O livro conta a história do Samba desde 1840 a 1930 . Francisco Guimaraes eh muito bom contextualizando á época. Muito detalhado serve como entendimento das raízes do samba e de como era nossa cidade sob o olhar as pessoas mais simples e que criaram nossa cultura popular .Uma aula de carioquice .
domingo, 31 de outubro de 2021
sexta-feira, 29 de outubro de 2021
Leitura- Memórias do SubSolo
Resenha :
Memórias do subsolo (1864), considerada por muitos a primeira novela existencialista, é um dos textos mais marcantes e influentes de Dostoiévski. Publicada na primeira metade de 1864, inaugurou uma nova fase na produção literária de Dostoiévski. Nas amargas reminiscências do rancoroso homem subterrâneo, o autor afasta-se sensivelmente das obras de sua chamada “primeira fase”, tão caras à crítica e ao público russos. O “romance social” cedia terreno a uma nova experimentação na prosa dostoievskiana, ao tipo de criação artística que seria mais tarde interpretada como a prefiguração do existencialismo do século XX. De Franz Kafka a André Gide; da psicanálise de Freud ao existencialismo de Sartre; do teatro pós-moderno ao cinema americano: muitos foram os que beberam—e ainda bebem—do manancial subterrâneo de Dostoiévski.
terça-feira, 26 de outubro de 2021
Leitura - Narrativa da vida de Frederick Douglass
Este já é o 3o ou 4o livro sobre auto- narrativas de escravos que leio. Muito bom livro descrevendo toda dureza de uma vida sob escravidão . Difícil entender , como o próprio autor diz como uma pessoa consegue conciliar a prática de religiosa e ter escravos. Esta é uma das facetas hipócritas do ser humano que concebe : religião e nazismo , religião e ditadura , religião e inquisição , religião e guerras é desta forma que segue a humanidade com a maldade na alma: pratica crimes e recebe absolvição de padres e pastores .
Resenha:
Um texto clássico sobre escravidão e liberdade nos Estados Unidos, esta autobiografia mostra a força de um dos principais abolicionistas do país.
Publicada pela primeira vez em 1845, Narrativa da vida de Frederick Douglass detalha de forma poderosa a vida do abolicionista norte-americano desde seu nascimento na escravidão, em 1818, até a fuga para o norte em 1838, passando por toda brutalidade que sofreu, mas também por seu caminho de aprendizado e letramento. Reconhecido como um dos maiores defensores do fim da escravidão no século XIX, Douglass repetidas vezes arriscou a própria liberdade para se manifestar contra o regime da época.
Além do texto autobiográfico, esta edição contém o famoso discurso do autor sobre o Dia da Independência dos Estados Unidos, “O que é o Quatro de Julho para o escravo?”, um artigo publicado após um episódio de racismo no norte do país, “Preconceito de cor”, e um breve ensaio sobre a história do racismo, “A linha de cor”.
quarta-feira, 20 de outubro de 2021
Leitura - A Diplomacia na Construção do Brasil
Depois que li a biografia do Barão do Rio Branco me interessei pelas questões diplomáticas na manutenção de nosso território . Muito se deve a perspicácia e negociação portuguesa que ergueram praticamente 95% do Brasil de hoje. Não podemos tirar o mérito dos feitos após a Independência e 2o reinado que evitaram dezenas de guerras entre o Brasil e países sul-americanos. Um bom livro histórico
Resenha:
Testemunha e protagonista das últimas cinco décadas da diplomacia brasileira, Rubens Ricupero desvenda a trama de infuências nacionais e internacionais desde 1750 até os dias de hoje e nos oferece um livro decisivo para a compreensão de nossa história - utilíssimo para estudiosos das ciências sociais em geral e indispensável para os que se dedicam às relações internacionais.
terça-feira, 19 de outubro de 2021
Leitura -451 no 50
segunda-feira, 18 de outubro de 2021
Leitura- A Questão Finkler
Li este romance por conta do Booker Prize. Achei o livro chato, pretensioso e de baixa qualidade .As vezes penso que ganhou o prêmio por ser tipicamente judeu em sua essência . Tentou transmitir uma crítica ao comportamento judeu .Ocorre que mostrou como deve ser chato se sentir judeu o tempo todo , fazendo de sua vida em cada momento e ação um eterno questionamento judeu. Era como se eu vivesse toda minha existência me questionando pensando e agindo como se fosse brasileiro...è muito estranho e deve ser horrível viver assim...
Resenha: Aclamado por crítica e público, chega ao Brasil o polêmico e premiado A questão Finkler, de Howard Jacobson. Este romance extraordinário, engraçado e implacável mostra um dos melhores escritores contemporâneos em toda a sua genialidade.
Quando lançado, muitos críticos consideraram que a história de Jacobson era um desrespeito à cultura judaica e que sua escrita era de baixa qualidade. Por outro lado, a maioria considerou o livro uma obra-prima, repleta de ironia e sarcasmo e que o autor teve enorme êxito ao fazer os judeus rirem de si mesmos.
O ex-produtor da rádio BBC e depressivo Julian Treslove e Sam Finkler, filósofo, escritor e celebridade televisiva, são velhos amigos. Sam é judeu; Julian, não. A despeito do relacionamento cheio de altos e baixos e dos estilos de vida muito diferentes, eles jamais perderam o contato um com o outro – nem com o ex-professor Libor Sevcik, um judeu tcheco sempre mais preocupado com o que acontece no mundo do que com os resultados das provas.
Um dia, após um jantar, Treslove é assaltado em uma inusitada situação. Depois disso, toda a sua noção de quem e do que ele é sofrerá uma lenta e inelutável mudança.
A questão finkler é uma história contundente de amizade e perda, exclusão e pertencimento, e de sabedoria, humanidade e maturidade.
quinta-feira, 14 de outubro de 2021
Leitura- O Simpatizante
Resenha :O simpatizante é um épico de amor e traição. O leitor acompanha um agente duplo comunista sem nome, que se infiltrou no exército sul-vietnamita e conseguiu se refugiar nos Estados Unidos depois da Queda de Saigon. Pessoa de confiança de um general que se recusa a admitir a derrota para os vietcongues, esse “homem de duas mentes” observa o esforço dos refugiados vietnamitas para sobreviver em uma melancólica Los Angeles enquanto secretamente reporta a seus superiores comunistas no Vietnã. É um romance arrebatador, uma audaciosa reflexão sobre o extremismo político.
quinta-feira, 7 de outubro de 2021
Leitura - Memórias do sobrinho de meu tio
Resenha : As Memórias do Sobrinho de Meu Tio, história da ascensão financeira e política de um "filho família" oportunista, no Brasil do Segundo Reinado, foram escritas por Joaquim Manuel de Macedo em fins de 1867 e início de 1868. O escritor, que acabara de se reeleger deputado pelo Partido Liberal, retoma aqui o narrador de A carteira de meu tio (1855) - bem como seu avesso crítico, o honestíssimo compadre Paciência - e discute a política de conciliação do gabinete de Zacarias de Góis de Vasconcelos; a Guerra do Paraguai, que então parecia interminável; a emancipação dos escravos, anunciada na fala do trono de 1867; os métodos corriqueiros de apadrinhamento, o processo eleitoral e o exercício, em proveito próprio, de cargos públicos. Livro cuja importância, no interior da obra macêdiana, já foi sublinhada, dentre outros críticos, por Antônio Candido, Astrogildo Pereira e Temístocles Linhares, as Memórias do Sobrinho de Meu Tio chamam a atenção para sua dicção satírica - exercitada igualmente em boa parte da dramaturgia do autor e em textos como A luneta mágica, Um passeio pela cidade do Rio de Janeiro e Memórias da rua do Ouvidor -, e para a capacidade de Macedo de, ao lado da popularização de um modelo prosaico-sentimental de romance de costumes, desenvolver uma espécie de autocaricatura do próprio gênero que pratica.
segunda-feira, 4 de outubro de 2021
Leitura- O Capote
Todos nós saímos do Capote de Gógol. A famosa frase de Dostoiévski alude ao papel fundamental desempenhado pela obra de Nikolai Vassílievitch Gógol (1809-1852) no desenvolvimento da literatura russa a partir do século XIX. Humorista, dramaturgo, prosador e polemista, seria sobretudo graças a suas narrativas breves que o autor de Almas mortas e O inspetor geral atrairia a atenção da crítica e influenciaria para sempre os rumos da prosa russa e universal.
Organizado e traduzido diretamente do russo por Paulo Bezerra, que também assina o posfácio, este volume apresenta ao leitor um panorama geral da obra gogoliana, ao trazer, ao lado de algumas de suas histórias mais conhecidas (O capote, O nariz e Diário de um louco), duas narrativas folclóricas, do ciclo ucraniano (Viy e Noite de Natal).
Se nas primeiras o cenário é São Petersburgo e os pequenos funcionários da burocracia czarista e, nas segundas, o universo rural com suas lendas e personagens míticos, em todas prevalece o humor, o tom fantástico e a genialidade narrativa de Gógol nesta sequência de verdadeiras obras-primas.
quinta-feira, 30 de setembro de 2021
Leitura- Declínio de um homem
Muito bom escritor . Traduz toda sua tristeza e sofrimento em estórias excelentes. Escrita leve e fluida
Resenha: A curta passagem pela vida do escritor japonês Osamu Dazai — suicidou-se aos 38 anos de idade — não o impediu de se transformar num autor bastante popular. Declínio de um homem , editado pela primeira vez no Brasil, vendeu mais de 10 milhões de exemplares desde sua publicação original, em 1948. A obra sintetiza em cenas e passagens notoriamente biográficas muitas das angústias que tanto alimentavam a personalidade autodestrutiva do autor, a saber: a dificuldade de entendimento com seus familiares, sua anti-ssociabilidade niilista, seu patológico apego ao álcool — vício do qual nunca conseguiu se livrar —, sua autoestima inexistente, enfim, sua evidente sensação de deslocamento em relação ao mundo — como se tivesse sido enviado à existência por mero descuido.
Resenha: O livro é estruturado em três cadernos, nos quais o autor, por meio do personagem alter ego Yozo — um jovem estudante provinciano que tenta sobreviver na capital Tóquio — relata em primeira pessoa diversos episódios sobre as hostilidades da vida que ele tem de enfrentar. Yozo é um depressivo contumaz cuja tristeza se espraia nele como uma metástase, contaminando suas energias e impedindo-o de recuperar uma alegria de viver que, na verdade, nunca sentiu.
Se a princípio o jovem Yozo até se esforça para “ser aceito” pelos outros, esse esforço mascara uma dificuldade que lhe é atroz: sem a personalidade própria dos carismáticos, o rapaz recorre ao estratagema de fazer “palhaçadas”, de modo a parecer divertido aos olhos de outrem. As momices, que podem incluir até esforços físicos — levar um tombo, por exemplo — muitas vezes funcionam, mas, quando desmascaradas, traumatizam ainda mais o personagem. Afastado da família, e com dificuldades financeiras, ele sobrevive escrevendo histórias e fazendo desenhos de qualidade duvidosa — e com incursões na pornografia — para alguns periódicos populares. Nem mesmo as mulheres que se apaixonam por ele o fazem minimamente feliz, de modo que, com o passar do tempo, as manias de Yozo se tornam cada vez mais perturbadoras, pintando-o como um “jovem Werther japonês”.
O êxito editorial de Declínio de um homem talvez possa ser explicado pela maneira catártica com que Dazai escreve: diferentemente de seus pares mais tradicionais da literatura japonesa, em geral caracterizados pela sutileza e por tons etéreos, Dazai escreve com as vísceras, não se importando em trazer à tona fantasmas interiores mais obscuros. Sua escrita angustiada o coloca numa posição especial dentro do mapa da literatura nipônica.
terça-feira, 28 de setembro de 2021
Leitura- Doramar ou a Odisséia
Na verdade não iria ler este livro. Mas foi muito recomendado. Não gostei.; Achei uma literatura pesada parecendo aquelas de Gorki carregadas de propaganda . Me pareceu com a obrigação de escrever sobre as mazelas que o povo sofrido ainda não superou. Não optou pela Literatura . Mas sim pela visão ideológica da mesma.
Resenha: Quem se deslumbrou com a maestria narrativa, a sólida e delicada construção de personagens, a linguagem apurada e a temática brasileira de Torto arado, romance que converteu Itamar Vieira Junior em um dos nomes centrais da nossa literatura contemporânea, vai encontrar neste Doramar ou a odisseia ainda mais motivos para celebrar a ficção do autor.
Num diálogo permanente com nossas questões sociais e a tradição literária brasileira, Itamar enfeixa um conjunto de histórias a um só tempo atuais e calcadas na multiplicidade de culturas que formam o país. Parte dos textos deste volume foram publicados em A oração do carrasco (2017), finalista do Prêmio Jabuti em 2018. A estes, foram acrescidos outros, inéditos em livro. Lidos na sequência, atestam a vitalidade de um escritor que encontra inspiração em personagens que desafiam os limites que lhes foram impostos. Assim, contos como "A floresta do Adeus", "Voltar" e a história que dá título a este volume falam de personagens femininas que enfrentam as condições mais adversas. Outros, trazem luz sobre nosso passado escravocrata, evocam a cultura afro-brasileira ("Farol das almas", "Alma"), a ancestralidade indígena ("O espírito aboni das coisas"), a marginalidade e a loucura ("Manto da apresentação", sobre o artista Arthur Bispo do Rosário). E há espaço inclusive na imaginação de Itamar para uma história como "Na profundeza do lago", em que algo de gótico se insinua pelas franjas da trama.
domingo, 26 de setembro de 2021
Leitura-Dez dias num Manicômio
Bom livro reportagem. Interessante ver uma reportagem escrita em 1887 num manicômio e comparar com uma outra se escrita hoje. Comparada sobre todos os aspectos: tratamento , forma de se escrever , forma de se abordar , etc . Algumas coisas não se modificaram em mais de quase 130 anos. Excelente repórter de muita coragem
Resenha: Uma garota foi declarada louca e tranca ada no manicômio... e esse era seu plano o tempo todo. A garota era Nellie Bly, destemida repórter que queria investigar como as pacientes eram tratadas e acabou denunciando a tortura e o abandono não só das doentes mentais, como o de muitas mulheres sãs, que a sociedade tachava como “indesejáveis”. Foi a primeira reportagem da jornalista que ― quando se dizia que redações “não eram lugar para mulher” ― foi aonde quis (deu até a volta ao mundo em 72 dias!), fez história e detonou preconceitos.
terça-feira, 21 de setembro de 2021
Leitura - O amor dos homens avulsos
Este livro eh de um escritor que se suicidou aos 29 anos ; Victor Heringer . Se trata de romance de temática homossexual . Eh um bom livro. Nada especial ,exceto a forma de construção da prosa , extremamente criativa. Leitura rápida
Resenha: No calor de um subúrbio carioca, um garoto cresce em meio a partidas de futebol, conversas sobre terreiros e o passado de seu pai, um médico na década de 1970. Na adolescência, ele recebe em casa um menino apadrinhado de seu pai, que morre tempos depois num episódio de agressão. O garoto cresce e esse passado o assombra diariamente, ditando os rumos de sua vida. Essa história, aparentemente banal, é desenvolvida com maestria ficcional e grandeza quase machadiana por Victor Heringer. Dono de uma prosa fluente e maleável, além de uma visão derrisória da vida, o autor demonstra pleno domínio na construção de cenas e personagens. E emociona o leitor com sua delicada percepção da realidade.
Leitura- Euclides da Cunha
Mais uma biografia de um grande brasileiro .Autor de um livro sem comparação no Brasil. Vida pessoal complicada por seu nomadismo sempre ausente . Mas tinha personalidade difícil e acabou gerando um desenlace fatal.
Resenha:
Alguns biógrafos sugerem um Euclides herói, embora maltratado pela vida. Este livro abandona os mitos e dá destaque ao gênio sem separá-lo de suas misérias. Frederic Amory dedicou-se como poucos a entender a personalidade e as ideias do autor de Os Sertões. Para isso ele confrontou, de modo rigoroso e objetivo, as problemáticas fontes de informação sobre o escritor. Esta biografia aprofunda e esclarece aspectos da vida e da obra de Euclides da Cunha até então pouco estudados.
"Como biografia, Euclides da Cunha: Uma Odisseia nos Trópicos é um dos trabalhos mais bem realizados do gênero, dentro e fora do Brasil. Comprovam tal realização o caráter abrangente que o biógrafo dá à totalidade da vida de Euclides, a autoridade com que discute os seus aspectos mais controversos – a relação de Euclides com o positivismo, a questão racial no seu pensamento crítico, a sua vida familiar – e a acessibilidade e sofisticação de uma narrativa que prende a atenção dos leitores. É trabalho de mais de uma década de profundas pesquisas e reflexões sobre a vida do nosso escritor maior e que estabelecerá definitivamente um marco importante nos estudos euclidianos." – Leopoldo Bernucci
terça-feira, 14 de setembro de 2021
Leitura- O Trono da Rainha Jinga
Já li praticamente todos os livros de Musa. Esta já havia lido e quis relembrar. Não eh dos melhores mas tem uma boa reconstrução do Rio do Sex XVII.
Resenha:
Uma onda de violência assola o Rio de Janeiro do século XVII, sendo atribuída a uma irmandade secreta de escravos criminosos. Ao mesmo tempo, são contadas as aventuras de um dos personagens pela África, onde conhece a famosa rainha Jinga. Cada capítulo é narrado por um personagem diferente, são diversas visões que se encadeiam até o desfecho.
domingo, 12 de setembro de 2021
Leitura- 451 no 49
Vários boas resenhas de livros . Achei maçante o artigo sobre Mario de Andrade : erudito , chato e extenso demais
sábado, 11 de setembro de 2021
Leitura- Cartas de uma Imperatriz
Excelente este livro de cartas da Imperatriz Leopoldina. Nobre de vasta formação e da família mais nobre , acabou isolada no Brasil desempenhando seu papel de princesa dentro do Regime Monárquico vigente no mundo , dominado pelos homens e desempenhando seu papel de parideira de príncipes e princesas. Para piora morreu jovem e corneada as claras pelo Imperador. Triste fim
Resenha: Em 1817, a jovem Leopoldina, descendente dos Habsburgos, uma das mais importantes famílias da nobreza européia, desembarcava no Rio de Janeiro, onde lhe esperava o seu marido, D. Pedro, com quem ela havia se casado por procuração, ainda em Viena, na Áustria. Era o primeiro encontro dos dois. A jovem, cheia de sonhos, criada na mais completa lealdade aos ideais absolutistas, sabia que, além do amor que já sentia pelo jovem português, teria uma missão a cumprir naquela terra nova, sem o glamour das cortes da Europa. “Meu destino é o Brasil, e cumprirei com prazer o mais rápido possível”, escreveu numa carta à sua irmã Maria Luísa, que havia sido esposa de Napoleão Bonaparte.
As cartas desta jovem princesa austríaca que, em solo brasileiro, acabou tendo um papel fundamental no episódio da Independência, surgem agora reunidas em Cartas de uma imperatriz. O livro reúne 315 cartas, que foram selecionadas a partir de um universo pesquisado de 850 peças em arquivos brasileiros, austríacos e portugueses, e cinco ensaios abordando o período histórico no Brasil e na Europa, a formação intelectual e moral de Leopoldina e a sua participação nos rumos da vida brasileira no começo do século XIX.
Os historiadores István Jancsó e André Roberto de A. Machado, em “Tempos de revolta, tempos de revolução”, apresentam uma reflexão sobre a presença portuguesa no Brasil e os rumos da monarquia absolutista numa Europa em transformação. Já a historiadora austríaca Bettina Kann, da Biblioteca Nacional da Áustria, que assina dois artigos, faz uma análise da situação política na Áustria e o ambiente em que a jovem se formou. A historiadora Andréa Slemian, tomando como referência a leitura das cartas, traça um painel de sua vida no Brasil, estabelecendo a dinâmica existente entre privado e público, mulher e princesa. Para completar, a psicanalista Maria Rita Kehl tece preciosas considerações sobre a personalidade de Leopoldina, a partir da leitura das cartas.
A pesquisa, a seleção e a transcrição deste vasto material foram feitas pela historiadora Bettina Kann e Patrícia Souza Lima, historiadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escritas em alemão, francês, português e inglês, elas cobrem o período que vai de 1808, quando Leopoldina tinha apenas 11 anos, a 1826, ano do seu falecimento.
Entre os vários destinatários, como seu pai Francisco I, sua tia Maria Amélia, destacam-se as que foram enviadas a sua irmã Maria Luísa, que era uma espécie de confidente de Leopoldina. Nestas cartas, a jovem relata, entre outras coisas, o momento em que recebeu, ainda em Viena, um retrato de D. Pedro, e se apaixonou por este jovem “tão lindo como um Adônis”. Já em sua última carta à irmã, pouco antes de sua morte após um aborto, encontramos uma mulher abatida e desesperançosa: “Há quatro anos, minha adorada mana, como a ti tenho escrito, por amor de um monstro sedutor me vejo reduzida ao estado de maior escravidão e totalmente esquecida pelo meu adorado Pedro”.
Esta edição inclui ainda um caderno iconográfico (com obras selecionadas de artistas-viajantes que estavam no Brasil na época, como Johann Moritz Rugendas, Thomas Ender, que acompanhou Leopoldina na Missão Austríaca, e Debret, além de duas aquarelas da própria Leopoldina e alguns fac-símiles das cartas), a árvore genealógica da Imperatriz e de D. Pedro I, cronologia histórica, glossário de nomes, bem como um índice de todas as cartas e um índice onomástico. Um material rico não só para estudiosos, mas também para os leitores, a quem se oferecerá um testemunho vivo da vida européia e brasileira no começo do século XIX.
sexta-feira, 10 de setembro de 2021
Leitura- As Barbas do Imperador
Nesta edição em quadrinhos de As barbas do imperador, Schwarcz volta à parceria com o premiado ilustrador Spacca, na dobradinha que já rendeu o best-seller D. João Carioca. Agora, Spacca conduz o leitor a um verdadeiro passeio pelos temas do livro, transpondo a linguagem do ensaio e da biografia ao universo das hqs de forma vibrante e esclarecedora. Dezenas de personagens da nossa história circulam pelos desenhos de Spacca, que recriou com fidelidade toda uma época, convertendo documentos, retratos, pinturas e obras arquitetônicas numa narrativa de tirar o fôlego. Ao fim, uma seção de extras amplia a discussão do livro, com textos sobre a Guerra do Paraguai, a escravidão e a fotografia no império, além de uma galeria de personagens do livro e uma alentada cronologia.
segunda-feira, 6 de setembro de 2021
Leitura- O peso do pássaro morto
Livro muito bem elaborado em uma escrita de poesiaprosa ou prosapoesia muito criativa que transmite bastante o sentimento de perda. Valeu a dica Vamos esperar o próximo
Resenha :Em “O peso do pássaro morto”, acompanhamos uma mulher que, dos 8 aos 52 tenta, com todas as forças, não coincidir apenas com a dor de que é feita. Um livro denso e leve, violento e poético, “simultaneamente claridade de vidro e ponta aguda de faca”, diz- -nos a orelha de Micheliny Verunschk. Afiado, O peso é feito de palavras e do vazio que elas desenham na página. No silêncio, no corte, o livro comprova que a dor e a poesia estão nos detalhes. Não poderia ser de outro jeito um livro que nasce com a morte de um canário, nas mãos, “minha mãe pediu pra cortar a unha dele. E ele morreu, de susto”, conta Aline. A morte vive em cada palavra d’O peso, onde vive também Aline, paulistana de 1987, formada em Letras e em Artes Cênicas, editora e colunista do site cultural OitavaArte. O peso do pássaro morto e ela se tocam, sobretudo, em um jeito de ver o mundo, “sem querer entender tanto”. Em dias tão pouco propensos ao feminino, o romance de Aline Bei dá corpo a uma coleção de dores sobre a força e a solidão de ser mulher, hoje.
sábado, 28 de agosto de 2021
Leitura- A palavra que resta
Muito bom este romance de Stênio . Vamos esperar os próximos esperando que não seja o escritor de único romance como tantos outros.
Resenha: Neste primoroso romance de estreia, acompanhamos a trajetória de Raimundo, homem analfabeto que na juventude teve seu amor secreto brutalmente interrompido e que por cinquenta anos guardou consigo uma carta que nunca pôde ler.
Aos 71 anos, Raimundo decide aprender a ler e a escrever. Nascido e criado na roça, não foi à escola, pois cedo precisou ajudar o pai na lida diária. Mas há muito deixou a família e a vida no sertão para trás. Desse tempo, Raimundo guarda apenas a carta que recebeu de Cícero, há mais de cinquenta anos, quando o amor escondido entre os dois foi descoberto. Cícero partiu sem deixar pistas, a não ser aquela carta que Raimundo não sabe ler — ao menos até agora.
Com uma narrativa sensível e magnética, o escritor cearense Stênio Gardel nos leva pelo passado de Raimundo, permeado de conflitos familiares e da dor do ocultamento de sua sexualidade, mas também das novas relações que estabeleceu depois de fugir de casa e cair na estrada, ressignificando seu destino mais de uma vez.
“A magnitude deste romance está, primeiro, na invenção de um enredo poderoso sobre a dor da exclusão — a exclusão da miséria, do analfabetismo, da solidão, do preconceito. E se completa com a força da linguagem que molda a história, palavra a palavra, na tradição dos grandes narradores brasileiros.”
— Socorro Acioli, autora de A cabeça do santo
Leitura- O Bebedor de vinho de Palma- Amos Tutuola
RESENHA : Tido pela revista Time como um dos 100 melhores livros de literatura fantástica de todos os tempos, O bebedor de vinho de palma e ...
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Bons os artigos sobre Guimaraes e adicionei o livro de Tatiana Salem sobre livros em minha lista



















