticamente construídos a partir de formas poéticas amalgamadas a partir dos signos da diversão, do requinte, da acessibilidade e do refinamento. O resultado é um livro no qual convivem harmoniosamente o sagrado, o profano, e mais ainda: as ruas da cidade, os botequins, as macumbas e a tradição armorial e delirante do Nordeste. Ao final do livro, Simas brinda o leitor com uma inusitada autobiografia cordelística e, aí, poeta e eu-lírico se misturam, revelando (ou camuflando) ao leitor a figura deste intelectual incontornável para a compreensão das culturas que convivem no Brasil do início do século XXI.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

Leitura - Literatura Infantil - Alejandro Zambra

 





Resenha :Espécie de manual para pais de primeira viagem, ou simplesmente um novo e brilhante capítulo da obra magnífica do autor de Poeta chileno e Formas de voltar para casa.

“Com você no colo, vejo pela primeira vez, na parede, a sombra que formamos juntos. Você tem vinte minutos de vida.” Desse modo, ensaiamos os primeiros passos neste relato emocionante e cheio de ternura sobre a paternidade, a infância e as relações entre pais e filhos. Ao longo de uma série de contos e textos autobiográficos, Alejandro Zambra nos convida a refletir sobre como o nascimento e o crescimento de um filho não somente modificam o presente e o futuro, mas também nossas ideias relativas ao passado.

Acompanhamos anotações e pensamentos de um narrador, o próprio Zambra, durante todo o primeiro ano de vida de seu filho, Silvestre; o comovente relato da paixão de um pai pela pesca; a história de um filho que ganha do pai uma viagem para Nova York com a condição de que corte o cabelo; um conto que mistura ausência paterna e muitos (mas muitos) palavrões; e uma fascinante investigação sobre pais, filhos e futebol. Diário da paternidade, espécie de “carta ao filho” e pura ficção: esta é a matéria-prima deste mais novo triunfo de um dos principais nomes da literatura contemporânea mundial.

Leitura - O lobo Solitário 1 - O caminho do assassino -Kazuo Koike e Goseki Kojima

  Adoro mangá e este é clássico, São vários volumes. Sempre abordando Ronins e o Bushido  RESENHA :  Com o inevitável e fatídico final do du...